Crítica não é ofensa: JK do Povão pode chamar Nélio de “caloteiro”, decide TJ do Pará

Publicado em por em Justiça, Pará, Política

Crítica não é ofensa: JK do Povão pode chamar Nélio de caloteiro, decide TJ do Pará
Nélio e JK: nova embate em 2026 por vaga na Alepa. Foto: arquivo JC

Em uma decisão de segunda instância, a 3ª Turma de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) impôs uma nova derrota jurídica ao ex-prefeito de Santarém Nélio Aguiar (União Brasil). À unanimidade, os desembargadores mantiveram a sentença de primeiro grau que considerou legítimas as críticas feitas pelo ex-vereador JK do Povão (PL).

O embate, que agora ganha novos contornos com ambos disputando cadeiras na Alepa (Assembleia Legislativa do Pará) em 2026, reafirma que gestores públicos devem suportar críticas severas sobre sua administração.

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Segunda instância ratifica: crítica não é ofensa

Ao analisar o recurso de Nélio Aguiar, o TJ paraense confirmou o entendimento da Justiça de Santarém: a liberdade de expressão de um parlamentar e cidadão prevalece sobre o desejo de proteção à imagem de um governante quando o assunto é de interesse público.

O ex-prefeito tentava reverter a decisão que negou indenização por danos morais após ser chamado de “caloteiro” em um vídeo sobre o atraso no pagamento de médicos. No entanto, os magistrados do TJ foram enfáticos ao decidir que:

  • Decisão de 1º Grau mantida: A sentença inicial, que já havia apontado a ausência de crime ou ofensa pessoal, foi considerada correta e amparada na Constituição.
  • Fatos eram verídicos: A Justiça ressaltou que a acusação de “calote” tinha fundamento na realidade, citando ações judiciais reais movidas por médicos contra a prefeitura para cobrar dívidas.
  • Pessoas públicas têm menos proteção: Políticos e gestores, por gerirem dinheiro do povo, estão sujeitos a um “escrutínio mais rigoroso” e devem tolerar cobranças, mesmo que feitas em tom ácido ou irônico.
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Conta salgada

Além de perder a ação em duas instâncias, Nélio Aguiar viu o prejuízo financeiro aumentar. Como punição pela derrota no recurso de segunda instância, o TJ aumentou o valor que ele deve pagar aos advogados de JK do Povão, majorando a quantia para R$ 3 mil.

A decisão serve como um balde de água fria em tentativas de usar a Justiça para silenciar adversários políticos, especialmente em ano eleitoral.

Para os desembargadores, o debate sobre a condução da coisa pública é ferramenta essencial da democracia e não pode ser travado por censura judicial.

A defesa de JK do Povão foi feita pelo advogado Jose Edibal Carvalho Cabral.

“A decisão recorrida preservou o direito à liberdade de informação e manifestação do pensamento, não havendo demonstração de que as críticas extrapolaram os limites aceitáveis para o debate público envolvendo um gestor.”

Trecho do Acórdão | TJPA (2ª Instância)

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2 Responses to Crítica não é ofensa: JK do Povão pode chamar Nélio de “caloteiro”, decide TJ do Pará

  • Cara, seu candidato tem tudo para se eleger, porém, não com o meu voto. Mas me impressiona a campanha que você faz pra ele…

    1. Onde viste eu pedindo voto pra alguém? Tu tá muito equivocado. Eu te incomodo por noticiar um fato julgado em primeira e segunda instância pela Justiça?

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