Vereador tem 4 e não 2 parentes na prefeitura; família retira R$ 35,8 mil por mês do erário de Santarém

Publicado em por em Pará, Política, Santarém

Vereador tem 4 e não 2 familiares na prefeitura; família retira R$ 35,8 mil por mês do erário de Santarém
Mano Dadai, do PSB: três irmãos e um filho da Prefeitura de Santarém. Foto: reprodução

A tinta da matéria publicada nesta quarta-feira (13) mal secou. Em menos de 24 horas, a apuração do JC revelou que o caso do vereador Mano Dadai (PSB) é ainda maior do que o divulgado na reportagem: o parlamentar não tem apenas 2 familiares na folha de pagamento da Prefeitura de Santarém — tem 4.

Dois irmãos, além do filho e do irmão já identificados ontem, estão lotados em secretarias municipais distintas, com admissões em janeiro de 2025, recebendo salários mensais dos cofres públicos.

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Somados os rendimentos dos quatro parentes ao subsídio do próprio vereador na Câmara, a família de Mano Dadai concentra R$ 35.881,95 por mês em rendimentos provenientes do erário público de Santarém.

É o maior orçamento familiar identificado pela série até agora — e envolve um parlamentar que já foi condenado, exatamente pelo mesmo tipo de prática, na operação Perfuga de 2009.

Dois novos casos

A reportagem publicada ontem pelo JC identificou o filho Yanglesson da Mota Mattos (Sempta, R$ 2.800,00) e o irmão Yonyer Kennedy Santos Matos (Sempta, R$ 3.500,00). A nova apuração acrescenta:

  • Maria Manasses Santos Matos, irmã do vereador, foi admitida em 8 de janeiro de 2025 como assessora especial I na Secretaria Municipal de Governo (Semg). Recebe R$ 5 mil mensais. Trata-se do mesmo cargo e da mesma secretaria onde já foram identificados, nesta série, familiares da vereadora Ivanira Figueira (PSD) e a esposa do vereador Alaércio Cardoso (PSD) — esta última já exonerada após reportagem do JC.
  • Yandryerley Jaks Santos Matos, outro irmão do vereador, está lotado no Setor de Transporte da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), onde exerce a função de motorista. Seu salário mensal é de R$ 4.781,95. A Semsa, controlada pelo PT, já havia aparecido em três reportagens anteriores desta série — com familiares do secretário Pedro Henrique Sousa (PRD), do vereador Sérgio Pereira (PP) e da vereadora Bárbara Matos (PP).

A conta completa da família

O orçamento familiar de Mano Dadai junto ao erário municipal de Santarém é o seguinte:

O filho Yanglesson, na Sempta, recebe R$ 2.800,00. O irmão Yonyer, também na Sempta, recebe R$ 3.500,00. A irmã Maria Manasses, na Semg, recebe R$ 5.000,00. O irmão Yandryerley, na Semsa, recebe R$ 4.781,95. O próprio vereador embolsa R$ 19.800,00 de subsídio pela Câmara.

Total: R$ 35.881,95 mensais — integralmente custeados pelo contribuinte santareno.

São quatro secretarias, quatro familiares, quatro cargos distintos — e um único denominador: o vereador Mano Dadai.

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Quatro secretarias, quatro partidos

O mapa das lotações revela outro dado relevante: os quatro familiares estão distribuídos em secretarias controladas por diferentes partidos dentro da coalizão de Zé Maria. A Sempta e a Semg estão sob gestão de aliados do MDB. A Semsa é controlada pelo PT.

A capilaridade das nomeações atravessa legendas — o que, em tese, sugere um arranjo articulado de distribuição de cargos que beneficia simultaneamente o vereador e os partidos que o acolhem na base.

Antecedente que não pode ser ignorado

Como revelado pelo JC na reportagem de ontem, Mano Dadai tem histórico judicial diretamente relacionado ao tema. Na operação Perfuga de 2009, ele e a esposa foram alvo de processo criminal envolvendo uso irregular de cargo público em benefício de familiar. O caso tramitou, em 2ª instância, na 3ª Turma de Direito Penal do TJPA (Tribunal de Justiça do Pará).

Vereador e esposa firmaram acordo de não persecução penal — encerrando o processo, mas não apagando o registro.

Agora, na gestão Zé Maria (MDB), o mesmo parlamentar aparece no centro de um esquema ainda mais amplo: não um, não dois — quatro familiares em quatro secretarias. A reincidência, neste caso, não é inferência jornalística. É dado.

Tabela – Família Mano Dadai e o erário de Santarém
Portal JC · Série Nepotismo em Santarém

Quanto a família do vereador Mano Dadai retira do erário municipal

Quatro familiares em quatro secretarias distintas da Prefeitura de Santarém (PA)

Familiar Relação Secretaria Cargo / Setor Salário
Yanglesson da Mota Mattos Filho Sempta Seção de Projetos R$ 2.800,00
Yonyer Kennedy Santos Matos Irmão Sempta Div. Fiscalização Portuária R$ 3.500,00
Maria Manasses Santos Matos Irmã Semg Assessora Especial I R$ 5.000,00
Yandryerley Jaks Santos Matos Irmão Semsa Motorista / Transp. R$ 4.781,95
Subtotal — familiares na Prefeitura R$ 16.081,95
Mano Dadai Ele mesmo Câmara Municipal Vereador — PSB R$ 19.800,00
Total mensal da família junto ao erário de Santarém R$ 35.881,95

O que diz a lei

A Súmula Vinculante 13 do STF (Supremo Tribunal Federal) proíbe a nomeação de parentes até o terceiro grau de agentes públicos detentores de mandato eletivo para cargos em comissão no mesmo ente federativo.

Filho é primeiro grau em linha reta. Irmão é segundo grau em linha colateral. Ambos estão expressamente abrangidos pela vedação. Todos os cargos identificados são comissionados — de livre nomeação, sem concurso público.

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Série e seus desdobramentos

Esta é a mais reportagem da série sobre nepotismo. Desde a semana passada, o JC documentou casos envolvendo secretários e vereadores de pelo menos 5 partidos, em 6 secretarias municipais diferentes.

O único desfecho concreto até agora foi a exoneração da esposa do vereador Alaércio Cardoso (PSD), oficializada pelo prefeito Zé Maria por meio do Decreto nº 446/2026, de 12 de maio — com efeitos retroativos a 4 de maio.

Os demais envolvidos não adotaram medidas equivalentes. A série continua.

Contraditório

O JC entrou em contato com o gabinete do vereador Mano Dadai (PSB) para colher sua manifestação sobre os casos de nepotismo. O parlamentar optou pelo silêncio. Se ele mudar de ideia, a sua resposta será publicada na íntegra assim que recebida, sem edição.

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4 Responses to Vereador tem 4 e não 2 parentes na prefeitura; família retira R$ 35,8 mil por mês do erário de Santarém

  • Bondoso Jeso Carneiro!!! Prática que vem se acumulando há vários anos nas administrações públicas de Nossa cidade. O medo, receio, de não se expor acarreta a omissão de muitos em divulgar esse tipo de denúncia. Teu jornalismo é digno, corajoso, verdadeiro, diferente de outros pseudos jornalistas, você tem meu respeito. Quanto a esta situação de nepotismo o Ministério público deveria investigar(que é seu papel). Bárbara Matos e Alaercio Cardoso são reincidente nesta prática pois, foram condenados na perfuga a devolver aos cofres públicos dinheiro que a hoje vereadora Bárbara recebia e não trabalhava quando estava “lotada” no gabinete do vereador Alaercio Cardoso. Então, esta prática tem que acabar, os eleitores tem que ter esses esclarecimentos assim, expurgam os políticos viciados e aproveitadores. Para que isso aconteça; o Ministério Público e o Tribunal de contas do Município órgãos fiscalizadores, tem que estar vigilantes, sair dos gabinetes frios, empoeirados e trabalharem em prol de uma política decente e comprometida com bem comum.

  • Bondoso Jeso Carneiro!!! Prática que vem se acumulando há vários anos nas administrações públicas de Nossa cidade. O medo, receio, de não se expor acarreta esse tipo de denúncia. Teu jornalismo é digno, corajoso, verdadeiro, diferente de outros pseudos jornalistas, você tem meu respeito. Quanto a esta situação de nepotismo o Ministério público deveria investigar(que é seu papel). Bárbara Matos e Alaercio Cardoso são reincidente nesta prática pois, foram condenados na perfuga a devolver aos cofres públicos dinheiro que a hoje vereadora Bárbara recebia e não trabalhava quando estava “lotada” no gabinete do vereador Alaercio Cardoso. Então, esta prática tem que acabar, os eleitores tem que ter esses esclarecimentos assim, expurgam os políticos viciados e aproveitadores. Para que isso aconteça o Ministério Público e Tribunal de contas do Município órgãos fiscalizadores tem que estar vigilantes, sair dos gabinetes frios e empoeirados e trabalharem em prol de uma política decente e comprometida com bem comum.

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