Eco Rio +20

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por Madson Luiz Moda (*)

O evento evoca toda uma mobilização sócio-cultural em prol de um contexto denso e inusitado, em que, como o desenvolvimento sustentável não foi aplicado substancialmente, o mundo está enfrentando uma múltipla crise: ecológica, econômica e climática, incluindo erosão da biodiversidade, desertificação, escassez de alimento, de água e energia, a pior recessão econômica global, instabilidade social e crise de valores.

Rio +20No bojo das articulações, há algo maior em jogo, que exige um novo campo de entendimento político, ou seja, novas alianças. Seria o caso de se propor uma nova governança multilateral participativa para o desenvolvimento sustentável enquanto parte do compromisso e imprescindível para sua sensível efetividade.

Como se vê, os Estados Nacionais, enfraquecidos em sua capacidade regulatória, concentraram-se em assegurar a entrada de capitais e a estabilidade monetária, ocasionando uma séria dependência da sustentabilidade do meio ambiente em relação à “sustentabilidade” financeira dos bancos e oferecendo, como atrativos, a flexibilização das normas ambientais.

Como bem observa o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o conjunto de estratégias para o que seria um novo ciclo de desenvolvimento do nosso país, prerroga, na sua amplitude, que o bem-estar social e a qualidade das diferentes formas de vida devem ser alcançados pelo equilíbrio entre o crescimento econômico, o desenvolvimento social e a proteção ambiental.

Nessa última prerrogativa, talvez o Brasil esteja em débito. Um estudo divulgado, há algum tempo, pela Universidade de Oxford, concluiu que, “enquanto China, Índia e Rússia têm criado leis para proteger suas florestas e agem para recuperar o que já foi devastado, o Brasil segue na contramão, desmatando mais do que é reflorestado”.

Com certeza, nesse prestigioso evento de discussões ambientais, o primeiro maior desafio será garantir a presença dos chefes de Estado, dado que a ausência deles significará a perda relativa dessa agenda em relação às questões colocadas pela grave crise internacional.

O segundo maior desafio, durante o grande evento, será transformar os graves problemas criados pela crise internacional em uma oportunidade para promover a agenda de desenvolvimento sustentável.

Algo importante é notar o fato de os atentados à natureza tocarem mais duramente as populações que vivem da caça, coleta, pesca e silvicultura, correspondentes a 1,3 bilhão de pessoas ao redor do mundo.

Bastaria que esses países enriquecessem para se verem abrigados dos danos ambientais?

A resposta é não, conforme o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Justamente porque se sabe que, historicamente, o aumento da riqueza levou ao aumento das emissões de CO2 e à deterioração da qualidade do ar e do solo.

O que se coloca como alternativa para o caso seria, dentre outras coisas, a nível sociológico, estimular a “gestão comunitária” dos recursos naturais; a nível econômico, instaurar um imposto sobre operações econômicas, em escala global, para financiar medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas; ou, ainda, na política pública de saúde, estender um plano de controle de natalidade. Cá para nós, quantos chefes de Estado de nações ricas vão raciocinar na “crista desta onda”?

Nesse sentido é que os povos indígenas propuseram à pauta da RIO+20 a inclusão da cultura como um dos pilares principais do desenvolvimento sustentável.

A declaração de Manaus, enquanto encontro preparatório mundial dos povos indígenas sobre a RIO+20, mostra que as comunidades tradicionais de tal quilate, acreditam que suas visões de mundo e respeito às leis naturais, suas espiritualidades e culturas e valores de reciprocidade, solidariedade, coletividade, cuidado e partilha, bem como, harmonia com a natureza dentre outros, são cruciais para proporcionar um mundo mais justo, equitativo e sustentável.

É bom registrar: foi tão somente na RIO+10 (Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável de 2002), na cidade de Johannesburgo, na África do Sul, na presença de mais de cem chefes de Estado, que a ONU reconheceu e usou o termo “povos indígenas” pela primeira vez na história das Nações Unidas. Tal foi a desimportância que tal organismo internacional dera, ao longo de seus mais de 50 anos de sua existência, a essa classe social tradicional para oficialmente visualizá-la e formatá-la tão somente no terceiro milênio.

É por essas e tantas outras que ocorrerá um evento paralelo à RIO+20, ou seja, a chamada “Cúpula dos Povos” organizada pela sociedade civil. Neste evento paralelo, serão organizadas mobilizações, atos públicos e debates para desmascarar, entre outras coisas, o que seria “a falácia da economia verde”, bem como denunciar a responsabilidade de corporações e governos na destruição da natureza, e potencializar as milhares de experiências políticas e econômicas pautadas na agroecologia, na economia solidária, no bem viver e no respeito à biodiversidade e aos direitos humanos!

“Alea Jacta Est” (a sorte está lançada) e seja o que Deus quiser!

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* Santareno, é sociólogo e filomata.


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One Response to Eco Rio +20

  • É difícil! Está difícil! Penso que devemos seguir os exemplos vindos do mundo animal (irracional); principalmente os mamíferos que só geram filhos quando há uma carência muito grande em seus bandos. O mundo está “inchando” com tanta gente, há pessoas nascendo apenas como resultado da prática sexual inconsequente ou pelas vantagens econômicas de muitos programas de assistência social que incentivam que mulheres tenham filhos para incrementar a renda familiar; generalizando. Os governos deveriam incentivar ou recompensar, sim, aos moldes Chineses, o controle de natalidade.

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