À procura de uma babá

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por Dannie Oliveira (*)

Nos últimos tempos, babá virou artigo de luxo. Impressionante, mas encontrar uma boa pessoa para trabalhar em casa de família ficou mais difícil do que encontrar graviola na bandeja de hortifrúti do supermercado. Mesmo havendo alta demanda, quem procura pena, e não acha. E faz falta. Eu que o diga! Já são quarenta e cinco dias sem uma ajudante do lar.

Na minha trajetória como mãe, já tive seis babás em menos de 2 anos. Isso mesmo seis! E antes que alguém venha dizer que sou uma má patroa, não fui eu. Aliás, não foi nós! Porque segundo meia dúzia de amigas que também estão procurando babá não adianta você dar casa, comida e roupa lavada simplesmente numa sexta-feira (ou terça) elas dão tchau e não voltam.

É sempre igual. Ela pode ter vindo de Marte ou de Vênus, mas quando chegar a hora ela vai deixar sua filha limpinha, cabelo penteado, exalando alguma fragrância infantil, irá sorrir, puxará algum assunto tolo, vai calçar a sandália havaiana e partir, até nunca mais!

Ou então vai falar que precisa ir ao médico e três dias depois você liga pro celular dela acreditando que a moça não está bem, está internada, foi submetida à cirurgia e lá pela décima vez ela atende o celular e você descobre que a sua babá agora é babá de outro alguém.

Claro, tem a outra situação ela é uma moça trabalhadora até que arranja um namorado que no começo é bem legal, mas depois acha que você não precisa passar o dia todo na casa de estranhos, que você merece algo melhor e depois de todo um discurso ideológico consegue enfim convencê-la de que amor enche barriga e ela desiste do trabalho.

Isso não é papo de patroa. Você aí pode questionar, mas e aí você paga um salário mínimo, dá férias, plano de saúde e vale-transporte?

Dando ou não, a diferença é mínima, babás continuam em falta. Já vi propostas tão tentadoras que se não tivesse uma pilha de projetos para terminar quem sabe até eu enveredasse no ramo de babá. Sei que cuidar de crianças requer paciência. É quase uma arte. Mas se agora entramos no mérito da falta de babás, necessariamente precisamos também de boas profissionais.

Quando era criança, lembro das jovens que vinham do interior para estudar. Convivi pelo menos com uma dezena delas das fraldas a minha adolescência. Mas do que uma pessoa que cuidava de mim, essas garotas e até em outras situações mulheres e senhoras faziam parte da família, da minha rotina.

Pra mim, naquela relação existia para além de um compromisso de trabalho, mas de amizade. E até hoje tenho algumas ‘tias’ por aí que valorizo por toda a paciência e dedicação que tiveram comigo e meu irmão quando meus pais estavam fora de casa. Essas babás na atualidade são raras. Mudaram-se os tempos e o perfil de quem ocupa a profissão.

Dias desses vi a moça que trabalhava em uma vizinha dando um show à parte. Não se tratava de agressão, Deus me livre, se fosse quem tinha partido para porrada era eu (sou mãe entenda, espirito materno, proteger a cria). Numa cena típica de um dramalhão, a jovem se debulhava para uma criança de uns dois anos. “Eu não aguento mais. Por que você não some?”.

Se existe cara de interrogação acho que foi a expressão que fiquei naquele momento. Será que ela esperava que o garoto arrumasse as coisas dele, abrisse o cadeado do portão e fosse embora? Mas que isso será que ela em algum momento daquele discurso lembrou que do outro lado estava uma criança que ainda não entendia todos os pormenores do mundo?

O fato é que aquela tarde correu. O pequeno continuou brincando e horas depois tudo passou. Toda a situação ao lado me fez pensar no que minha filha enfrentava quando estava fora de casa. Deu um frio na espinha. Esse não é um temor exclusivo. É de toda mãe! Tem horas que bate a paranoia e quando você chega vasculha a menina de cima a baixo principalmente depois que viu aquela ajudante maltratando um guri no vídeo da televisão. Complicado…

Eu sei que tem gente que vai me chamar de mãe desnaturada. Para essas pessoas, a melhor resposta é … fralda custa caro, crianças tomam leite e comem frutas, aluguel não é de graça e você não precisa deixar de ser uma profissional porque virou mãe.

Desde que o mundo é mundo as mulheres estão aí dividindo mil e tantas funções e nunca deixaram de ser competentes por isso. Eu poderia falar de centenas e outras teorias sobre os benefícios na carreira vindas com a maternidade, mas isso é outra história. No final das contas quem vai ficar com a minha filha e com seus filhos?

A procura pela babá continua.

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* É jornalista e mãe.


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23 Responses to À procura de uma babá

  • Gente eu sou baba eu e minha irmã nós cuidamos de crianças aqui em barueri quem estiver precisando de serviços é só entrar em contato (11) 95648-7310

  • No nosso país até empregada doméstica acha que pode ter empregada doméstica em casa. Acho que o sonho de toda mulher é ter não um homem, mas uma outra mulher submissa a ela. As mulheres não se contentam em casar-se com um homem banana, há a necessidade de ter uma outra mulher doméstica ou babá como uma espécie de serviçal.

    Os tempos mudaram, está na hora de cada um cuidar dos filhos que pariu e da pia de louça suja de casa. Podem usar os maridos bananas para isso. Salve 13 de maio dia da libertação dos escravos.

  • Nossa!!! Há tempos não lia um texto tão sem propósito…
    Faltam babás porque “as moças” optaram por estudar; conseguiram algo melhor do que ser “ajudantes do lar”, pois normalmente cuidam da criança e da casa. Como conciliar tantos afazeres?
    Faltam babás porque “as garotas” estão em suas casas, estudando (espero).É crime o trabalho infantil.
    “Antigamente, as garotas vinham do interior” para cuidar de crianças e sofriam todo tipo de abuso, inclusive sexual.Torço que essas garotas permaneçam onde estão.
    Tem-se aqui um discurso no velho estilo ‘casa grande e senzala’, a dama indignada porque não há uma ama para cuidar de seu filho.
    As babás sumiram. Isto é uma resposta no também velho estilo:
    ” Quem pariu Mateus que o balance…

  • Que venham os irmaos haitianos, africanos, peruanos, chineses.
    O Brasil e’ a “bola da vez” do “mais do mesmo”: temos petroleo, minerios e sabemos nos endividar, pois todo brasileiro cresceu sustentando uma sogra, um parente, agregado ou aderente.
    Mas se estamos ficando ricos e ninguem quer fazer alguns trabalhos, principalmente pela baixa remuneracao que os patroes acham que devem pagar, por que nao acolher esse pessoal que em outras economias (paises capitalizados) sao tratados como ALF, o ET?, Serao como um alienigena na sala como tantos enlatados satirizavam?
    O Brasil deveria dar uma licao de acolhimento, ate mesmo aos arrogantes espanhois que tratam brasileiros como nunca serao tratados aqui, la tem 25% de desemprego, em portugal tambem e aqui nao aumenta o emprego por falta de gente. Mas principalmente os imigrantes pobres poderiam ser acolhidos com dignidade para pagar umas prestacoes, por dinheiro pra rodar e pagar imposto.
    Imagino a dificuldade de acolher um oriental ou alguem do meio do mundo, cheios de crencas e tal, mas talvez eles virao igual.
    Seis anos em Santarem e tive que aprender a lavar roupa, fazer comida e limpar a casa, mesmo podendo pagar. Isso tambem e uma licao.
    E’ uma servidao, isso que digo de acolher uma pessoa como funcionario e dar-lhe dignidade parece hoje o mesmo que comprar um escravo antigamente, mas e’ melhor do que se aproveitar da pessoas serem extrageiros ilegais e pagar pouco e criar cidadaos de segunda categoria como fazem hoje os paises ricos.

  • Dannie,

    Parabéns pelo texto. Acho que é uma grande contribuição para reflexões sobre as demandas das famíliar urbanas frente aos novos cenários que se estabeleceram para esse tipo de serviço.
    As relações trabalhistas mudaram e os sonhos e desejos sociais também. Acho que essas mudanças também contribuem para a não atratividade desse trabalho para as novas gerações.
    Daí a necessidade de pensar em novas estratégias para as famílias receberem esse apoio.

  • Dificil saber se às babás são todas umas irresponsáveis ou se a patroa, ou alguém da família, que anda maltratando essas profissionais (o que não é muito raro de acontecer). No caso da Dannie, é desnecessário usar como argumento que “meia dúzia de suas amigas” também passam pela mesma dificuldade, pois se são suas amigas certamente compartilham dos mesmos usos e costumes, sejam eles bons ou ruins, e nisso se inclui o tratamento dispensados aos colaboradores. Sugiro respeitosamente que você e suas amigas “garimpem” alguma mãe de família que possua um caso de sucesso na contratação de babás, pois eles existem esteja certa disso, e humildemente estabeleça um paralelo entre a sua conduta, em todos os aspectos, e a conduta dessa outra “mãe sortuda”. Porém se você não tiver tempo ou mesmo não chegar à conclusão alguma que resolva a sua necessidade de babá, ai resta sugerir aos empreendedores da cidade que aproveitem esse “nicho de mercado” não explorado e criem uma empresa especializada em cessão de mão de obra doméstica, dessa forma as famílias não precisariam “revirar a cidade” atrás de alguém, mas sim contratar uma empresa que encaminharia uma profissional com referências para a solicitante, e mesmo que essa profissional resolvesse sumir após uns dias, outra babá seria imediatamente encaminhada, diminuindo a quase zero os transtornos.

  • É só oferecer salário digno (que nao seja salário mínimo) vale transporte, estabelecer horário de entrada e saída. Assim pode aparecer alguma pessoa interessada. Agora se quiser como antigamente que as madames de Santarém queriam as meninas do interior para empregadas domésticas e diziam que teriam-as como filha, tá despachada….Ja se foi o tempo em que madame bem empregada conseguia menina pobre pra explorar-la……

  • Dannie, em Manaus uma babá com recomendações (ou seja experiente) não sai por menos de 1.200 reais, mais vale-transporte, sendo com carteira assinada.

    Babá hoje no Brasil virou profissão escassa, artigo de luxo.

  • Muher sinônimo de força, perseverança de ter mil e uma qualidades e ter que chupar cana e assobiar, um orgulho ser mulher! =)
    Dani, querida ótimo crônica e relato de vida! Realmente a mão de obra no segmento cuide da minha casa e do meu fiho, está virando ou já virou, Suplicas em cada rosto possível de ajuda, está bem difícil encontrar pessoas não digo nem tão qualificadas, mas que estejam comprometidas a “apoiar, ajudar uma família que precisa de sesu prestimos” além de ganhar seu dinheiro, ter seus direitos, poise hoje elas tem sim, todo direito alias sempre tiveram, mas se faz mais visível, reivindica-los. A secretária do lar ou babá são artigos de luxo de fato, mas tem que haver persistência, um dia se Chama, quem procura sempre encontra.
    Filho dádiva dívina! E melhor te-los.

    Abraço.

  • Vejo que não está procurando uma babá é mais um desabafo por não encontrar alguém (babá) para cuidar de seu filho (a). Acontece, Dannie, que a figura da babá (aquela mocinha humilde, sem perspectiva alguma de melhorar de vida e de poder receber uma boa educação, tinha na profissão de babá a esperança de uma oportunidade através dos pais dos pequenos, muitas das vezes sem receber salário, consolado, apenas, com o “agrado” de fazer parte da família ou até de ser considerada filha adotiva, pura balela, era escrava mesma!) tende a desaparecer dos seios familiares em face das novas e viáveis oportunidades de trabalho. Certamente menos estressantes e mais rentáveis do que o trabalho de babá. A babá do mundo moderno não tem mais CPF, agora é CNPJ (CRECHE), e as mães folgadas, assim como as ocupadas, devem equacionar seus preciosos tempos e compartilhar com o seu pequeno. Como dizia os mais experientes: “quem pariu Mateus, que embalem”.

    1. caro Sr Ronaldo Vinente, sua colocações foram perfeitas, as coisas mudaram, e para melhor, pois se não reconhecermos os direitos dos prestadores de serviços, sejam eles quais forem, não vamos ter trabalhadores dedicados e cumpridores de suas atribuições. Tenho 02 filhas, e as duas foram e estão sendo cuidadas pela mesma babá há mais de 03 anos, é registrada, trabalha 08 horas por dia, tem folga em todos os feriados e nos finais de semana, tem todos os direitos assegurados. E por estar comigo há bom tempo, quando minhas filhas não mais precisarem de seus serviços, pretendo trazê-la para trabalhar em minha empresa em uma área administrativa, pois a mesma está se preparando para isso.

    2. Caro Ronaldo Vinente, eu só acrescentaria ao seu comentário que além das mães, tambem os pais folgados devem equacionar seus preciosos tempos…

      Ademais, as babás são consideradas “da casa”, em sua maioria, porque recebem casa, comida e presentinhos das viagens dos patrões, nunca por terem carteira assinada, férias, 13º, finais de semana e noites livres para cuidarem de suas próprias vidas. É muito comum, em pleno domingo, nos restaurantes e shoppings, as babás com “suas crianças” e os pais conversando, comendo, bebendo ou fazendo compras “mais à vontade”.

      1. É verdade Alda, esqueci dos pais, concordo com vc, eu faço isso com o meu fllho de 5 anos..

    3. Oi Ronaldo

      Pertinente suas colocações e concordo parcialmente com elas. Realmente não existe mais as mocinhas do interior (inocentes e ingênuas), Graças à Deus que as coisas tem melhorado e a educação e a perspectiva de quem vivia em lugares distantes melhorou bastante nos últimos anos, vide os constantes projetos de incentivo a profissionalização. A atividade de babá é apenas mais uma profissão. Seja mocinha do interior, mulher ou senhora está em falta. Fico extremamente feliz de ver muitas das pessoas que foram minhas babás outrora, hoje professoras e empreendedoras prova que só basta um incentivo e uma oportunidade. Sobre ser um desabafo, pode ser, é fato! a intenção foi mostrar essa situação atual. Relativo a creches na nossa cidade a idade mínima para entrar em uma, seja particular ou municipal e ainda nas classes chamadas de babyclass existentes em quatro instituições de Santarém é de 2 anos. A licença-maternidade é de cinco, seis meses. Até dois anos tem tempo por isso a importância de babás que fiquem com seus filhos durante esse período. Como as coisas ainda avançam ainda não tenho conhecimento de alguma empresa aqui que tenha espaço para os pais deixarem os filhos durante a jornada de trabalho. Quem sabe no futuro. Vamos equacionando o tempo e embalando Mateus.

  • Compartilho dessa sua busca também, Dannie. Você disse tudo! As babás no início possuem as melhores qualidades: são prestativas, atenciosas, têm iniciativa… Depois de alguns dias já não estão mais dando conta de pegar ou deixar o seu filho na escola no horário… E num belo dia de sol saem e não voltam mais. Certa vez tive que ameaçar procurar a polícia porque a babá saiu em um sábado, não deu mais notícias, não atendia minhas ligações e eu tive que acionar os familiares. Todos tinham notícias dela menos eu. Babás com responsabilidade são artigo de luxo nos dias atuais!

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