
por Helvecio Santos
És uma adolescente, na flor da mocidade e a tantos encantas e a muitos já encantaste.
Parabéns e muitos anos de vida a ti, Terra Querida, e a todos os teus milhares de filhos que, encantados, mais uma vez te prestam merecido tributo.
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Tu que tanto já nos deste e a cada ano te reinventas para mais oferecer, de minha parte, obrigado!
No ensejo, parabenizo-te e aproveito para estender aos que contigo constelam, percorrendo uma estrada de saudade, na certeza que recordar é viver. Assim, parabéns aos que saborearam o picolé tip top da sorveteria Palace, aos que jogaram sinuca no salão do “Seu” Oliveira, aos que se deliciaram em generosas doses de cuba libre no Mascote e com lágrimas fizeram crescer o volume do rio debruçados na vizinha amurada despedindo amores em barcos que sumiam na escuridão.
Parabéns aos que, nas vozes de Expedito Toscano, Albano Soares e Paulo Bolero, sonharam e juraram amores eternos nas noites de lua cheia, aos que beberam geladas no Tapajós Bar, aos que viram Dom Inácio desfilar impecáveis vincos em calças de linho 120 no Miguel do Jaraqui, aos que dançaram no Trem, na Fuluca, no Vai quem Quer, na Sombra da Lua, aos que penduraram conta na Maloca do Mundico e afogaram as mágoas no Poço Frio do Antonio Palma.
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Parabéns aos que tomaram banho no Irurá, no Mararu, no Joá, atravessaram a nado o sovaco da Coroa de Areia e, de canoa a remo, visitaram o Cucurunã.
Parabéns aos que jogaram pelada nas noites de luar no areião em frente à cidade, que tomaram banho na Coroa de Areia, que comeram mangas e oiti na Vera Paz nos tempos em que ali não existia Bosque (?), que levaram melancia nas costas para serem devoradas na Caieira e aos que faziam serestas nas areias de São Marcos, “tão branquinha, a candura da Prainha”, com muita batida de limão e camarão cozido na hora em fogueirinhas improvisadas e toscas panelas.
Parabéns aos que assistiram as domingueiras matinais da ZYE-29-Rádio Emissora de Educação Rural de Santarém Ltda., no Cristo Rei, sob o comando de Ércio Bemerguy e Ednaldo Mota e à tarde, Elinaldo Barbosa lotado, assistiram ao maior espetáculo futebolístico da terra, eterno FRAN x Rai, vibração e emoção no ar, coisa de fazer deslocar o eixo da Terra e, à noite, pecados purgados na missa das seis, crédito renovado, novos deslizes eram cometidos na sessão das nove no Olímpia do “Seu”Raul.
Parabéns aos que subiram a escadaria do Frei Ambrósio, que lancharam na Lucy, que conheceram o Castelo e ouviram a Ave Maria na voz da Ruth Santos pelo competente serviço de alto falante “A Voz da Liberdade”.
Parabéns aos que sonharam nos acordes da “Nossa Serenata”, “falando de coração para coração”, no comando do apaixonante Eriberto Santos, que fizeram declarações de amor com Leal de Souza pois “as cartas não mentem jamais”, que vibraram com Pitágoras de Almeida e Silva na ZYR-9-Rádio Club de Santarém, “falando do coração da Amazônia para os céus do Brasil”, na “Hora da onça beber água”, que sentiram-se dentro do estádio nas vozes de Osmar Simões e Herbert Thadeu Matos.
Parabéns aos que dançaram na pista do Veteco do mestre Pingo, que à míngua de um trocado foram buscados à porta pela caridade do “seu” Élvio e milongaram a noite toda na pista do Fluminense, que bailaram nas noites de gala do LEÃO, ali em frente à casa do “Seu” Phebus Dourado.
Parabéns aos que pularam no Breguelhegue, que no São João assistiram as quadrilhas do “Seu” Lauro e ouviram o “vai chegando vai entrando/o meu garrote Mimoso/vai chegando vai entrando/o meu garrote Mimoso/tem a cara de pamonha/ mas o mastro é luminoso”, se aventuraram no ‘pau de sebo”, beberam o tarubá do Zé Olaia ou o açaí do “Seu” Abdon e paqueraram no arraial do São Raimundo ou da Matriz e namoraram nas quermesses beneficentes, na quadra do Crisólito, ali ao lado do Cristo Rei.
Parabéns aos que jogaram “pelada” nos campos do Morango, do Veterano, no areião em frente à cidade ou à sombra das mangueiras em frente à casa do “Seu” Moraes, na Rui Barbosa.
Parabéns aos que jogaram pedra nas mangueiras da São Sebastião, que provaram jambu da Praça do São Raimundo, que provaram oiti e se aventuraram nos curumizeiros da Vera Paz, que provaram o refresco do Bráulio e compraram leite do Félix Leiteiro.
Parabéns aos que pescaram caratinga de enterra, pegaram charuto de litro, tarrafiaram no Igarapé do Padre, remaram no Laguinho, pegaram marimari no Igarapé Açu, provaram o cafezinho do “Seu” Zé Oleiro e esperaram o “Seu” Macambira atravessando da Ponta Negra com peixes vivinhos no fundo da canoa.
Parabéns aos que empinaram os “papagaios” feitos pelo Pola ou os melhores, óbvio, feitos pelo Helvecio, opa! Eu? Sim, eu e minha maninha Nilda fazíamos e vendíamos “papagaios”, “surus”, “gandulas”, “curicas”, tudo pela arte e para arrumar uns trocados.
Parabéns aos que brincaram de “pira” dentro d’água, que saltaram do toldo dos barcos até que os donos nos pusessem a correr, que participaram de disputados campeonatos de fôlego nas limpíssimas águas do Tapajós, que cavaram buracos no areião das ruas para ganhar uns trocados dos taxistas que atolavam e assim arrumavam o dinheiro da bola de sernambi.
Quanta coisa deste a teus filhos e quanto disso te levaram ou permitiram te fosse levado, por descuido ou em troca do vil metal. Mas, amante fiel e fecunda, nesse ofício de dar sem receber, ano que vem estaremos festejando a data e agradecendo por mais coisas que nos darás.
Santarém! Amada, Santa Santarém, teus filhos saem, mas jamais te esquecem.
Daqui de longe, mas com não menos entusiasmo, tim! tim!, que venham mais aniversários e que Deus me dê forças para, mesmo em pensamento, te abraçar e desejar muitos anos de vida.
Parabéns!
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