O juiz federal Airton Portela avisa: Santarém pode amargar um baita prejuízo com o censo que o IBGE ora realiza.
Leia também:
Juiz federal critica ruas esburacadas.
Hoje, em seu twitter, o magistrado assevera que a estatal já “recenseou 53% da população” do município santareno.
Desse modo, segundo ele, a população estimada deverá chegar a 275.701 habitantes, com crescimento populacional de ínfimos 5% em relação ao censo realizado há 10 anos.
— ARTIGOS RELACIONADOS
Alguma coisa deve estar errada nessa contagem, desconfia o juiz.
E ele faz um comparativo:
– Pelos mesmos critérios, Marabá, com as mesmas características, crescerá 17% no mesmo perído (2000 a 2010).
Como se sabe, a população é a base de cálculo do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), uma rendosa fonte de receita constitucional canalizada aos municípios brasileiros.
Em 2009, por exemplo, Santarém foi contemplado com algo em torno de R$ 40 milhões de FPM.
Por fim, o juiz santareno dispara no seu microblog:
– Moro em condomínio com 28 domicílios ainda não recenseados. Aliás, em minha vida toda nunca recebi visita de recenseador algum.
Não somos obrigados a entender de ciência atuarial, matemática, estatística, mas daí a duvidar da metodologia do IBGE só porque não a conhecemos, é exagero. Muitos brasileiros podem dizer a frase “nunca recebi um recenseador em minha casa” e estarem certos. O IBGE realiza AMOSTRAGEM e, através desta amostragem faz estimativa. Visitar os lares de todos os brasileiros seria humanamente impossível, é por isso que existem metódos científicos e também algo que se denomina de “margem de erro”. Será que também já está sendo considerado que Mujuí dos Campos, um distrito com enorme população já não faz mais parte de Santarém? Que Marabá tem recebido cada vaz mais migrantes pois aparece na revista Veja como o “Tigre da Amazônia” enquanto Santarém só anda pra trás e por isso o fator “migração” na Pérola do Tapajós tem sido irrelevante?
No Censo, o IBGE deve sim, teoricamente, visitar todos os domicílios. Ocorre que dentro do Censo é aplicada uma amostragem com perguntas mais abrangentes, pois não seria viável aplicar em toda residência um questionário amplo.
A liberdade de pensamento é uma benção, um direito do cidadão. É muito bom que as pessoas questionem, pois assim as dúvidas podem ser esclarecidas. Só se deve ter cuidado ao se levantar suspeitas ou acusações infundadas. O site do IBGE contém inúmeras informações para quem deseja entender o Censo e o funcionamento de outras pesquisas. Visitem: https://www.ibge.gov.br.
O IBGE é uma das poucas instituições públicas sérias em nosso país.
Não se pode dizer ainda qual será a população total de Santarém, visto que foi recenseada a metade da estimativa e não a metade da realidade. Para confirmar ou alterar as estimativas é que se faz a contagem dos moradores.
O IBGE está aberto para a participação da sociedade civil nos trabalhos do Censo, tanto que faz reuniões períodicas com representantes da sociedade para acompanhamento de seu trabalho. Inclusive, as prefeituras são convidadas a participar dessas reuniões.
O fato de apenas a cada 10 domicílios se aplicar uma amostragem não quer dizer que o trabalho é mal feito. Só pensa assim quem não entende a metodologia da pesquisa. Todos os domicílios devem ser recenseados e apenas alguns são selecionados para responder um questionário mais abrangente da amostragem. Mas todos respondem ao questionário principal.
Sobre o fato das pessoas dizerem não ser recenseadas acontece que: o recenseador visita a família, fala com apenas um morador que informa sobre os outros, mas depois não avisa aos demais que o recenseador os visitou; ou a família nunca tem tempo para receber o recenseador e não responde ao Censo, mesmo com a insistência deste servidor.
Enquanto isso os processos se acumulam nos tribunais…
Jeso,
Com todo respeito ao eminente magistrado, mas há um equívoco na observação por ele feita a respeito do contingente populacional do município de Santarém. veja que ele projeta a população real total com base no valor estimado para 2010, que seria de 276.665 e ignora a estimativa do número de domicílios. Ocorre que esse número não pode ser aceito como o definitivo e real, por isso mesmo é uma estimativa que pode se confirmar ou não.
Agora veja só esses números disponíbilizados hoje pelo IBGE.
Foram recenseados 37.580 domicílios nos quais foram encontrados 155.703 habitantes, com média de 4,14 moradores por domicílio. ( o que é absolutamente normal e o esperado).
Se considerarmos como razoável a estimativa do número de domicílio para 2010, que é 83.838, ainda há 46.258 domicílios a recensear. Como a média moradores por domicílio encontrado até aqui tem sido de 4,14, então encontraríamos nos domicílios ainda não visitados 195.508 habitantes, que somados ao povo já recenseado totalizaria uma população de 347.211, o que é evidentemente um exagero por conta, na minha opinião, do superdimensionamento na estimativa do número de domicílios que a meu ver não chega a 75.000.
Não seria melhor esperar os resultados do censo antes de dar palpites?
Todo mundo faz assim, inclusive as prefeituras que podem questionar o IBGE caso sejam evidenciadas diferenças gritantes.
Comparações na base de chutes…
Tiberio Alloggio
…desvendar tais números.
Muito bem levantada esta questão.
Meu imóvel teve a oportunidade de ser recenseado em Santarém, e fiquei surpresa em saber da modalidade do censo este ano: somente se aplica o formulário COMPLETO a cada 10 imóveis.
Fui a ‘sorteada’ com 5 perguntas simbólicas, que sinceramente me deixaram a mesma preocupaçao do Sr. Portela (Juiz do post acima).
Há uns vinte anos, ouço falar no mesmo número para a populaçao de Santarém, cerca de 270 mil e nunca passa disso. E demais especulações sempre citando que se ‘aproxima’ a 300 mil, porém nunca se chega a isso.
Convenhamos porém, que Santarém recebe e assistencia o oeste do Pará inteiro. Lucra muito pouco com isso, e agora pode ser este o péssimo reflexo.
Certamente um trabalho efetivo de políticos sérios, estratégicos,que fosse de fora da região até (pois dos de ‘casa’ já esperamos tempo suficiente para se nada se ver), poderia levar a fundo o trabalho do IBGE, e desvendar