Bola pra frente

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por Orivaldo Fonseca (*)

É a mais pura verdade! Eu já fui um centroavante talentoso. Nas férias de julho de mil novecentos e não interessa, de segunda a sábado, eu tinha um compromisso com a bola das 14 às 18 horas na Escola Salesiana do Trabalho, em Belém. Destaco esse período porque foi nesse mês que eu fiz mais de cem gols. É mentira, Terta? Verdade!

O meu amigo Sérgio Palheta, irmão da minha parceira musical Déia Palheta, era o meu goleiro-vítima preferencial e foi nele que o meu centésimo gol aconteceu. Se eu, que bati, lembro; ele, que apanhou, deve lembrar também. É Mentira, Sérgio?

Mas isso não faz de mim um conhecedor de futebol. Meu envolvimento com o esporte resume-se hoje a torcer pelo Remo (o melhor do Pará) e pelo o Flamengo (o melhor do mundo). Se eu fosse escalar uma seleção para a Copa deste ano, ainda estariam lá Zico, Adílio e Adão (do Flamengo e da canção), o Gigante Alcino e os goleiros Dico e Édson Cimento (do Remo e que nunca foram para a Seleção).

Isso porque eu acho que não há como um grande atleta esquecer como se trata a bola. O corpo é que não acompanha mais o drible que já se processou no cérebro. E este romantismo faz de mim um péssimo técnico. Não entendo nada de esquema tático, não sei para que serve um auxiliar técnico e volante para mim é coisa de carro.

Mas quando eu vi Arnaldo Jabor, Jô Soares e Dan Stulbach (Quem? Aquele ator que é a cara do Tom Hanks.), que nunca tiveram uma bola de futebol nas mãos, muito menos nos pés, opinando a respeito da seleção de Dunga, eu, do alto das minhas centenas de gols, senti-me no direito de dar meu pitaco também. Não que os comentaristas aqui citados não tenham seu valor.

Jabor era cineasta, virou jornalista, voltou a ser cineasta e agora é qualquer coisa que a Globo mandar que ele seja. Jô Soares era humorista, virou entrevistador, tornou-se romancista e agora é tocador eventual de bongô. Dan Stulbach é ainda um excelente ator (muito antes de ser o raqueteiro que espancava a mulher numa novela de Manoel Carlos, quando as novelas deste ainda prestavam), tornou-se diretor e agora comenta o que lhe pedirem que comente, principalmente no Programa do Jô e no Altas Horas.

Então eu vou engrossar o coro desses três especialistas: DUNGA, VOCÊ É UM BURRO! Deixar de fora os garotos da Vila porque lhes falta experiência e abrir mão da experiência de Adriano, além de contraditório, parece ser coisa de gaúcho birrento que precisa mostrar autoridade. Em termos gerais, a seleção de Dunga é medíocre e careta. Talvez ele mande confeccionar máscaras com o rosto de Kaká para que todos as usem. Seria o paraíso dos sonhos de Galvão Bueno.

Sem nenhum bad boy, nenhum fenômeno, nenhum moleque artista, Robinho e Luís Fabiano terão de se virar para temperar a salada insossa que Dunga nos serve. Mas isso tudo são apenas divagações de alguém que jogava bola nos tempos dos calçados Kichute. Afora isso, meu comentário futebolístico confunde-se com o dos programas de humor, pois quando eu vi Ronaldo defendendo a ida de Roberto Carlos para a Copa, eu pensei: “tudo bem, desde que isso não comprometa sua parceria com Erasmo”, afinal, grosseria à parte, é melhor ter alguém em campo com uma perna mecânica do que diversos coma as duas de pau.

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* É poeta, paraense de Belém, controlador de voo e mora hoje em João Pessoa (PB).


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