Da leitora Lilian Bouillet, pelo contato do blog:
Boa tarde Jeso,
Lamentamos profundamente que seu blog autorizou a publicação de dois comentários infelizes abaixo da nota de falecimento do nosso pai, lamentamos duas vezes: a falta de respeito desse “anônimo” sem rosto de não respeitar a dor da família e a postura do seu blog, que também não respeitou nossa dor liberando tais comentários no local totalmente inoportuno.
Não estou afirmando que meu pai era santo, muito menos [estou] o defendendo, mas agora infelizmente ele está morto e não pode mais se defender.
— ARTIGOS RELACIONADOS
Todo mundo é livre e graças a Deus temos o direito pra falar o que quisermos, mas tudo tem limite e tudo tem a hora certa. Eu e meus irmãos enterramos o Leon pai, não o Leon político, e infelizmente nossa dor de filhos não foi respeitada.
Lilian Bouillet – filha de Leon Bouillet
– – – – – – – – – – – – – – – – — – – – – – –
Nota do blog:
Lilian, dimensiono perfeitamente a tua dor e de teus familiares. A propósito do teu comentário, destaco três aspectos: 1º) As críticas dos anônimos feitas ao seu pai foram para o Leon Bouillet ex-prefeito de Aveiro, homem público, pois; 2º) Todas essas críticas diz respeito ao modus operandi da gestão do Leon Bouillet. Não há, portanto, nenhum ataque pessoal, nenhuma acusação gratuita; 3º) O blog talvez tenha errado, e por isso se penitencia, em liberar os comentários para o post sobre a morte do seu pai. Soou, como você frisou, inadequado. Nisso você toda razão. Por isso, as desculpas públicas do blog.
Leon foi meu contemporâneo no Seminário Franciscano de Ipuarana em Campina Grande na Paraíba, nos idos dos anos 50, por isso posso dizer que privei de sua amizade por mais de 50 anos. Cinqüenta anos é tempo suficiente para uma pessoa dizer de outra se o conheceu ou não e se valeu ou não a pena todos esses anos de relacionamento como verdadeiros irmãos.
Quando Fordlândia surgia nas ribeiras do Tapajós, nos anos 30, os pais de Leon, Ricardo e Odete foram amigos de meus pais, Manoel Costa (Sinhô) e Juracy, filha de Alice e Pedro Correto, meus avós maternos. Eram jovens cheios de sonhos. Meu pai foi transferido para o projeto de Belterra e Ricardo e Odete ficaram em Fordlândia, mas os vínculos de amizade entre nossos pais nunca foram rompidos, pelo contrário, ficaram mais fortes.
Eu e meu irmão Florentino nascemos em Fordlândia, ele em 36 e eu em 37. Já me falha a memória, mas me parece que Leon também nasceu em 37, só que eu nasci a 09 de fevereiro e ele nasceu no dia 08 ou foi dia 09 do mesmo mês e ano.
Eu e Leon trabalhamos durante muitos anos na mesma empresa, ele como gerente da filial de M. J. Moraes & Cia. e Fordlândia e eu como procurador da empresa. Estávamos sempre juntos e foi nessa época, a pior fase da vida dos funcionários tanto de Fordlândia como de Belterra, já então empregados esquecidos do Ministério da Agricultura.
Em Fordlândia Leon gerenciou a empresa da maneira mais humana possível, sempre com a concordância do nosso presidente, Sr. Manoel de Jesus Moraes, com quem eu e Leon aprendemos a ser bons administradores e a primar pelos caminhos da honradez. Naqueles tempos quem fazia o pagamento da folha de Fordlândia, Daniel de Carvalho e Belterra era M. J. Moraes & Cia. O Sr. Moraes pagava do dinheiro da empresa e o Ministério fazia o reembolso, isso com atrazo considerável de mais de dois meses até. Leon tratava aquelas pessoas de maneira individualizada, respeitando cada um nas suas necessidades. Ele me mandava as receitas e pedidos específicos de cada um. Em Santarém corríamos contra o tempo para atender porque aquelas pessoas estavam abandonadas e desvalidas de tudo. Eu e Leon fizemos reuniões no 85 para formular correspondências que enviamos para a Presidência da República, já dentro da ditadura militar. Muitos tremiam de medo, nós não.
Leon era um jovem corajoso e firme nos seus propósitos, tinha o caráter formado numa escola de valores bons e cristãos e arrostava os desafios de cabeça erguida, sem medo.
Quando foi eleito prefeito de Aveiro e o foi pelas suas qualidades como administrador e pessoa humana de integridade indiscutivel, no seu discurso, na posse coletiva, aqui em Belém, em Palácio, proferiu o seu discurso, foi o único prefeito a discursar, foi ovacionado por todos os presentes e sua fala norteou a gestão de muitos outros prefeitos eleitos na mesma época.
Quando assumiu a prefeitura, teve que “começar do comecinho”, tudo precisava ser iniciado, as estruturas do Município de Aveiros eram embrionárias, mas Leon tinha sonhos de muito trabalho, e uma das primazias era tirar o Município da dependência fluvial abrindo estradas, mesmo que fossem carroçáveis. Pagou muito caro “pela ousadia” de ser corajoso, mas ligou Aveiro à Santarém Cuiabá.
Foi processado e ninguém o acompanhou para valer, em sua defesa. Sofreu ameaças, foi intimidado, caluniado e o pior, sentiu-se solitário porque foi abandonado, sentiu o gosto da angustia de ser traido.
À época estive em Brasília e fui em busca de notícias sobre a situação do meu Amigo Leon e lá consegui a promessa de que a situação seria reavaliada e olhada com especial atenção porque os militares do Oitavo Batalhão de Engenharia de Construção, “apesar da ilegalidade” da construção da estrada, “achavam que a estrada trazia benefícios para a cidade de AVEIROS”, mas meu amigo morreu e não viu uma retratação a respeito do assunto que o inocentasse do “crime” de trabalhar com afinco pelo povo que o elegeu por duas vezes.
Leon morreu e nunca conseguiu se aposentar, ou seja, morreu pobre, mas como ele dizia e digo eu também, “consigo dormir o sono dos inocentes, posso ser pobre, mas tudo que tenho ganhei honestamente”.
Era muito fácil se gostar do Leon, ele era uma pessoa amorável, sempre pronto para ajudar e sempre tinha uma palavra amiga para aliviar o sofrimento do outro.
Fui amigo dos seus amigos e conhecia seus amores e seus amores me conheciam, ele foi um patriarca dos tempos modernos. Ele conseguia tudo isso pela ternura com tratava a todos.
Certamente que hoje sentimos sua falta, porque sua presença se afastou de nós, mas a lembraça ficará, o tempo e só o tempo vai minorar a perda de uma pessoa tão amada, mas que o seu desprendimento seja exemplo para seus jovens filhos, seus netos e bisnetos e que a figura do Patriarca traga cada dia mais união entre os numerosos Boiullets e mais os outros Boiullets que virão.
Quando de uma nova eleição em Aveiro há pouco tempo, tive a oportuniade e o prazer de conversar longamente com Leon, pelo celular de um amigo comum e ele me falou que ainda não queria e não podia morrer porque tinha muita coisa a fazer. A pessoas boas têm sempre um plano com para preencher a vida. Leon ainda tinha plano e eu aos 75 estou cheio de sonhos e aos pouco vou concretizando alguns.
Leon, meu Ir:. por duas vezes, pelo coração e pela Ord:., descance em PAZ, NA PAZ QUE É FRUTO DA JUSTIÇA, A JUSTIÇA PELA QUAL VOCÊ TANTO LUTOU!
Meu querido tio Cícero, hoje, dia dos pais, estava com um vazio enorme no coração sentindo a falta de meu pai e para amenizar essa saudade, entrei na internet em busca das orações e mensagens que publicaram nos blog’s por ocasião de seu falecimento e tive a grata surpresa de encontrar sua pequena e simples descrição de quem foi LEON CORREA BOUILLET…… li e reli dezenas de vezes cada palavra que escreveu.. e posso ler outras tantas dezenas que encontrarei exatamente a figura viva e presente do MEU PAI….. e suas palavras só fez e faz aumentar mais e mais meu orgulho por ele… e esteja ele onde estiver.. com certeza ele está muito orgulho de tê-lo como irmão… pois você foi um dos poucos amigos Ir:. que esteve com ele até na sua morte….eu quero muito lhe reencontrar novamente para lhe dizer: muito obrigada por tudo que fez por ele… muito obrigada por ter sido o amigo e Ir:. fiel que ele tanto confiava… muito obrigada por essa pequena homenagem que fez a ele!!! e saiba que nós, filhos e netos honraremos sua memória… sua benção tio… e que Deus lhe abençoe sempre!!! Lilian Bouillet
Lilian, querida, certamente nos reencontraremos.
Quero deixar para você um pensamento que se funda com uma pergunta: Você já viu alguém, ou mesmo nós, principalmente nosso nosso tempo de meninice, jogar pedras e paus para derrubar frutos em uma árvore que não dá bons frutos?
Eu era bom de pontaria e derrubei muita manga, abiu, abacate, laranja, tangerina, pitomba, cajarana, carambola, mucajá, tucumã, tamarindo, goiaba e até em pororoqueira (lá na vila do Cauqú-êpa?) eu joguei pedra para derrubar pororoca.
Pois é, querida sobrinha, as pessoas, como as árvores produzem frutos, bons frutos ou frutos ruins e algumas, no caso das pessoas, muitas vezes não produzem fruto algum ou produzem apenas frutos ruins, estas são apedrejadas pela mídia porque são corruptas e as outras, as que produzem bons frutos? Bem… são apedrejadas justamente porque produzem frutos muito bons e assim se confirma o adágio: “Só as árvores que produzem bons frutos são apedrejadas!”. É sabedoria popular e é bíblico, o Divino Mestre e descendo na escala, Martin Lutter King, Nelson Mandela, Gandhi, José da Silva Xavier, Irmã Doroty, Zumbi dos Palmares e outros e mais outros pagaram com a vida a ousadia de produzirem bons frutos! Deus abençoe você e todos nosso queridos!
Meus pêsames à família enlutada e parabéns às partes envolvidas no incidente (divulgação dos cometários em momento inoportuno) pela sua amistosa resolução.
Afinal, aprendemos a todo momento nesta vida.
Acho que Cícero trabalhou com meu pai sr.Moraes. Gostaria de saber onde vc. anda.Shirley
Eu já havia entendido que as críticas foram feitas ao Leon Bouillet, ex-prefeito, homem público, por isso em momento algum eu falei que houve ataque pessoal. Falei que houve falta de respeito para com a minha dor e a a dor dos meus irmãos e demais familiares, pois a nota era de falecimento do SER HUMANO LEON CORREA BOUILLET, pai, esposo, avô, irmão, tio e cunhado.
Mas eu agradeço por terem compreendido que tais comentários foram em hora inoportuna, bem como o reconhecimento que erraram em libera-los a publicação.
Lilian Bouillet
Caro Jeso,
Poucos sabem que Gentileza gera Gentileza. Tanto a sua postura como a dela exprime esse preceito. E acrescento: o spirit of finesse é que devia nortear nossas posturas e atitudes como seres humanos, não achas?
Abraços.
Acho não, JB, tenho certeza. É esse espírito que deve/deveria pautar a nossa relação com o outro.