Saudade Perfumada é o nome do blog que, há 24 horas, vem jogando luzes em manuscritos inéditos e fotografias do poeta e escritor santareno Emir Bemerguy, falecido há 10 dias, aos 79 anos, vítima de pneumonia.
O sítio foi criado e é dirigido pelo filho mais velho do artista, Emir Bemerguy Filho, residente em Belém.
Abaixo, o post levado ao ar ontem (22), que mostra a estratégia usada pelo poeta, com direito a foto de Getúlio Vargas e espelhinho, para conquistar a estudante de Odontologia Berenice, que se tornaria mais tarde esposa de Bemerguy:
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Este envelope, o espelhinho, e o seu verso, onde se vê a foto de Getúlio Vargas, foram os meios originais através dos quais meu pai declarou seu amor pela minha mãe no dia 14 de junho de 1954, às 08:00 horas da noite.
Eles estudavam juntos na Faculdade de Odontologia do Pará, gostavam um do outro, mas nenhum dos dois tinha coragem de declarar seu amor. Meu pai comprou o espelho, colocou-o no envelope e o entregou a minha mãe, que, segundo papai, empalideceu ao ler o que estava escrito no envelope. Ao pegar o espelho, ela primeiro viu a foto do Getúlio Vargas, o que foi motivo de brincadeiras entre os dois por toda a vida.
Quando ela se viu refletida no espelho, um grande sorriso aflorou em seu rosto. Dois dias depois, ela deu a meu pai uma foto dela com uma dedicatória em que também declarava seu amor. Este amor que, quase 60 anos depois, até a morte de meu pai, eu meus irmãos fomos testemunhas de que permaneceu firme e forte. Mamãe guarda o espelho e o envelope até hoje.
Meu pai contou, de maneira poética, o episódio, em um soneto que fez em 1968, que transcrevo abaixo:
ESPELHO DE CRISTAL
Era de ver-se a minha hesitação
Na doce-amarga fase que precede
O instante da amorosa confissão
Que a timidez paralisante impede.
Meu peito transformara-se na sede
Das inquietudes líricas que vão
Crescendo sempre, até que, enfim, se hospede
Um duradouro amor no coração
Mas o retrato da mulher amada,
Trêmulo, embora, em suas mãos de fada
Depus, um dia, de forma original:
Do brinde o laço azul ela desfez,
E achou, presa de intensa palidez,
Um pequeno espelho de cristal!…

Simplesmente, Fantástico!
Grande amigo “Emirzinho” ficamos muito felizes com a sua iniciativa de criar um blogue para socializar as memórias de seu estimado pai. Com certeza seremos um dos leitores do sítio. Um abraço fraterno!
Parabéns pelo bivi blog.
O grande e saudoso Emir Bemerguy, seu pai, era parceiro musical de três gerações da família Fonseca: José Agostinho da Fonseca (1886-1945), meu avô; Wilson Fonseca (1912-2002), meu pai; e Vicente Fonseca (1948-).
O belo poema “Saudade Perfumada” foi por mim musicado.
Veja as minhas parcerias musicais com Emir Bemerguy:
OBRA MUSICAL DE VICENTE JOSÉ MALHEIROS DA FONSECA
(Ordem Cronológica)
Parcerias com Emir Bemerguy
1.”Queixumes do Fim” (samba lento)
2.”Missa Popular” (7 partes)
3.”Hino do Coral de Santarém” (música: Vicente Fonseca e Wilson Fonseca)
4.”Praça da Matriz” (marcha-rancho)
5.”Jóia de Deus” (samba lento)
6.”Lenda da Vitória-Régia” (canção – samba)
7.“Hino das Olimpíadas do Colégio ‘Dom Amando’”
8.”Lenda da Mãe D’Água” (toada moderna – samba lento)
9.”Eliane (II)” (valsa)
10.”Tempos de Criança” (samba-enredo)
11.”Hino ao Centenário do Theatro da Paz”
12.“Saudade Perfumada” (Elegia para Telminha) – canção
13.“Quinze Anos” (valsa)
14.“Hino da Academia de Letras e Artes de Santarém” (letra: Vicente Fonseca e Emir Bemerguy. Música: Vicente Fonseca)
15.“Cidadela de Bravos” (hino-marcha)
Abraços,
Vicente Malheiros da Fonseca
https://www.trt8.jus.br/index.php?option=com_juizes&task=judge&tipo=1&id=364&Itemid=202
https://www.wilsonfonseca.com.br/blog/
Até que enfim estamos valorizando outros grandes personagem da história de Santarém! Belo começo… Apesar de ser após esse trauma pra história Santarena… Temos muitos poetas, artistas, escritores… Vamos dar valor a todos e não a mediocridade! Já estou cansado de ouvir falar apenas em uma pequena parte da história. Parabéns pelo blog e pela iniciativa!
Estou curioso para saber por que o poeta meteu lá um retatinho do Getúlio para mimosear a pimeira e única namorada. Sei que o episódio foi moitivo de muitas brincadeiras do casal. Podiamos ser brindados com a revelação dessas brincadeiras? Afinal, que desculpa o poeta deu para por a foto do Getulio e e não a do próprio Emir no espelinho que ofereceu à Berenice?
Meu pai, quando teve a idéia de dar o espelho à minha mãe, comprou-o em uma loja da cidade. E, como não havia, em 1954, as facilidades de personalização que há hoje, ele teve que se contentar com o que havia disponível, no caso, este com o retrato do Getúlio Vargas, que era o presidente na época.