por Tiberio Alloggio (*)
Ninguém pode duvidar da força da comunicação, principalmente do poder de fogo da publicidade e de sua capacidade inusitada de nos convencer, conscientizar e de nos moldar a sua imagem e semelhança. É uma força tão poderosa que conseguiu nos fazer acreditar que a publicidade possui poderes sobrenaturais.
Foi por meio da televisão que a publicidade ascendeu ao patamar mais alto – a de “entidade espiritual” – de onde ministra seus cultos sobre padrões de beleza e sucesso, doutrinando incessantemente as pessoas de que o bom comportamento se dá apenas consumindo “aqueles produtos”.
Com isso, acabamos por acreditar na religião publicitária, cujo primeiro mandamento dita que a comunicação serve principalmente para impor determinados produtos.
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Mas a comunicação deveria servir para comunicar, e não para dizer como devemos consumir a vida. Deveria ser o instrumento primário para viver a vida com qualidade.
O ato de acreditar que a comunicação é uma servidora do consumo, serviu para impor a mais fashion de todas as mentiras: “você só é respeitado pelo que consome, senão você não vale absolutamente nada”.
Mas se pararmos só um minuto para pensar, descobriremos que no fundo, a publicidade, só serve para vender produtos, cuja maioria deles não são nem bonitos nem tão bons assim.
Para induzir ao consumo, a publicidade vende sonhos falsos. Diz que Camila Pitanga usa aquele creme (uma mentira) e repete para as mulheres, que usando o mesmo creme, ficarão tão belas quanto Camila Pitanga. Nada de mais falso.
É dessa forma que as pessoas compram os produtos sem nenhuma informação real sobre eles, achando que com eles obterão sucesso. Mas na realidade o consumo não traz sucesso algum, muito pelo contrario, nos aprisoa ao mundo hipócrita e mentiroso da publicidade.
O sistema publicitário é uma grande monocultura onde tudo é igual, o conteúdo, a linguagem, as fotografias e até os posicionamentos são os mesmo. As diferenças entre uma marca e outra são insignificantes. Só mudam os modelos.
Gastam-se bilhões de dólares ao ano para publicizar automóveis. São quilômetros de outdoors, milhares de páginas de jornais, inúmeras horas de publicidade na televisão. Mas não há (no mundo) uma indústria de automóveis que diga que o carro é perigoso e que mata milhares de pessoas. É inacreditável.
Na televisão, que no fundo, é apenas um eletrodoméstico, à toda hora passam imagens virtuais, que alguém montou e editou para nós. Nelas, a realidade vira irrealidade e a imagem acaba ficando mais real do que a própria realidade, tornando a realidade apenas uma imagem. Mas todos repetimos:: “É verdade, passou na TV”.
O que assistimos na TV torna-se verdade. Trancados em nossas casas, olhando a mesma coisa, acreditamos de estar assistindo à verdade, nenhuma outra ditadura na história humana tem tido o poder desse eletrodoméstico.
Mas o problema não é a televisão, porque ela permanecerá. O problema é o que passa nela. Todos olhamos a mesma coisa, mas nunca colocamos em discussão seu conteúdo. Só repetimos: “É verdade, passou na TV”.
Mas o mundo real não tem nada a ver com o entretenimento televisivo e o sonho de felicidade vendido pelos publicitários, o que levanta a suspeita de que os publicitários não sejam criaturas desse mundo, pois eles, primeiros, sabem que a publicidade mente.
Seriam então os publicitários pessoas limitadas? Os publicitários não são burros. São pessoas inteligentes e criativas, que colaboram com o sistema. E sua forma peculiar de apoiar o sistema é vender sonhos falsos. Eles sabem disso, ganham muito com isso, e não pretendem mudar o sistema.
Na publicidade, junto aos produtos, se vende um sistema social. Aliás, não só se vende, como também se produz um sistema social.
É um sistema poderoso, que manipula grandes interesses, e que ensina aos seus clientes que a publicidade se faz somente com essas regras.
Mas, quem prescreve essas regras?
Elas se criam na própria publicidade, é uma máfia que faz o sistema, uma verdadeira máfia mundial.
Aqui fica uma pergunta para nos refletirmos: Será que um dia haverá um meio mais criativo e menos imbecil de consumir? Uma maneira menos banal de se impingir os produtos?
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* Sociólogo, mora em Santarém. Escreve regularmente neste blog.
Cara Alexandra
Adorno foi critico severo do que ele mesmo definiu de “industria cultural”. E lutou contra a “redução” das pessoas em meros “consumidores” dos produtos induzidos por tal “industria”.
Foi com o advento do cinema e da “industria cinematográfica” que uma historia poderia ser contada através das “imagens”, reduzindo consequentemente o seu conteúdo. Na época de Adorno era através do cinema que se fazia essencialmente “moda” e “cultura”. Era através da magia dos filmes que se “induzia” um modo de ser.
Mas não só através do cinema. A literatura, a pintura, a música inclusive o rock, haviam se tornado “industria cultural”.
Na época de Adorno, a TV ainda não havia tomado os espaços que acabou tomando, inclusive tomando o espaço do cinema.
A propaganda não nasceu para criar o consumo, ela surgiu para informar sobre os produtos à venda. Mas hoje, a publicidade no se limita apenas a vender, ou a dar sugestões, se você preferir.
A publicidade, como empresa, também fabrica produtos, e como também produz a comunicação. Qualquer empresa tem grandes orçamentos de comunicação,
A publicidade parou de informar sobre os produtos, só vende sonhos. Com seus carrões mágicos, suas bebidas maravilhosas, seus homens bonitos e suas belas mulheres.
Não é por isso que não considero importante a comunicação publicitária. Acho que deveríamos produzir e consumir sim, mas não nesses termos, pois a mensagem publicitária é falsa, o consumo não leva ao sucesso e tampouco os produtos.
Tiberio Alloggio
T. Adorno (que o articulista deve conhecer melhor que eu) já dizia nos anos 20 do século passado que os ídolos do cinema é que “ditavam” as modas. A publicidade é apenas sugestão. Não molda a cabeça de ninguém. Essa ideia de manipulação da realidade, de estilos de vida e de pensamento só se encaixa nas ditaduras.
Armando da SS, você é muito precipitado, julga as pessoas com pouquíssimos elementos. Não sou PeTista, e nada disse sobre Hugo Chaves, alias sobre este assunto você precisa estudar muito, a Venezuela tem a melhor infra-estrutura da América Latina, realmente o péssimo planejamento a longo prazo a levou a uma recente e irônica crise energética. Se você estudasse mais saberia que o parque energético de um país é resultado de políticas públicas de longo e médio prazo, portanto a crise é culpa sim do atual governo, mais com responsabilidade dobrada dos anteriores.
Sobre a mídia reitero tudo o que eu disse, numa das cidades que morei (mais de 1 milhão de habitantes) os dois maiores meios de comunicação são do mesmo dono, um político, se você acha isso saudável, realmente merece ser leitor da Veja e eleitor do SERRA.
José Wilson , só uma pergunta !
A quanto tempo o seu Hugo Chaves está a frente da Venezuela ?
A solução para mídia seria o quê então ? a socialização ? a estatização ?
Se voce acha ruim imagine se a midia estivesse sob a tutela do governo ? regimes politicos saudaveis precisam de impressa livre , seja ela de quem for , mas livre da interveção estatal , quem se sentir prejudicado procure a Justiça .
Você fala de maneira desinteressada mas no fundo deve ser alguem influenciado pela literatura de esquerda .
SS acabei de comentar sobre sua precipitação e você já está cometendo o mesmo erro de novo!!! Você se relaciona com as pessoas como se elas tivessem lhe dito algo que na verdade não disseram
Meu Hugo Chaves???? de onde tirou essa idéia. Ele tomou posse em fevereiro de 1999 (informação coletada no google). Da onde você tirou a idéia de que eu acho que deveríamos estatizar a mídia??? Se você reler os posts com cautela verá que não é essa minha proposta. Pra você quem não coaduna com as idéias ultrapassadas da Direita Feudal Brasileira é subversivo de esquerda e simpatizante das FARCs, MST, Hugo Chaves, Cuba, China, Corea do Norte, Al Qaeda…. Sugiro que você procure ajuda, pois anda vendo fantasmas.
Além de ditar o ritmo do mercado, à mídia tem dono, e esses costumam ser investidores de outros setores que vão além da publicidade, usando a poderosa maquina que está em suas mãos para viabilizar essas outras atividades. Ex. metade das redes de radio e televisões estão na mão de políticos espalhados pelo Brasil, que as usam para se perpetuar no poder, grandes grupos de comunicação também são envolvidos com o agro negócio, e usam a mídia para criminalizar movimentos sociais ligados a luta pelo acesso a terra e por ai vai. Para diminuir o processo de alienação coletiva ao qual estamos sendo submetidos os donos de meio de comunicação não poderiam ter vida política e nem outros ramos de negócios.
KKKK … é por esse discurso que o teu PT quer a socialização da midia ….. nada mais é que o controle do estado do que é veinculado na midia .
Vai pra Venezuela passar fome e sofrer com racionamentos e eletrecidade José .
Excelente texto!!!
Um exemplo especifico disso é a sua candidata a presidente. Uma candidatura criada em laboratório pra enfiar goela abaixo do povo brasileiro…
Falo tudo epaminondas !
Candidata fantoche .