Golpe de 1964: todos os lados erraram

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Advogado e historiador, Ismaelino Valente (foto) faz contraponto ao post Golpe de 1964: os dois lados erraram, diz leitor do também ximango Paulo Monteiro:

 Luiz Ismaelino Valente - Blog do JesoNão foram só os DOIS lados que erraram em 1964 e nos anos seguintes.

Foram TODOS os lados.

Isso porque tanto à direita quanto à esquerda havia incontáveis grupos antagônicos que se comiam pelo rabo como num saco de cobras.

Os generais que saíram às ruas com seus tanques (como Mourão Filho e Carlos Guedes) e os chamados “líderes civis” (como Lacerda, JK e Ademar de Barros), foram logo postos de lado pela turma do marechal Castelo Branco, que, por sua vez, acabou defenestrado pela turma do também marechal Costa e Silva, e, daí por diante, o poder se alternou entre as linhas duras “castelista” e “costista”, pressionadas, no fim do jogo, pelo pior de todos, que, felizmente, não chegou a entrar em campo para reinar, o general Sílvio Frota.

Por outro lado, a esquerda, extremamente dividida, entregou de bandeja aos milicos o pretexto para que a ditadura se escancarasse, com o AI-5, a partir de dezembro de 1968.

Hoje sabemos que, sem as guerrilhas, os assaltos a bancos e quartéis e sem os atos de terrorismo explícito, sem a morte de inocentes o poder bem que poderia ter voltado para os civis em 1969, com o vice-presidente, Dr. Pedro Aleixo, assumindo, na forma constitucional, a presidência da República, sucedendo ao marechal Costa e Silva no seu impedimento por doença.

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Em vez disso, jogou-nos a obtusidade córnea ou a eritropsia das esquerdas nos braços da famigerada e oportunista Junta Militar (a dos “Três Patetas”, como a definiu o sagaz Ulysses Guimarães).

Se a esquerda não tivesse descambado para luta armada de araque (com um pífio poder de fogo semelhante ao “dispositivo militar”, aos 500.000 camponeses armados das “ligas” do Francisco Julião e aos “grupos dos 11″ de Brizola, que garantiriam o “golpe” que se esperava de Jango nos idos de março de 1964, mas que, na realidade, sabemos hoje, eram só lorotas, incapazes, portanto, de derrubar o forte aparato militar governista, embora a tal “luta armada” fosse invocada, maquiavelicamente, como razão para o endurecimento do regime) – quem sabe não teríamos tido eleições presidenciais livres na sucessão de Pedro Aleixo, em 1970, em vez das simples “nomeações,” sucessivas, pelo “comando revolucionário”, dos generais-presidentes Médici, Geisel e Figueiredo?

Cinquenta anos depois dos eventos de 1964 – chamados de “movimento”, “golpe”, “contragolpe” ou “revolução”, seja lá o que diabo for! –, eu gostaria muito, parodiando Fernando Pessoa, que TODOS os lados tivessem a hombridade de confessar, numa Comissão de Verdade, “não os seus pecados, mas as suas infâmias”, e de contar, “não as suas violências, mas as suas covardias”. A infâmia e a covardia é que dominam o nosso país – matando, torturando e roubando! –, não só por 21 anos, como se apregoa solertemente, mas desde sempre e até hoje e sabe-se lá até quando!


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14 Responses to Golpe de 1964: todos os lados erraram

  • Karlisson concordo com tudo que voce escreveu , Tambem nao conheço um general presidente que tenha se aproveitado do cargo e tenha enriquecido roubando o dinheiro publico , Alias esses esquerdistas que so eles se julgam os donos da verdade , vIVEM FALANDO EM DEMOCRACIA E A VIDA DELES E LAMBER BOTAS DE DITADORES DE ESQUERDA, Para esses falsos democratas golpe de esquerda e chamada de REVOLUÇAO, Bando de babacas que vivem apoiando os ditadores Africanos vivem batendo palmas para OS IRMAOS cASTRO CHAVEZ PARA NICOLAS MADURO e muitos vagabundos ditadores que estao milionarios a custa do dinheiro publico enquanto seus povos vivem na miseria , O senhor Chico Correa deve ter estudado em Cuba e de la ele veio com lavagem cerebral, TE MANCA CHICO

  • Para estes analistas Dom Paulo Evaristo, que editou BRASIL NUNCA MAIS,não passa de um mentiroso da peste…

    1. Ninguém nega as atrocidades dos militares durante a ditadura. Mas ninguém deve negar as atrocidades das esquerdas no mesmo período. Devemos ser imparciais e aprender com os erros de TODOS os lados.

      1. Lê-se em Élio Gaspari, na sua tetralogia sobre a ditadura militar: em 1971, a esquerda teve 30 baixas, sendo 15 mortos e 15 “desaparecidos”. No mesmo ano, as esquerdas provocaram 21 mortes. Um horor, de TODOS os lados.

      2. A esquerda que está no poder e que sobrou da ditadura (se o general Garraztazu Médici tivesse fuzilado todos eles como Fidel, Raul e Gevara fizeram com seus opositores depois do êxito de Sierra Maestra, não teria sobrado nenhum para contar a história) sofre de amnésia seletiva. Não esquece a matança dos milicos, no que faz muito bem; mas olvidam, como se nunca houvera, a matança dos próprios camaradas, no que faz muito mal.

  • Golpe Militar jamais existiu. Principalmente esse “ golpe” descrito nos livros de Historia. As forças armadas não invadiram a política brasileira, mas sim atenderam a um pedido da sociedade que exigiu a instalação da ordem no país. A Saída do presidente Goulart foi um pedido dos empresários, da mídia, da igreja e vários segmentos que temiam uma “democratização comunista” que se desenha na época.
    Em 1964 o presidente civil foi destituído pelo Congresso, e não pelos militares, já que nenhum tiro de fuzil foi escutado. Castelo Branco foi eleito presidente pelo legislativo de 1964, inclusive com o voto de Ulisses Guimarães.
    Nos 20 anos de governo Militar, ninguém via a população ir pra rua reclamar da educação, segurança ou da estrutura do país. O ensino publico tinha qualidade, e o Brasil via a construção de obras de extrema importância para o desenvolvimento, como por exemplo as hidrelétricas. Os Ministros de governo eram escolhidos por serem bons administradores, e não por serem membros de partidos políticos como se vê hoje.
    As manifestações do povo nas ruas eram para pedir o voto para presidente. Ninguém ia pra rua pedindo o fim da Corrupção, ou a construção de hospitais “ Padrão Fifa”. Na época dos militares não se via essa expansão do tráfico de drogas, pois as fronteiras eram verdadeiramente fiscalizadas. Tínhamos nessa época uma interiorização médica na Amazônia através da Carreira de Estado, da mesma forma que juízes e promotores. Perguntem aos Médicos do Sespe como era naquela época.
    Não sei de nenhum General que ficou Rico depois do fim do seu mandato. O patrimônio desses presidentes era uma mixaria perto do patrimônio dos últimos presidentes. Castelo Branco morreu e deixou apenas um apartamento pra viúva e poucas ações na bolsa. Médici tinha apenas uma fazenda no RS, e quando adoeceu, foi se tratar no Hospital da Aeronáutica, e não no Sírio Libanês.
    Jamais defenderei as mortes e torturas que ocorreram na época, porém, jamais esquecerei que os jovens militantes da época, que atualmente nos governam, fizeram sequestros de autoridades, assaltaram bancos, explodiram carros bomba na portas dos quartéis.Parece que em termos de violência ninguém tinha a razão.
    Os militares com certeza cometeram erros. Porém, posso garantir que nenhum deles enriqueceu ilicitamente, apoiou regime cubano-totalitarista, assinou Lei sem ler direito, ou se envolveu com negócios errados na Petrobras. Nenhum dos generais apareceu embriagado em publico, falava errado, urinando-se nas calças. Não lembro de histórias de militares que construíram Porto Cubano com dinheiro do BNDS, ou empréstimos na Venezuela com a garantir do Banco do Brasil.
    Quem se lembra do Pará antes e depois dos Militares?
    Pelo que vejo, o que acabo de escrever será bombardeado de criticas. Principlamente dos meus professores de Historia que não me ensinaram essa parte do nosso passado.
    O que vocês acham?

    1. Sr. Karlisson,

      Seus professores não lhe ensinaram nada, ou se lhe ensinaram o senhor não aprendeu. Não é a toa que o senhor é contra o mais médico, não podia ser diferente, o senhor não passa de uma casta, vitima, do regime que defende, tenho dó do senhor. O senhor é resíduo da geração perigosa, felizmente minoria, da ditadura….. estude, não precisa voltar pra escola, seja simplesmente bem intencionado e honesto e não escreva besteira nociva aos olhos da geração adolescente. O senhor se comporta com um sujeito intelectualmente desonesto.
      A população não ia pra rua protestar como o senhor diz, porque seria sumariamente presa, torturada e assassinada
      Se o senhor não conhece a história recente de seu País não se meta.

      Chico Corrêa

      1. Sr. Francisco, estudei nos melhores colégios de Santarém. Se houvesse estudado nos melhores do Brasil, iria aprender o mesmo, ou seja, que jamais existiu um Golpe Militar. Nenhum soldado derramou sangue de nenhum civil em 1964.
        Grande problema seu é interpretar as coisas de forma errada. Onde você leu que sou contra o mais Médicos? O que sou contra é a FORMA que ele esta sendo feito. Lhe prometo que apos o julgamento da Inconstitucionalidade desta lei, vou lhe relatar exatamente o que penso do assunto, pois parece que ninguém pode ir de encontro a essa causa nobre chamada ” mais Médicos”
        Qual regime que defendo? NENHUM. Exponho no post acima a diferença dos generais para os últimos presidentes. Se isso te incomodou, lamento muito, mas é verdade. Me prove o contrário.
        Pode ate que eu seja resíduo de uma minoria, porém, vejo que a grande maioria dos que concordam com o cenário politico do executivo federal , na minha opinião, se encaixam em um dos perfis abaixo:
        1) Não sabem o que esta acontecendo
        2) Estão ganhando dinheiro com que esta acontecendo
        3) Ideologicamente estão cegos com o que esta acontecendo.
        Você se encaixa em qual?

  • O golpe de 1964 vinha se desenhando desde 1950 com a eleição de Getúlio Vargas, ou melhor, meses antes. A direita aglomerada na UDN, seu líder Carlos Lacerda já dizia em 1º de junho de 1950:
    “O senhor Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à Presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar.”. Getúlio foi eleito, consolidou as conquistas, criou o BNDE, Petrobras, mas diante das pressões lacerdistas e caterva, tirou sua própria vida com um tiro no peito em 24 de agosto de 1954. As sucessivas crises ocorridas no curto período entre a morte de Getúlio e as eleições de 1955 que deram a vitória a Juscelino Kubitschek e João Goulart, foi um Deus nos acuda, com os golpistas de sempre, a UDN, (sempre ela) e militares, (sempre eles) querendo impedir a posse do presidente eleito. Foi preciso o Marechal Teixeira Lott, então ministro da guerra, falar grosso e garantir a posse de Juscelino.
    Em 1960, com o apoio da UDN, Jânio Quadros foi eleito presidente e João Goulart vice pelo PTB (naquela época o vice-presidente era votado, por tanto, mais que legítimo). A curta passagem (etílica) de Jânio pela presidência já foi exaustivamente falada. O que precisa ser lembrado é a crise causada pela sua irresponsabilidade. Jango deveria assumir a presidência como vice legitimamente eleito, ai entra eles de novo: a UDN e os militares tentando impedir que Goulart assumisse o que causou a indignação das forças democráticas entre elas o então Governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola com sua campanha pela legalidade. Para Jango poder assumir foi instituído no Brasil o parlamentarismo e Tancredo Neves nomeado primeiro ministro.
    Jango presidente, convocou um plebiscito, 80 por cento da população brasileira votou pela volta do presidencialismo, mesmo assim Jango continuou perseguido.

    Os militares não receberam procuração do povo brasileiro para tomar o poder e destituir um presidente legítimo. Foram induzidos pela mídia golpista (os de sempre: globo, FSP, Estadão) UDN, os governadores Carlos Lacerda da Guanabara, Ademar de Barros de São Paulo e Magalhães Pinto de Minas Gerais e a intromissão do governo americano, de Kennedy e Lyndon Johnson, que através do seu embaixador Lincoln Gordon mobilizaram suas forças e chegaram até ventilar intervenção.

    Os dois lados erraram uma ova. Quer dizer então que Jango errou por ter assumido o lugar que era de direito? Brizola errou porque reclamou e exigiu a posse do vice presidente legitimo. Se derem um golpe agora (tok,tok,tok,) daqui a 50 anos vão dizer que o Lula errou porque se candidatou e se elegeu presidente da republica, foi uma provacação do metalúrgico retirante. Tirar milhões da miséria e proporcionar acesso a outras centenas de milhares ao estudo superior. Vão dizer o mesmo de Dilma, como uma mulher se atreveu a tanto, minha casa minha vida, mais médico, isso foi coisa de comunista. Ganhar do candidato das elites foi uma afronta, tinha que deixar o Serra ganhar e assim evitar o golpe.
    O que aconteceu depois do golpe foi conseqüência. Porque então esperar até 1970 e depender o humor dos golpistas para eles devolverem ou não o poder através de eleições livres. Por que então não deixaram que fossem realizadas as eleições de 1965 já que tinha partidos legitimos e candidatos definidos, Juscelino era um deles, porque esperar 1970.
    Ora, Ora.

    Chico Corrêa

    1. Não era o caso de “esperar até 1970”. Era o caso de “antecipar” a volta à normalidade democrática, pelo menos formalmente. Em 1965 não houve eleições porque, como eu disse, os oportunitas do grupo de Costa e Silva atropelaram Castelo Branco, que, fraco, acabou cedendo. e voltou atrás quanto às eleições para presidente em 1965. Sem a “luta armada” de araque, repito, o discurso militarista não teria substância e não se sustentaria até 1985. É fato.

  • Parabéns, dr. Ismaelino!
    Aprecio a sobriedade e a imparcialidade. Vamos investigar e punir assim.

  • Parabens pela analise Dr. Ismaelino !

    A esquerda e os esquerdopatas de plantão carecem de senso critico !

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