O espetáculo na natureza

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por Helvecio Santos (*)

Gosto da primavera pela explosão de vida que nos proporciona e ela já é anunciada pela floração que brota.

Ainda há poucos dias as amendoeiras deitavam folhas como lágrimas, os oitizeiros se sustentavam “pelados” e todo o mundo vegetal, inclusive minha dama da noite, presente da minha irmã Nildinha, pareciam prestes a morrer.

Bastou o sol se insinuar e espantar um tempo nublado que não rima com o verbo “cariocar” e já aparece um tímido colorido primaveril.

Não faço nenhum esforço para ver que as árvores começam a exibir essa nova roupagem. Saindo do meu prédio e caminhando no quadrilátero da calçada que cerca o quarteirão conto, só no passeio público, 38 exemplares. São amendoeiras, oitizeiros, jaqueiras, entre outros.

No quarteirão seguinte da rua por trás do meu prédio, a Nossa Senhora de Lourdes, parece milagre da santa, ali vicejam goiabeiras, pitangueiras, limoeiros, jamelão, amendoeiras, oitizeiros, mangueiras, intervaladas por palmeiras que lembram açaizeiros.

O Rio de Janeiro é assim mesmo, surpreendente, e olhem que Vila Isabel não é dos bairros mais arborizados. Ganham este título, de longe, o Horto, o Jardim Botânico, o Alto da Boa Vista, que corta a Floresta da Tijuca e o Grajaú, que tem uma rua que em toda sua extensão, no canteiro central, está coalhada de tamarineiros, sem contar que a Rua Comendador Martinelli termina no portão da Reserva Florestal do Grajaú onde, ao cair da tarde, com sorte, é possível cruzar com um cachorro do mato perdido.

Esta explanação é para simplesmente dizer que o progresso não é inimigo do mato como querem fazer crer alguns santarenos o que no final, me parece, contagia toda a população.

Na rua onde moro, Teodoro da Silva, as amendoeiras estão prenhes de folhas novas e viçosas, os oitizeiros embalados pelo vento, brevemente estarão deitando frutos na rua, os cajueiros estão florindo, mangueiras idem e nos plays dos prédios ou no pátio das muitas casas ainda existentes, buganvílias, cravos, hibiscos colorem o pedaço, enquanto lírios e damas da noite exalam um perfume único.

Numa defesa caolha, alguns dirão que no Rio de Janeiro tem também bala perdida e não nego, hoje muito menos do que já houve, mas não é isso que me proponho a discutir. Não me interessa que Santarém tenha menos bala perdida que o Rio ou até mesmo que não tenha bala perdida. Não!

Não quero entrar nessa tola discussão para fugir do assunto. Quero sim que minha Santa Santarém retome seu destino e volte às origens. Em priscas eras, na orla da Aldeia, que é a “minha praia”, contávamos inúmeros ingazeiros, cuieiras, mangueiras, curuminzeiros entre outras árvores, proporcionando sombra e frutos e de quebra servindo de abrigo para belíssimas sestas depois daquele acari assado. Dava gosto curtir o vento que permanentemente soprava.

O vento continua soprando, claro, mas não há gosto que resista à exposição em uma orla desarborizada, como de resto toda a cidade, e impermeabilizada por cimento ou asfalto e que entre 11 e 15 horas, o sol inclemente, típico de nossa região, facilmente frita um ovo.
Hoje a calorenta Santarém compara-se às mais quentes cidades que margeiam o deserto do Saara, razão de ser quase uma cidade fantasma em determinado período do dia.

Quanto custa arborizar?

Comparativamente ao custo de um quilômetro de asfalto ou os R$300mil reais (me parece que foi esse o custo) gasto no “puxadinho” feito ali depois do Mercadão 2000, quase nada.

É só abrir um buraco no chão, deitar a semente ou a muda, vez por outra regar e esperar para apreciar o “Espetáculo da Natureza” e, melhor ainda, de graça.
Feito isso Santarém seria uma cidade mais humana e por consequência menos violenta pois ouso dizer que ao calor deve ser creditado parcela considerável da violência com a qual convivemos no dia a dia. Em contrapartida a sombra nos proporcionaria mais pontos de encontro, chances para falação da vida dos outros, papos cabeça, namoros, abraços e beijos. Quem não gosta?

Estamos em plena campanha para elegermos o Executivo e o colegiado Legislativo responsáveis pelos destinos do município nos próximos quatro anos. Seria uma boa oportunidade para os meios de comunicação e as lideranças comunitárias cobrarem tal providência.
Aos candidatos fica a sugestão de colocarem tal tema em seus programas de governo. É barato, dá visibilidade e está na moda, além de perpetuar o nome do prefeito que inteligentemente se propuser a fazer isso.

Duvidam?

Ora, todos lembramos o nome do prefeito que mandou derrubar nossas mangueiras da São Sebastião para trocar por acácias, que não seria errado se chamássemos “formigueiras”, pois seus únicos frutos são formigas. Da mesma forma, lembraremos do prefeito que fizer o caminho inverso e um bom começo seria o cais, nossa sala de visitas.

Fica a dica!

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* Santareno, é advogado e economista. Reside no Rio de Janeiro. escreve regularmente neste blog.


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4 Responses to O espetáculo na natureza

  • Jseso,

    Não sei se pela foto simpática (e desatualizada!) ou pela maneira descontraída de escrever, ou até mesmo pelos assuntos que considero relevantes para Santarém, mas eu adorooooo os artigos do Helvécio.
    Pena não ter cruzado com ele na época que morava no Rio, teríamos muito papo “filosófico” pra debater, e de preferência em algum botequim da Maxwell.
    Obama estava errado. Helvécio é que é o “cara”!..rs

    Paz e Bem!

    1. Caríssima Célia, obrigado pelo carinho! O Martinho da Vila – que tem “n” livros sobre a cultura negra e, na minha opinião, deveria estar na Academia Brasileira de Letras e não certos “marimbondos” que voam de estado em estado -, diz que a melhor recompensa para quem escreve é escutar algué dizer : li v.! Nesse aspecto, obrigadíssimo! Não sei quando v. morou no Rio, mas hoje os melhores barzinhos nas redondezas da Maxwel ficam na rua dos Artistas e arrredores, local conhecido como baixo Tijuca. Tem o Bar do Adão, o Siri, o Buxixo, o Bar du Bom, o Garota da Tijuca entre outros. Fiquei feliz em v. dizer que eu sou o “cara”, pois na minha apreciação penso que estou retribuindo o seu carinho, razão de se rtitulado de o “cara”. Se compromissos profissionais permitirem em novembro estarei na Santa e espero encontrar uma sombra para trocarmos um dedo de prosa. Salvo se minha leitura estiver correta e, pelo que tenho lido, parece que v. mora em Porto Alegre ou Floripa. TAPAJOARAMENTE AZUL,

  • Eu sou carioca e, quando aqui cheguei, me surpreendi ao notar que Santarem eh bem menos arborizada que o meu Rio. Eu iaginava STM como uma cidade no meio da selva (no sudeste pensamos assim das cidades da Amazonia). E olha que Obidos e Monte Alegre sao ainda menos arborizadas…

  • E, com a primavera, vem, mais uma vez, o abuso da máquina administrativa em campanha eleitoral, com o discurso eleitoreiro da Dilma ontem em cadeia nacional de rádio e TV, paga com o o seu, o meu, o nosso rico dinheirinho… O anúncio da redução da tarifa de energia… só em 2013, veja só!… não tinha porque ser anunciado agora, em plena campanha eleitoral. Mas é o “esforço de campanha” dela para tentar ajudar os candidatos petistas que estão levando a pua em quase todas as capitais… E, por tabela, revela também, aos mais atentos pouquinha coisa, o “modo petista de governar”: enquanto o pobre terá, disque, no ano que vem, 16% de redução na conta da luz, os industriais, os magnatas, enfim, “as zelites”, né?, terão 28% de abatimento na conta. Depois ainda dizem que ese é o governo dos pobres, da revolução social e não sei mais o quê. Me engana, me engana que eu gosto… Onde está a Justiça Eleitoral que não vê esse crime definido na Lei das Eleições?

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