A cúpula do PSB no Pará veio a Santarém semana passada, Cássio Andrade à frente, e pediu a cabeça de João Paiva em bandeja de prata da exoneração. O prefeito Zé Maria (MDB), no entanto, negou-se a sacrificar o titular da Secretaria Municipal de Portos.
Preservou o secretário ainda que a pasta tenha sido dada ao PSB em janeiro deste ano, em troca de apoio à sua candidatura a prefeito nas eleições de 2024, conforme acordo político prévio – firmado, jurado e sacramentado.
Surpreendentemente, preservou no cargo João Paiva ainda que, dias antes, ele tenha sido defenestrado da presidência do PSB em Santarém, num movimento político de lançamento de carga ao mar, por gestão ruinosa do secretário no comando da legenda.
Por que essa reação inusitada de Zé Maria, que deixou os socialistas perplexos? Por oportunidade de negócios.
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Malandro, Zé Maria enxergou em João Paiva um ativo político-financeiro barato para turbinar ainda mais a candidatura do filho, Júnior Tapajós, a deputado estadual em 2026.
É que João Paiva desde que assumiu o primeiro cargo público de visibilidade, o de vice-diretor do presídio de Santarém, quando ainda estava ligado ao PSDB, sempre performou como exímio operador.
É zero como articulador político, mas se destaca como uma máquina azeitada – e diuturna – de arrecadação. Não tem apego algum a siglas, grupos políticos, panelinhas, turmas.
O PSB, por exemplo, já é para ele passado, morto e enterrado, assim como Aldo Queiroz, Chapadinha, Hilton Aguiar, Nélio, Gaúcho e Cássio Andrade.
Colou agora em Júnior Tapajós e Henderson Pinto. Os dois ficaram com os olhos arregalados em cifrões quando João lhes revelou o potencial da Secretaria de Portos como máquina de arrecadação.
Zé Maria entrou imediatamente na parada. Pesou prós e contra, quando então visualizou uma ótima oportunidade de negócios o cavalo selado João Paiva, sem as estribeiras do PSB, passando à sua frente.
Bora trabalhar, diria Helder. Zé Maria acabou fechando, assim, a permanência do agora seu operador na Secretaria dos Portos.
(*) Jeso Carneiro é jornalista e editor-chefe do JC. Leia também dele: Presta atenção no degrau abaixo!, Adriana Almeida e um recorde a ser batido em 2026 que perdura há 46 anos, e ainda João Pingarilho, as oligarquias e colo macio do MDB.
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