Graça Gonçalves, não passarás. Brilharás!, de Everaldo Martins Filho, Graça Gonçalves

por Everaldo Martins Filho (*)

Lembro da Graça sempre engraçada. Desde a pergunta clássica: qual a sua graça? Meu nome é Maria da Graça. Ou Maria das Graças? E na lista da mana, para o aniversário de onze ou doze anos.

“Tia Socorro e as quinhentas”, como a mamãe falava. Além da tia Socorro Colares – todo mundo devia ter uma – constavam, pelo menos, Marlene, Conceição e Fátima Gonçalves, Lígia Fona ou irmã e a Jussara. E a Graça, sempre bem humorada. Que viajava para Alenquer – com o Roberto Vinholte e o Boni – ou na ilharga da Betânia e da Fernanda, amigas de longa data.

Ou mais recentemente da própria mana, a Maria do Carmo, ou da Walda, minha cunhada. A Graça, que na mesa da Márcia sentava – da diretoria – no Restaurante Nossa Casa.

Conversava , opinava, fazia a crítica – dizia o que pensava. Às vezes revelava um segredo – quase nunca fofocava – e ouvia e dizia piada. A satisfação a rondava. E a felicidade breou na Graça. Era amiga quando era; e foi, é e será.

Quando não gostava, não era de perdoar. Levava a vida, mais do que a vida lhe levava. Era de missa, a Graça, e de festa.

Festejava, festeja, festejará. Está dando a notícia, onde acaba de chegar. Foi convidada pelo Onetti, diretor do jornal Província do Pará, para ser colunista social do Jornal de Santarém. Foi descoberta, antes de inventada, e encontrou-se, a própria, com ela.

Casou-se, a Graça da Mindoa, e do Seu Washington, com o seu selfie. Antes do iPhone e do Steve Jobs. Tornou-se colega de Edwaldo Martins, de Isaac Soares, Pierre e Vera, de Belém. E de Adil Colares, Jorge Orlando e Denise Maia Marsala, em Santarém.

A Graça da festa anual, das homenagens: Paulo Rocha, Hélder, Jatene, Artur Virgílio, Eduardo Braga, no palco dela passaram. A Graça dos jantares. Namoradas e namorados esperavam o show do Paulinho ou do Waltinho, e banda, no 12 de junho. Que nunca mais será o mesmo, sem a poesia e as declarações do dia.

E o sorriso da Graça, sua risada. Abraços e beijos, confrade. Que do seu modo e com a sua lavra deixa história escrita e registrada, para pesquisa e para o futuro, da vida social.

Páginas das diferenças e da desigualdade, das pessoas e da cidade. Da High Society (rai sossaite), do conflito e da paz, da cultura e das artes, de muito mais.

Graça Gonçalves, não passarás. Brilharás!

PS: Faltou citar o Birinha, Dr Ubirajara Filho, e o Darivaldo Coimbra, entre tantos amigos dela.

– – – – – – – – – – – – – – – – – – –

* É médico santareno. Irmão da ex-prefeita Maria do Carmo.

Leia também:
Morre Graça Gonçalves, aos 67 anos, um dos ícones do colunismo social do Pará

Nota do editor: textos, fotos, vídeos, tabelas e outros materiais publicados no espaço "comentários" não refletem necessariamente o pensamento do Site Jeso Carneiro, sendo de total responsabilidade do(s) autor(es) as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Um comentário em: Graça Gonçalves, não passarás. Brilharás!, de Everaldo Martins Filho

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *