
A política paraense ganhou um capítulo à parte. Com a mobilização dos partidos políticos para realizarem as convenções partidárias, passou a ganhar destaque nas redes sociais o nome e grupo/segmento que indicaria o vice da atual governadora, Hana Ghassan, pré-candidata à reeleição pelo MDB.
O PT (Partido dos Trabalhadores) lançou uma nota afirmando que teria aprovado, internamente, pelo diretório estadual, o nome do deputado estadual Dirceu Ten Caten para ser o indicado partido a candidato a vice na governadoria.
O anuncio gerou descontentamento de grupos ligados a segmento evangélico e ao agronegócio.
O seguimento evangélico, liderado pela Convenção de Igrejas e Ministros da Assembleia de Deus no Estado do Pará (Comieadepa) convocou reunião, na sua sede em Belém, para discutir o noticiado pelo PT. A reunião resultou num consenso entre as lideranças evangélicas, pela indicação do nome do também deputado estadual Josué Paiva (filiado no Avante), que é também pastor evangélico da Assembleia de Deus, para ser o nome defendido pelo segmento evangélico para concorrer ao cargo de vice-governador na chapa que tem Hana Ghassan na cabeça.
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Assim como fez o PT, laçando nota oficial, o partido Avante também lançou nota oficial defendendo o nome do deputado estadual Josué Paiva.
O que deve ficar claro aqui é que dentro de um processo democrático, toda essa mobilização dos diferentes grupos é perfeitamente válida e legitima, visto que, se estar diante de grupos com percepções políticas antagônicas e a ocupação por espaço no poder sempre se dará por embates.
A Constituição Federal de 1988 incentiva a prática do ‘PLURALISMO POLÍTICO’ que inclusive o coloca como um dos fundamentos do Estado, artigo 1º, inciso V: “1º. A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: V- o pluralismo político”.
Num outro giro, é importante também salientar que, em resumo geral, é cabível afirmar, que com Maquiavel ficou evidente a ideia de que o poder não se ganha de presente. É conquistado, mantido por decisões com estratégias e nunca doada por bondade alheia.
No entanto, diante desse emaranhado de manifestações legitimas da democracia, aparece uma fala à parte que merece análises devido o tom debochado, irônico e com desprezo ao segmento evangélico que segue numa direção contrária aquilo que o próprio PT e o presidente Lula vem defendendo.
Em vídeo que passou a circular na rede social, o ex-deputado Zé Geraldo postou um vídeo com afirmações polêmicas e na contramão daquilo que é o processo democrático[1].
Zé Geraldo começa dizendo “quem é Josué Paiva na fila do pão” e em seguida profere, em tom debochado e com desprezo ao segmento que indicou o nome de Josué Paiva, ataques que seguem na contramão do que se tem vislumbrado pelo seu partido no âmbito nacional, inclusive pelo próprio presidente Lula.
O PT tem criado diversas frentes objetivando se aproximar dos seguimentos evangélicos. Fez isso: na eleição de Lula em 2022, com a carta aberta aos evangélicos; com promulgação das leis que reconhecem a Liberdade Religiosa (Lei 10.825/2003) e o recente Decreto 12.795/2025, que reconhece a cultura gospel como manifestação cultural nacional.
E mais: a primeira-dama Janja intensificou a aproximação com o eleitorado evangélico por meio de viagens pelo país, reuniões com mulheres em periferias e participação em eventos políticos do setor; Lula indicou para o STF o evangélico Jorge Messias, entre outras.
No estado do Pará, essa aproximação do atual governo é evidente, podendo ser constatada com o evento que acontece por todo Pará “VEM LOUVAR PARÁ” que foca na cultura gospel.
Como liderança do PT estadual, Zé Geraldo, no mínimo, foi infeliz em seu vídeo. Essa sua postura, representa uma liderança que parou no tempo e deixou de acompanhar a própria dinâmica política nacional e inclusive de seu próprio partido.
Os dados do IBGE/2022 apontam que 35,27% da população paraense é evangélica. Criar uma tensão com esse segmento representa que o ex-deputado deixou de acompanhar a estruturação social e cultural paraense.
Ao atacar isoladamente um deputado estadual, que assim como Dirceu Ten Caten, teve seu nome defendido pelo seu segmento, representa seu completo desrespeito com a decisão de um setor que, democraticamente, tem todo direito de manifestar seus interesses diante do jogo político.
Zé Geraldo ainda dar a entender que Josué Paiva estaria usando o segmento evangélico para se promover. Então seria correto afirmar que Dirceu Ten Caten estaria usando o PT para se promover?
Os argumentos de Zé Geraldo são frágeis e sem qualquer correlação as verdades fáticas!
Enquanto o PT tem trabalhado objetivando aproximação com o segmento evangélico, nas falas de Zé Geraldo se percebe que ele está apostando no embate, no confronto, com uma evidente postura de criar “muralhas” entre o PT e o segmento evangélico, quanto que, na verdade, é o inverso que a diretriz nacional tem trabalhado, inclusive o próprio presidente Lula.
Lideranças politicas com esse olhar não podem mais falar em nome de segmentos progressistas que tem por pauta a pacificação social e o respeito pela diferença. A própria insistência do ex-deputado em querer concorrer ao pleito eleitoral evidencia que não tem construído ou apostado em NOVAS lideranças.
Em resumo, na fila do pão o deputado Josué Paiva estaria a representar um segmento político antagônico a outro, legitimamente democrático e incentivado pela Constituição Federal. Entretanto, na fila do pão, Zé Geraldo estaria sozinho, representando uma visão distorcida e na contramão do que defende, atualmente, o próprio PT e o presidente Lula.
[1] https://www.instagram.com/reel/DbbIi1SRpVA/

∎ Joniel Vieira de Abreu é pastor evangélico filiado a Assembleia de Deus. Membro da Comieadepa e CGADB. Advogado, doutor em Direito pela UNESA-RJ. Mestre em Educação pela UFPA, especialista em Direito pela UFPA. Especialista em Ciências Sociais pela UFPA. Bacharel em Direito e bacharel em Teologia. Membro Pesquisador dos Grupos: NUPECC/UFPA; CODIDEM/UNESA e GEAM/UFPA. E-mail: jonielabreu@hotmail.com
∎ Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião do JC. A publicação deles obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros, prioritariamente, e de refletir as diversas tendências do pensamentos contemporâneo.
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