Os “sem-partido” e a zona de conforto

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Professor e jornalista, Samuel Lima (foto) comenta a Frase do dia, de hoje, da lavra de Helvecio Santos:

Caro Helvécio,

Blog do Jeso | Samuel Pantoja LimaOs políticos e toda a chamada sociedade civil organizada – que ficou à margem das manifestações, igualmente. Aliás, vários alunos meus que militam em causas sociais distintas (do Passe Livre, Feminismo, Meio Ambiente etc.) em entidades organizadas foram agredidos pelos “sem-partido” que tentaram se adonar das ruas e praças do país.

Os defeitos do nosso sistema partidário são de domínio público, há tempos, e nenhum governo democrático (notadamente, FHC, Lula e Dilma) teve coragem política de enfrentar essa reforma.

Contudo, a meu juízo, o grande legado da mobilização é ter tirado da zona de conforto líderes de partidos políticos, sindicatos, associações, ONGs, entidades da sociedade civil, sem exceção. Quem fizer a fundamental autocrítica e dialogar com esses acontecimentos e personagens vai contribuir com o aperfeiçoamento da nossa jovem democracia. Caso contrário, perderá o trem da história.

Outro legado fundamental é que os próprios manifestantes reflitam que mudanças não acontecem só na base do protesto ou do grito nas ruas.

É preciso se organizar, ter propósitos claros e específicos e, sobretudo, ter clareza de como vamos encaminhar nossas reivindicações (e a quem de direito).

Não creio em geração espontânea na política; aliás, a história ensina que não existe “vácuo” nesse terreno: alguém ocupará esse lugar, e nesse caso políticos desonestos, corruptos e corruptores (empresários desonestos) vêm roubando a cena, literalmente, há décadas.


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3 Responses to Os “sem-partido” e a zona de conforto

  • Os honestos acham que para continuarem honestos não devem entrar para a política, pois se entrarem serão corrompidos. Já os desonestos acham que a vida política é a melhor estabilidade de vida para si e para os seus. Que trajetória terá o trem da história futura?
    Os sem partido querem gritar ao mundo, estamos aqui e não temos partidos e por isso temos moral para gritar, mas na verdade não querem ocupar nenhum propósito para o bem comum.
    Tudo ainda é muito apaixonado.

  • Professor Samuel Lima, muito obrigado pela sua contribuição, concordo com tudo o que você escreveu. Acredito que hoje dificilmente as pessoas não façam parte de algum meio de organização social. Parabéns.

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