
A euforia do mercado financeiro com o saldo do primeiro turno das eleições pode ter sido precipitada. De acordo com informações publicadas pelo jornalista Guilherme Amado, dois governadores recém-eleitos pela direita – o do Pará e o de Minas Gerais, ambos aliados de Flávio Bolsonaro, anunciaram diretrizes que contrariam princípios básicos defendidos pelo setor produtivo, como o respeito aos contratos e a garantia de segurança jurídica.
No Pará, o governador eleito Dr. Daniel Santos (Podemos), que obteve 51,36% dos votos, declarou que seu primeiro ato no Executivo estadual será quebrar o contrato de concessão dos serviços de água e esgoto.
O acordo foi firmado há pouco mais de um ano, e a empresa vencedora [Águas do Pará] já desembolsou cerca de R$ 3 bilhões, montante que engloba o pagamento pela outorga e os investimentos realizados em obras de infraestrutura.
Em Minas Gerais, o cenário de intervenção se repete. Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito com 55,4% dos votos válidos, solicitou a suspensão do reajuste inflacionário já previsto no contrato de uma concessionária que administra rodovias no estado. O pedido foi rapidamente acatado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG).
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As iniciativas dos dois novos gestores estaduais expõem uma contradição interna no discurso econômico da direita.
Na prática, as medidas tendem a gerar ruídos e criar obstáculos para a aproximação de Flávio Bolsonaro com o mercado financeiro, justamente em um momento crucial em que o candidato busca atrair e consolidar o apoio do setor produtivo para a Presidência da República.
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As moscas votaram a favor do inseticida.
Respeitar contratos também é exigir que a Águas do Pará cumpra suas obrigações. O alerta do mercado precisa considerar a população que continua sofrendo com a falta d’água.
A preocupação com a credibilidade das instituições também deve alcançar a nomeação da esposa de Helder Barbalho ao TCE, questionada judicialmente por nepotismo.
Quem paga a conta também tem que receber água.