Barganha fictícia

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Contraponto do professor universitário Osvaldo Sevá, da Unicamp, ao artigo Conselhos à governadora sobre Belo Monte, a lavra do médico Rui Alho:

Prezado Jeso,

Graças às maravilhas dos sistemas de busca e às pessoas que me ajudam rastreando as matérias, posso ver no teu blog santareno a carta do dr. Rui dirigida à governadora e os comentários que já chegam a nove.

Interessante que ele faz um baita suspense, e a carta vai indo bem na crítica ponderada, as menções aos desastres anteriores, Tucuruí, Carajás, Porto Trombetas, onde só as multinacionais e algumas empreiteiras ganharam, e a velha desigualdade sócio-econômica brasileira se reproduziu mais uma vez. E, infelizmente, o dr. Rui termina propondo uma barganha completamente fictícia, pois todas essas melhorias mais do que justas já deveriam ter sido feitas com os rendimentos e os impostos dos projetos anteriores, se tais coisas tivessem realmente sido colocadas no orçamento do Estado e se não houvesse tantos ralos e tão grandes.

Quanto ao fato de ” do outro lado” estarem apenas ONGs ambientalistas, poucos índios e celebridades globais, é falso, pois além de muita gente em Altamira e subindo o rio até o Mato Grosso, temos o bispo Dom Erwin, e a parte da Igreja que com ele se aliou, e pelo menos dois livros de alta qualidade, feitos por dezenas de autores cada um. O primeiro em 1988 pela Comissão Pro-Índio de SP e pela Prelazia do Xingu, e o segundo, em 2005, editado pela Intermational Rivers, org , por mim organizado e com muitos pesquisadores, inclusive de instituições amazônicas, lideranças locais e também um procurador, também santareno, o dr. Felício [Pontes], que se fosse consultado pela governadora, logo saberia que a barganha é inexequível e possivemente ilegal.

Meus respeitos ao autor, ao blogueiro e até aos comentaristas as vezes descalibrados.


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One Response to Barganha fictícia

  • Um mundo desconhecido
    Autor poeta
    Raimundo Nonato da Silva

    Tava dormindo e sonhei
    Com um lugar que não conheço
    Era um lugar deferente
    Sem fim sem meio nem começo
    Cidade desconhecida
    De casas sem endereço

    Só Deus sabe e eu conheço
    Porque avistei em sonho
    Não é um conto de fada
    Apesar de ser risonho
    Mas, o lugar é do jeito.
    Conforme aqui eu componho

    Esta cidade do sonho
    Não achei ornamentada
    Cada pedra era uma casa
    E servia de morada
    A pedra era bem molinha
    Lá de duro não vi nada

    No sul no norte que nada
    Não estar em nem um pólo
    Nem no céu e nem no ar
    Nem na água nem no solo
    Nem no alto nem embaixo
    Nem também no subsolo

    Não há nenhum ser de colo
    Neste lugar diferente
    Parte intima ficam atrás
    A nádega fica na frente
    E a cabeça é de banda
    Ninguém parece com gente

    A boca de cada vivente
    Parece um cacimbão cheio
    Cada língua dar dois metros
    Cada dente é metro e meio
    Ô povo triste é aquele
    Ô meu Deus que povo feio

    Não tem nada de beleza
    Eita lugar esquisito
    Sem cor sem comer sem água
    Não tem silencio nem grito
    Doce insosso nem salgado
    Não vi nada de bonito

    Neste lugar esquisito
    Pode crer eu lhe garanto
    Se hoje ele estiver aqui
    Amanhã ta noutro conto
    Não tem menos nem tem mais
    Tudo é de um só tanto

    O olho de cada um
    É uma fogueira acesa
    Não tem cama nem tem rede
    Não tem cadeira nem mesa
    No lugar não tem nem terra
    Lá eu vi muita tristeza

    Não tem diabo nem tem santo
    Nem o bem e nem o mal
    E quando não sobe desce
    Sempre muda de local
    Sem andar e sem voar
    E sem ser espacial

    Não tem dor nem hospital
    Nem doutor e nem remédio
    Ninguém sente amor nem casa
    Nem rói nem tem dor de tédio
    O buraco do nariz
    De cada um é um prédio

    Ninguém vai por intermédio
    Nem dela nem também dele
    Ele diz que gosta dela
    Ela diz que gosta dele
    Meu Deus que terra é aquela
    Que povo feio é aquele

    Lá eu os vi ela e ele
    Os dois numa só função
    Ele era o presidente
    Daquela triste nação
    E ela a primeira dama
    Deste país de ilusão

    Meu deus que triste nação
    Ô país ruim da peste
    Sem distrito federal
    Sem capital sem nordeste
    Sem estado e município
    Sem sertão e sem agreste

    Não tem leste nem oeste
    Prefeito é sem prefeitura
    Governo não tem palácio
    Político não tem mistura
    Lá é tudo igualitário
    Não vi ninguém com frescura

    Falei a verdade pura
    Acredite seu João
    Que lá carro anda sem roda
    Sem macha e sem direção
    Sem freio e sem gasolina
    Sem ser no ar nem no chão

    Ninguém usa arma na mão
    Diz que guerra é sem futuro
    Lá ninguém toma emprestado
    Não tem agiota e juro
    Ninguém vê um fruto verde
    Mas, também não tem maduro.

    Não tem claro nem escuro
    Eu nem gosto de pensar
    Não tem rio nem açude
    Terra montanha nem mar
    Não sei como aquele povo
    Mora naquele lugar

    Árvore e pássaro não eu vi lá
    Lá não tem vegetação
    Nem jornal e nem revista
    Radio nem televisão
    Este país só parece
    Com minha imaginação

    Tem outra lua e outro só
    Pode acreditar que tem
    Deus participou do sonho
    Que eu participei também
    Nem a metade do sonho
    Eu não falei pra alguém

    Eu ainda vi também
    Um monstro forte e graúdo
    No lugar das pernas os braços
    Ô gigante cabeludo
    Lá eu só não vi aluna
    Professor e nem estudo

    Foi o país mais graúdo
    Que em sonho pude ver
    Eu sonhei, mas é um sonho.
    Que eu queria esquecer
    Outro sonho ruim daquele
    Nunca mais eu quero ter

    Só em pensar em dizer
    Veja só causa atropelo
    Cada animal diferente
    Com cada tipo de pêlo
    Só em vê me arrepiou
    Cada fio de cabelo

    Ô meu Deus que desmantelo
    Eita lugar diferente
    Este país é tão feio
    Tem cada tipo de gente
    Nunca mais eu quero vê
    Aquele mundo na frente

    Têm cientistas inteligentes
    Que diz que são entendidos
    Que sabe um pouco dos astros
    E pensam que são sabidos
    Mas, não descobrem que Deus.
    Tem países escondidos

    Em busca de outros sentidos
    Eu vi nesta terra infinda
    Que apesar de não ser
    Uma nação ótima e linda
    Mas, tem remédio pra AIDS.
    E o Brasil não tem ainda

    Não é uma terra linda
    Mas, quem vive lá tem chance.
    De não ser vitima da AIDS
    E de não morrer de câncer
    Não tem tiro de canhão
    E nem tem míssil de lance

    O homem não tem alcance
    Sabe Deus e o meu eu
    Talvez ninguém nunca sonhe
    Um sonho como este meu
    Este sonho é um presente
    Que pai do céu me deu

    Se alguém sonhou esqueceu
    Não teve conhecimento
    Pois se tivesse podia
    Ter morrido no momento
    Muito embora esta cidade
    Está no meu pensamento

    Foi grande acontecimento
    Outro talvez não aconteça
    Um quer vê e se lembrar
    Outro pede que eu esqueça
    Só sei que é coisa de mais
    Para uma só cabeça

    Em neste país existe
    Coisa errada e coisa exata
    Menino com voz de homem
    Cachorro com voz de gata
    Num sonho eu também pensei
    Que eu era um vira lata

    De vestido eu vi barata
    De paletó percevejo
    Calça com mais de cem pernas
    Feita para caranguejo
    Uma cobra engoliu outra
    Só quando foi dar um beijo

    Eu mais nunca em sonho vejo
    Este lugar de magia
    Aonde o homem engravida
    E burra também da cria
    Mas, antes deu descobrir.
    Deus de tudo já sabia

    Não é lugar de magia
    Mas, tem acontecimento.
    Em cada canto a surpresa
    Pega a gente no momento
    Um ser com cara de gente
    E o corpo de jumento

    O jumento é o transporte
    Lá daquela região
    Pernas e braços os pneus
    As orelhas a direção
    Os olhos são os faróis
    O freio é o rabo que nós
    Paramos com puxão

    Sim antes que eu esqueça
    Neste meu sonho sonhado
    Em vulto eu ainda vi
    Doze paises de lado
    Quando eu fui vê o que era
    Na hora fui acordado

    Este tal lugar falado
    Lá não tem homens ateus
    Não tem diabo nem tem santo
    Escribas nem fariseus
    Não tem o bem nem o mal
    Também foi feito por Deus

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