
Daqui três dias, escolheremos vereadores e a gestão municipal, que decidirão os rumos de Santarém nos próximos quatro anos.
De uma período eleitoral que encerra, atípico pelo momento em que estamos, a uma composição legislativa inexpressiva, 11 deles no seu segundo mandato – talvez uma das piores que já se formou na Câmara municipal – temos que olhar pelo retrovisor o que passou e do retrovisor para a frente e pensar se há motivos para mais uma chance aos que estão aí, ou se cabe elegermos gente nova, novos atores para um novo pleito.
A saber que vereador não é profissão, não deve ser hereditário. Aliás, nem deveria haver a ideia de reeleição ilimitada como vemos. Entretanto, muitos acabam enraizando no cargo, fazendo do cargo de vereador uma profissão de fé.
Da atual composição da Câmara Municipal, 21 vereadores, a educação parece desvalida – pelo menos é como posso ver no final desses quatro anos. Há delegado, empresários – maioria deles, advogados, três pedagogos.
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O que podemos resenhar como sendo marca desses três pedagogos que passaram quatro anos no Legislativo? Chamassem-nos para uma conversa, teriam eles algo de importante a mostrar para nós, professores, como sendo seu legado para a educação municipal? Eles têm crédito para reeleição, principalmente esse crédito dado pelos professores e por outros profissionais da educação, que não são poucos?
Talvez – e esse talvez soa mais certeza do que dúvida – seja hora de nós, profissionais da educação, atentarmos para aqueles que colocaram seus nomes ao escrutínio e a uma vaga da Câmara Municipal e encontrar entre eles nossos pares, professores DE VERDADE, que vivem na/da educação, que mereçam uma oportunidade no Legislativo.
Há vários nomes. Não quero citar nomes para não ser injusto, mas eles estão na luta por uma eleição, e é para eles que precisamos dar atenção e voto de confiança.
Se queremos ser representados no Legislativo, se queremos ter voz num lugar onde se aprovam projetos importantes para o município e decidem-se os rumos da educação municipal, principalmente quando se miram os professores, precisamos ter os nossos lá para nos representarem e por eles nos sentirmos representados.
Se nos unirmos, certamente teremos, pelo menos, dois professores nos próximos quatro anos na Câmara Municipal de Santarém. Não é tarefa impossível. Somos, em número de profissionais da educação, somando nossos familiares e amigos, milhares.
Nossa tarefa é – e ainda dá tempo – de conscientizar os nossos amigos próximos sobre a importância do voto naqueles que nos possam ser vozes e defensores no parlamento municipal.
Como professor há mais de três décadas, como profissional que tem compromisso com a educação pública, gratuita e de qualidade, também preocupado com a liberdade de cátedra do professor de ensinar e do aluno aprender em pluralidade, além de defender que os professores tenham condições de sair para aprimoramento – o que o município não nos favorece, infelizmente, talvez por não considerar importante a formação do professor a nível de mestrado e doutorado – faço um apelo aos meus colegas professores: deem uma oportunidade aos nossos colegas que colocaram seus nomes nestas eleições.
Votem em que nos pode representar e conhece a realidade do professor que vive nas/das salas de aula. Votem em que tem compromisso com a educação e com os profissionais da educação. Ao menos, neste tempo de eleição, UNAMO-NOS!
— * Joaquim Onésimo Ferreira Barbosa é professor. Doutor em Sociedade e Cultura na Amazônia. Escreve regularmente neste blog.
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