
Conhecido por capturar cores, essência e as paisagens ribeirinhas de Santarém (PA), o servidor público federal e fotógrafo Nilson Vieira foi entrevistado pela TV JC.
Durante o bate-papo, conduzida pelo jornalista Jeso Carneiro, Nilson refletiu sobre sua relação com a fotografia, o valor afetivo de suas imagens da Amazônia e como o ato de fotografar se tornou um refúgio para as tensões do dia a dia.
“Amador apaixonado”
Apesar do olhar arguto que o destaca nas redes sociais, Nilson recusa o rótulo de profissional. Ele relembrou que começou a fotografar ainda na década de 1980, enfrentando as dificuldades da era analógica, como o alto custo de equipamentos e filmes em rolo.
“Eu costumo dizer que eu não sou um fotógrafo. Parodiando a canção do Tom Jobim, eu diria que eu sou apenas um pobre amador apaixonado por fotografia”, afirmou. Com o advento das ferramentas digitais, ele conta que a prática ficou mais fácil, revelando que hoje utiliza com muito mais frequência o celular do que a câmera fotográfica em suas andanças.
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Caminhante assíduo da orla de Santarém, Nilson tem no rio Tapajós e na vida urbana ribeirinha a sua maior vitrine. Ele prefere realizar os cliques no fim da tarde, hábito que fez com que alguns amigos o apelidassem de “poeta do pôr do sol”.
Para Nilson, a beleza da própria região facilita o trabalho.
“São tão bonitas as nossas paisagens que tu dificilmente vai errar uma fotografia. Bastou apontar a câmera e clicar e tu já tens uma foto excepcional na maioria das vezes”, explicou. Apesar dessa afirmação, ele destaca que a fotografia é um exercício constante de desenvolver uma atenção refinada para capturar momentos que a maioria das pessoas não vê.
Registros afetivos
Durante o bate-papo, o fotógrafo detalhou os bastidores de algumas de suas obras de maior sucesso. Uma delas mostra um garoto ribeirinho brincando com um barquinho de madeira na praia do Maracanã, em Santarém. A imagem, que traduz a pureza da infância tapajônica, tornou-se a sua foto de maior alcance nas redes e já foi usada até em campanhas locais.
Outro ponto central foi o forte valor sentimental que algumas imagens adquirem com o tempo.
Ele relembrou um registro em silhueta de Celivaldo Carneiro (irmão do apresentador Jeso Carneiro), que apreciava o nascer do sol na praça Adriano Pimentel. Sem saber, Nilson capturou ali a última foto do amigo antes de seu falecimento. “A gente nunca imagina o que vem pela frente, mas essa me toca bastante”, refletiu.
Dica para a nova geração
Para aqueles que desejam iniciar na fotografia, Nilson Vieira aconselha estudar os aspectos técnicos, mas focar fortemente na prática.
“Fotografe muito. Com as câmeras digitais, tu não tens aquele problema do filme de rolo. Os melhores fotógrafos nunca conseguem uma foto excepcional no primeiro clique, eles sempre fazem muitos registros até chegar na foto das fotos”, destacou.
Abaixo, a íntegra da entrevista.
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