
Após repercussão da operação da Polícia Civil que teve como alvo o vereador Adriano de Aguiar Coutinho (REP), documentos judiciais obtidos pelo JC revelam o que motivou a operação policial ocorrida na terça-feira (20). Policiais cumpriram mandados de busca e apreensão em Itaituba (PA).
A ação ocorreu no gabinete parlamentar e na residência do político, o mais votado para vereador nas eleições de 2024, com 1.817 votos.
Adriano é investigado por falsidade ideológica (falsificação de documentos) e exercício ilegal da medicina (prestação de atendimento médico sem ter registro ou diploma). A suspeita é que ele emitia e assinava pedidos de exames laboratoriais usando o carimbo de um médico sem autorização.
Denúncia anônima
O inquérito policial começou em junho deste ano. A apuração teve início após denúncia anônima encaminhada às autoridades.
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O relato continha 15 cópias de formulários de exames emitidos entre abril e maio. Todos os papéis traziam o carimbo e a identificação de um médico que atuou no município.
Testemunhas confirmaram à polícia ter procurado o gabinete do vereador na Câmara de Itaituba. Uma moradora relatou que o próprio parlamentar preencheu a requisição na sua frente.
Segundo o depoimento, o político carimbou e assinou o documento como se fosse médico. Outro morador afirmou ter buscado o gabinete para conseguir um exame de ressonância magnética.
Médico nega ter assinado documentos
O médico cujo nome aparece nos papéis prestou depoimento às autoridades. Ele explicou ter registrado um boletim de ocorrência (comunicação formal de crime à polícia) em 2025.
O registro comunicava o extravio do seu carimbo profissional. O profissional afirmou que nunca autorizou o uso de seus dados por terceiros. Após analisar as requisições, ele declarou não reconhecer as assinaturas como suas.
A Justiça autorizou as buscas após parecer favorável do Ministério Público do Pará. Durante a operação, os agentes apreenderam um celular, um notebook e uma CPU. Os aparelhos passarão por perícia para extração de dados.
A defesa do vereador solicitou acesso aos autos. Os advogados também pediram apuração sobre o vazamento de informações em redes sociais, alegando segredo de justiça. A Justiça deferiu a habilitação dos defensores.
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