Abaré volta atender flona Tapajós em setembro

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Número 1 do Projeto Saúde & Alegria, Caetano Scannavino (foto) comenta o post Audiência pública sobre o “Abaré” na Alepa:

Blog do Jeso | Caetano ScannavinoDepois de todos esses meses de mobilização em torno do Caso Abaré, finalmente tive uma conversa com o prefeito Alexandre Von e gostei do que ouvi: que ele jamais cogitou a saída da embarcação de nossa região, e que não há chance alguma disso ocorrer durante seu mandato.

O desafio segue sendo garantias para os altos custos do Abaré – superiores às verbas repassadas por Brasília através da Portaria Ministerial 2.191 – preocupação esta que compartilhamos. O seu custeio (tripulantes, combustíveis, etc) é maior justamente porque conta com instalações acima da média das mais de 60 novas Unidades Básicas de Saúde (UBS) Fluvial que estão sendo implantadas na Amazônia, através da política inspirada no Tapajós.

Desta forma, não se justifica utilizá-lo de forma custosa/ociosa apenas para serviços básicos assistenciais, por isso a necessidade de sua aquisição em definitivo como patrimônio público, permitindo a gestão plena governamental para que novos recursos sejam injetados por meio da diversificação dos parceiros, serviços e programas (Hospital-Escola, Saúde do Trabalhador, etc), incrementando o papel social da embarcação e os benefícios aos ribeirinhos.

Teria ainda uma função estratégica para interiorização da medicina, ensino e pesquisa, bem como de um laboratório de boas práticas para serem disseminadas junto as outras UBSs Fluviais.

Estes assuntos também foram tratados na reunião mês passado em Brasília da atual titular da SEMSA/Stm, Dra. Valdenira Cunha, com o Ministério da Saúde. De lá para cá, houve avanços como o encaminhamento de Santarém para que Brasília inicie diretamente as tratativas com os holandeses da TDH (proprietários do Abaré) para aquisição da embarcação. Enfim, um primeiro passo de muitas negociações que ainda estão por vir.

No que diz respeito a regularização dos serviços do Abaré conforme disposto na Portaria Ministerial do Tapajós (atendimento nas duas margens do rio, frequência de retornos, dias-campo/mês), também houve avanços. Esforços dos CMSs, audiências no MPE, envolvimento maior da SESPA e um diálogo mais efetivo entre os Municípios (Santarem, Belterra e Aveiro) indicam a retomada a partir de setembro dos atendimentos do Abaré na Flona-Tapajós, onde 5 mil ribeirinhos se encontram desassistidos desde o ano passado.

Sendo assim, a audiência na ALEPA chega em boa hora, mas deve-se ter o cuidado para que um “muro de lamentações” que leve a lugar algum não predomine e ofusque a oportunidade para construção de uma agenda positiva, suprapartidária, como pede a saúde que os ribeirinhos tanto precisam.

Esperamos, sim, que nossos tomadores de decisão ratifiquem os últimos avanços no Caso Abaré, construam apoios para os desafios seguintes (que não são poucos: intensas negociações, sustentabilidade, arranjos jurídicos e interinstitucionais), sensibilizem Belém quanto a necessidade de maior envolvimento na saúde do Tapajós, e a faça entender que a Saúde da Família Fluvial é uma estratégia que veio para ficar, que poderia ser mais disseminada em todo Pará, um estado também de ribeirinhos.


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One Response to Abaré volta atender flona Tapajós em setembro

  • Enfim, a primeira notícia que se pode considerar boa vinda de políticos de um estado tão mal visto no sul do país como o nosso. Agora é torcer para que o Sairé tenha uma programação a altura do que é este patrimônio e que nossos índios sejam ouvidos quanto a insanidade de se teimar em construir hidrelétricas no Tapajós, que tantos danos sócio-ambientais vem causando à Amazônia, vide Balbina, Jirau, Santo Antônio e Belo Monte

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