Poetas amazônicos – Monstro

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Remake

Bate-me à porta alguém que não conheço:
Face oprimida em dor, voz inaudível.
Que ser sem luz, ó Deus, que ser terrível
Foi descobrir no breu meu endereço?

Forço a memória, volto até o começo;
Tento buscar razão, mas nada é crível.
A casa que sou eu, sem prumo e nível,
Desaba ante a visão do meu avesso.

“Rezo outro credo triste” (,) angustiado,
Mas Deus é surdo. Sempre foi. Que pena!
No intento de juntar cena por cena,

Quis retirar da vida o que era errado.
Mas isso é tudo, menos vida. E, irado,
Fujo do monstro e corro pro cinema.

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De Orivaldo Fonseca, poeta e compositor amazônico do Pará (Belém).

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Sem trilho.


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