por Tiberio Alloggio (*)
A existência da espécie humana no planeta terra é garantida pelos recursos naturais. É com a domesticação e manipulação desses recursos que nos mantemos vivos.
Desde a pré-historia, “guerras”, “conquistas” e “impérios” justificaram-se com a necessidade de garantir o domínio sobre as fontes que garantem a vida e a prosperidade de uma sociedade.
Independentemente do gatilho “ideológico” e/ou “politico” que as deflagram, as guerras têm como objetivo básico a “conquista” dos recursos “dos outros”. O Iraque e o Afeganistão não fogem dessa regra básica, o pretexto foi a guerra ao terror, mas o objetivo estratégico é a manutenção da supremacia das sociedades mais ricas sobre as fontes energéticas.
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Em tempos de escassez, como os atuais, os riscos de conflitos para o controle dos recursos naturais tendem a crescer exponencialmente, podendo determinar a evolução ou a involução do mundo como hoje o conhecemos.
A água é a condição essencial para o ciclo da vida se perpetuar. É um recurso que sempre foi abundante no planeta, mas que hoje, com uma população humana acima dos seis bilhões de habitantes, tornou-se um recurso escasso, e por isso, muito valioso.
Muitas nações têm como divisas territoriais rios e lagos, que na maioria dos casos representam também seus principais recursos hídricos. Apesar dos tratados entre nações para um uso justo e compartilhado dessas águas, o controle sobre elas é um potencial fator de conflitos.
Israel domina a região controlando as águas do lago de Tiberíades e as nascentes do rio Jordão. Enquanto as bacias dos rios Tigres e Eufrates são objeto de tensão entre Turquia, Iraque e Síria. Isso para citar os casos mais conhecidos.
Para piorar, a água entrou na roda das leis absurdas da economia de mercado, principalmente na Europa e nos EUA, onde a sua privatização, transformou um bem universal em um negócio com valor de mercado de alguns trilhões de dólares, superior até ao do petróleo.
Estima-se que em 2025 já seremos oito bilhões de pessoas na terra, todos precisando de água. E se o aquecimento global confirmar um aumento da temperatura de 2 graus, o atual volume de recursos hídricos cairá ainda mais. Onde será encontrada a água necessária para satisfazer as necessidades de toda essa população?
Muito se fala sobre as perdas nas grandes redes de distribuição, que em alguns casos chegam ao 40% de toda a água distribuída, mas o problema maior reside no desperdício da água na agricultura. Entre 70 e 80% de toda a água utilizada é usada na agricultura. 15% vai para as atividades industriais e só o restante é usado para o uso civil.
Em um mundo cada vez mais populoso, torna-se necessária uma revolução do uso da água para produzir alimentos. Os sistemas agrícolas atuais requerem a implantação urgente de novas tecnologias de irrigação, que forneçam quantidades precisas de água as plantações, evitando a lavagem do solo, a perca de nutrientes.
Uma reconversão “inteligente” do uso da água, incluindo a reciclagem da água potável para usos agrícolas, além de conter o desperdício poderá proporcionar um aumento de até 50% da produção de alimentos. Mas mesmo com todas essas medidas de “racionalização” a água doce não dará conta de saciar a sede da humanidade, e provavelmente se deverá pensar em processos de dessalinação das águas marinas.
O equilíbrio e o nosso futuro no planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Em principio uma obrigação de toda a humanidade.
Mas na hora da sede bater na porta, o “principio universal” irá valer ou, mais uma vez, se confirmará a lei do mais forte?
Hoje, o poderio militar dos EUA voltou a rondar a América do Sul. Seu presidente, prêmio nobel pela paz Obama, ao receber o título, pavoneou-se de comandar “o mais poderoso exército da história do mundo”.
Em tempos de endividamento e de crise doiImpério norte-americano, a aparição do Brasil e de outras nações no cenário global já está sendo advertida como um perigo para sua posição de dominação global.
E o Brasil, além do pré-sal, possui a maior bacia hidrográfica do mundo. Por isso, todo o cuidado é pouco.
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* Sociólogo, reside em Santarém. Escreve regularmente neste blog.
Deve-se ter cuidado com os chineses e não com americanos, a população chinesa é umas 7 vezes maior que a americana, ou seja, mais gente para comer, beber e dirigir carros. Como citou o Anderson eles vão precisar de recursos para se mover e quando isso acontecer vai ter muita gente com saudades do tempo em que o Estados Unidos era o manda chuva global.
Quero ver qual será o discurso da turmalhada da esquerda para justificar as futuras guerras do império Chinês quando este for a superpotência hegemônica mundial e for atrás dos mesmo recursos naturais que hoje movem o EUA.