Turismo turbinado com estereótipos

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Jornalista e empreendedor, Paulo Leandro Leal comenta o post A selvagem…” perpetua estereótipos, da lavra de Anselmo Colares:

O ser humano se diferencia das outras espécies, também, pelo fato de cada indivíduo ter visão diferente de um mesmo fato. E a democracia é o melhor sistema que permite a cada um expressar sua visão sobre determinado assunto. Por isso, escrevo aqui minha visão sobre a polêmica gerada pelo episódio “A Selvagem de Santarém”, do seriado As Brasileiras, veiculado pela TV Globo.

Primeiro, creio que os intelectuais que aqui se expressaram não atentaram para o fato de que o próprio programa faz uma ironia ou uma crítica com o estereótipo da Amazônia selvagem, como se o mesmo não existisse mais e fosse apenas isso mesmo, um estereótipo, usado por nativos e outros para atrair turistas e faturar com isso.

E ai que entra a deixa do programa, que deveria servir, isso sim, para nos fazer acordar para uma realidade que salta aos olhos e não nos envolvermos em mais uma discussão ideológica que vem sendo feita há bastante tempos e sem muitos resultados conhecidos.

O que é o festival de Parintins, se não uma exploração muito bem sucedida do estereótipo da Amazônia selvagem? E o próprio Sairé não passa de um produto turístico – ainda que desorganizado e carente de profissionalização – criado a partir do imaginário amazônico.

O fato que é estes produtos turísticos demonstram que o que o turista quer mesmo ver aqui na Amazônia é este estereótipo, mesmo que saiba o peso fictício ou folclórico do que está sendo vendido ali, seja uma simples fantasia de índio, um olho de boto ou uma cabocla com trajes quase imperceptíveis.

A Amazônia é de uma complexidade ímpar, com problemas diversos, inclusive os problemas vividos em grandes centros urbanos do País e do mundo. Temos grandes metrópoles, com arranhas céus, problemas como falta de saneamento, favelas, drogas, violência, etc. Entretanto, o turista não vem a Amazônia buscar isso.

Estas questões ficam para os pesquisadores, políticos e lideranças sociais e do terceiro setor. O turista vem em busca da Amazônia selvagem, mesmo que isso seja cada vez mais, um estereótipo.

Não cabe a um simples programa de televisão, puramente fictício, criado com o objetivo de entreter, discutir as complexidades e a realidade da Amazônia. O episódio de As Brasileiras foi um presente para Santarém, na medida em que mostrou gratuitamente a milhões de pessoas as belezas naturais exuberantes de uma cidade fantástica, que pode ser sim um grande pólo turístico explorando exatamente este estereótipo do imaginário amazônico.

Talvez fosse interessante analisar a situação de outro ângulo. Quanto custaria se Santarém resolvesse veicular uma campanha publicitária no horário nobre da TV Globo para divulgar nossos atrativos turísticos? Algumas dezenas de milhões, certamente. Tivemos isso de graça. Agora vamos imaginar como seria esta campanha? Iríamos mostrar Alter do Chão, as praias, a floresta, a Catedral, o encontro das águas ou iríamos mostrar o que?

Vem ai a nova novela das seis. E tome mais estereótipos. Vão divulgar, mais uma vez, nossas belezas naturais e nossa parte mais “selvagem”. Seria muito bom se Santarém aproveitasse este momento, esta divulgação, e se preparasse melhor para receber os milhares de turistas que certamente irão vir à cidade em busca daquelas belas imagens veiculadas pela Globo.


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12 Responses to Turismo turbinado com estereótipos

  • Tem que haver os esteriótipos!

    Pois, se apresentar as coisas como elas realmente são por Santarém, não vai haver graça alguma.

  • Paulo,

    A tua visão é interessante, se quisermos nos contentar com muito, muito pouco.

    Telma

    1. Em função de uma gripe infernal, alguém poderia me informar onde conseguir bombom de alho ou picolé de andiroba?

      1. Isso é para Sra. Telma e mais alguns chatos dq né???Kkkkkkkkk, Caraca meu, o lado ideologico dessa galera é tão profundo que certamente se a GLOBO fizesse uma novela aqui com 200 capitulos aqui em Santarém e passasse no horario nobre das nove da noite mesmo assim Telma e cia não se contentariam.

    2. Telma eu trabalho com a realidade . Sei que sempre devemos ter o ideal no horizonte, mas se não colocarmos os pés no chão e trabalharmos com o que temos, nunca chegamos a lugar algum. No caso específico trato do segmento do turismo, mas obviamente sei que temos outras atividades e cada uma poderia gerar um tratado sociológico. Mas tratados sociológicos não enchem barriga, não geram empregos nem renda para a população. Não é inteligente dispensarmos as oportunidades que nos são ofertadas só porque as mesmas não nos conduzem ao mundo ideal ou idealizado.

  • Parabéns! Sensata e correta análise. Tiremos proveito desse presente dado a Santarém.

  • Pró-Reitora da UFOPA reprovada no Doutorado

    A Senhora Arlete Moraes, atual pró-reitora de Administração da Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA, com sede em Santarém, foi reprovada na seleção para o Curso de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.

    A curiosidade é que o reitor José Seixas Lourenço pretende formar um quadro docente em sua maioria de doutores, mas mantém numa das suas principais pró-reitorias uma professora reprovada para o curso de doutorado. Haja contradição.

    A Senhora Arlete Moraes guarda essa informação a sete chaves, já que dentro da Universidade ela tenta ser mais realista de que o rei e não pretende perder a pose.

    Melhores informações podem ser obtidas no site: https://www.ppgg.igeo.ufrj.br e procurar pela seleção já mencionada.

  • Concordo com você Paulo. Sou de Santarém e fiquei feliz com o que foi apresentado sobre as belezas naturais que a cidade possui. Eu esperava que isso fosse apresentado para o Brasil e foi o que aconteceu. Também só analiso as oportunidades onde muitos “intelectuais” analisam para gerar mais polêmicas.

    Fiquei feliz, mas fico triste quando lembro que a cidade não possui toda a estrutura necessária para aproveitar o máximo do seu potencial turístico. Santarém precisa ser reestruturada com urgência e novos epreendimentos turísticos devem ser criados visando atender a demanda que só irá aumentar, principalmente durante a copa de 2014.

  • Concordo com o Paulo,com o” incentivo turistico” que temos proveniente do município e do Estado,jamais divulgaríamos nossa bela região como a Globo fez.Vamos aproveitar a deixa e criar um jeito de cada vez mais atrairmos turistas para Santarém.E daí se os desinformados pensam que na amazonia só tem indio??vamos tirar proveito disso!!!

  • Paulo Leandro,

    Desta vez vou ter que tirar o chapéu.

    Muito boa sua contribuição.

    Tiberio Alloggio

    1. Obrigado Tiberio. Eu acredito que Santarém possa ser mesmo um modelo de desenvolvimento sustentável explorando principalmente o turismo, que é uma indústria 100% sustentável, usando nossos recursos naturais, nossas belezas e, principalmente, o imaginário amazônico. Mas para isso é preciso ter uma decisão e comprometimento de todos e criar um plano de desenvolvimento para área, estratégias de promoção e qualificação para receber. Com profissinalismo podemos chegar lá.

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