por Everaldo Martins Filho (*)

Quando Carolina nasceu, minha filha querida, eu contava vinte e cinco invernos. Festejei, no fevereiro seguinte, então vinte e seis, que até hoje celebro.

E escrevi: “mais velho, de novo. E novo, de mais velho”. Porque novo, de novo, sempre, mesmo que mais velho sempre. Porque temos um ano a mais, sempre, a cada doze meses que festejamos um ano a mais. E ansiamos, sempre, por mais um ano de satisfação, alegria, prazer e contentamento.

Como uma década depois, nasceu meu filho querido, Everaldo Martins Neto. E nesse período, até ele, casei de novo, fui vice-prefeito de Santarém. Vamos vivendo, comemorando mais um ano, melhor e de encanto, com o tempo passando, há dezessete e vinte e sete anos. Até que começamos a olhar mais para trás do que para frente.

Niemeyer, o arquiteto, aos cento e cinco anos, perguntado por sonhos, disse que não tinha mais. Que tinha vivido todos. Disse sorrindo e olhando para trás. Niemeyer é para sempre e não é mais somente pra frente ou pra trás. É para qualquer lado, a qualquer instante ou momento. E iluminado. Linha reta ou linha curva; túnel, rampa, sem cúpula; ponte, praça, coluna; prédio, projeto, luva. Niemeyer é um desenho com asas e um esboço que não se acaba, que jamais passa.

Uma manhã, em 1974, quis ser arquiteto. Graças ao irmão Ernesto, do Dom Amando, o colégio, que me apresentou ao compasso e a régua, o meu professor do ângulo reto. Hoje sou médico e especialista em rins. Órgão em par, cada um podendo permitir até cento e quarenta anos de vida. Se cuidar, ele aceita resistir, cada rim.

São quase trezentos anos, os duzentos e oitenta da soma. Eu quero essa conta. Mas sei que Matusalém é divino. E do livro. E que a ciência, como a filosofia, a arte e a religião, também o são. Ou divinas, de Déa, de Deusa, são invenção, criação. Tomara que Deus, em quem estamos acostumados a crer e a dizer, por sua vez, me possibilite, pelo menos, mais cinquenta e três parabéns.

Antes do happy end, rezo. Torço. Prezo. Reparo. Desejo. Peço. Almejo. Acolho. Quero. Protejo. Abraço. Espero. Completo 53, sem segredo, porque hoje é primeiro de março, dia que fui registrado. Mas como fui dado à luz em 29 de fevereiro, faço treze anos e um quarto, porque 2013 não é um ano bissexto. E eu nasci em 1960, três e meia de uma tarde dominical, sem aperto. Domingo de carnaval, domingo carnavalesco. No Sesp, antiga Unidade Mista do Serviço Especial de Saúde Pública, hoje Hospital Municipal.

Mãe enfermeira e visitadora, a dona Selma Carolina, e pai médico e cirurgião geral, o Dr. Martins, que trabalhavam no local. Pelas mãos de uma atendente – ou era auxiliar? – de enfermagem, a dona Vilany, que era maternal. Como outra mãe, mesmo no hospital. De parto normal, natural.

Além de pai, pela generosidade celestial e médico por profissão, sou irmão da Maria do Carmo, da Emília e do Carlos Eduardo. Além de neto, primo, tio, padrinho, cunhado, sobrinho, de familiares Colares, Cardoso, Souza e Martins. Sou político por gosto e por livre opção. E canto música popular e regional, amazônica e santarena, brasileira e paraense, no grupo “Canto de Várzea”.

E de lá com o João, também médico, Otaviano, cardiologista, que tem a voz mais bonita da região e da nação, e do mundo todo, ao violão. Cantamos Otacílio e Samuel, Álvaro e Beto Paixão. De Óbidos, Eduardo Dias e Chico Malta, de Alter do Chão. Ray Neves, de Almeirim, e Maestro Isoca, Maria Lídia, Jana Figarella e os poetas do mesmo nosso torrão, Santarém da Conceição.

Ainda quero sonhar acordado novos sonhos, muitos. Hoje, porém, quero apenas erguer a taça e agradecer a CADA DIA QUE VIVI. São manhãs humildes, amiúde solares, ensolaradas; mas nubladas e molhadas de chuva, na estação; e de estudar e trabalhar, uma lição; são matinais de fé, também, de oração.

São tardes doces, suaves, quentes de calor, e apaixonadas; tardes lentas, para namorar; e para viajar, de férias, passear, visitar outros lugares; e tardes de uma outra possível revolução, social, econômica, cultural, contra a alienação; e as noites divertidas, às vezes escuras, até frias, são cheias de crianças, da família, de vizinhos e de amigos; quase sempre prateadas, noites de luares, e de televisão e de canção, quando não tem outra reunião, de política e participação; de madrugadas amazônicas, os dias que vivi são; provedoras de romance e de cama – que o corpo descanse! E cheios de estrelas e lendas para alumiar, as madrugadas da imensidão, os caminhos da aurora e do meu coração.

Agradeço a Deus e às pessoas enviadas por Ele, para me oferecer carinho, amizade, coragem e solidariedade. Amigos, amigas, companheiros, companheiras; parentes ou não, papai, mamãe, irmãs, irmão, sobrinhos/as, minha filhona e meu filhão. É para cada um e cada uma essa lembrança e a minha gratidão.

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* Santareno, é médico.

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13 Comentários em: Festejo e agradeço. São 5.3

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  • Luna disse:

    Tomara que mais um ano lhe ensine a refletir e enxergar que ser humano nao foi feito para ser maltratado pela sua familia,….Tomara que tenha um dia que passar pelo que vc tem feito tantos coitados passar….

  • João Guilherme disse:

    Parabéns Everaldo.
    Sempre que possível acompanho via internet os nossos colegas que o tempo encarregou de serem hoje amigos.
    Belos tempos belos dias.
    Lembro como hoje as nossas aulas de desenho com irmão Ernesto. Uma manhã exatamente a quarta aula nós fomos para a sombra da mangueira que ficava em frente à cantina e tivemos a aula prática “determinação do Pi”. Simples, porém significativa com um barbante e dois piquetes de madeira, que se cravou no terreno para marcar com exatidão um centro do círculo. No terceiro ano você estava em Belém, no colégio Nazaré, e nossa turma no Dom Amando teve oportunidade de ter o irmão Ernesto novamente como professor.
    Um braço a você Everaldinho e Do Carmo, Lito e Emília.
    J.

  • Sandro Lopes disse:

    Feliz daquele que chega um pouquinho mais de meio século podendo narrar sua história, rica e cheia de realizações . Parabéns , felicidades , saúde , paz e sucesso . Que Deus continue iluminando seus caminhos .

  • observador disse:

    Grande Dr. Everaldo, parabéns pela determinação como homem público e por ser generoso como pai e amigo.

    Parabéns.

  • joana disse:

    Parabéns, Doutor Everaldo a dádiva da vida deve sim ser celebrada com alegria. Admiro sua opção de vida por isso levanto um brinde e desejo-lhe muitos anos de vida

  • Paulo Cidmil disse:

    Belo texto, revela alguem realizado que não perdeu a capacidade de sonhar, Parabéns Everaldo. Como aqui vc falou de sua familia aproveito para externar minha imensa gratidão ao seu pai, que um dia não permitiu que eu me fosse, ainda criança, devolvendo-me a vida na mesa de cirurgia do Hospital Municipal, o nosso SESP.
    Felicidades pra vc.

  • jefson Luiz disse:

    Parabens pelo niver e pela escrita,já podes compô pra música ,veia poética vc tem,abraço mano.

  • jefson Luiz disse:

    Parabéns cabôco, pelo niver pela escrita,tens que começar a compor pra fazer música,veia poética vc tem, abraço ,mano.

  • Ubirajara Bentes Filho disse:

    Pai d’égua! Sensibilidade n’alma!

  • DJMattus disse:

    Eira, eira, eira acabei de ler uma “besteira”! Sou também poeta! Meu Deus do Céu!

  • ""Santa"" disse:

    Uma coisa é certa: 98% disso que vc quer está nas suas mãos. Falhas vc tem umas inclusive graves como todo ser humano , assim como vc tem virtudes como qualquer pessoa. Então se vc conseguir enfrentar e vencer teu maior inimigo (não é o Lira Maia) é o que está dentro de vc – mania de pisar nos outros so pq vc POR SORTE (quem ganhou pra prefeito e ficou 8 anos foi a tua irmã a do Carmo, vc so se encaixou nisso pra pisar e tentar pisar em muita gente QUE NÃO MERECIA .
    Vc gostaria que alguém pisasse em um familiar seu?? O que vc faria?? No minimo vc riscaria o infeliz da sua lista branca!!
    Vc não precisava ser um frouxo, de jeito nenhum!!!!! Por outro lado ninguem precisava e nem queria um Hitler ! Ouvi falar muito mas muito bem de teu saudoso pai Dr. Everaldo, os antigos quando pergunto , unanimamente respondem AQUELE SIM , ERA UM HOMEM SIMPLE S E JUSTO, muito justo seria incapaz de pisar em alguem principalmente de MODO INJUSTO, outra característica de um grande estadista que teu saudoso pai tinha: ele não fazia qualquer coisa por dinheiro . Isso é coisa em extinção hoje em dia, correto?! Teu pai , Everaldo Filho, teu pai , aquele sim foi um ESTADISTA, UM GRANDE ESTADISTA ,se fosse vivo e novo como vc, certamente estaria no Congresso Nacional representando nossa região oeste do Pará. Vc não pode mudar o passado mas vc pode , se encarar e vencer teus enigmas , mudar o futuro pra melhor.
    Parabéns pela passagem do teu aniversário.

  • Anônimo disse:

    QUA QUA QUA QUA…..

  • Parabens ao pai de família, médico e grande homen público, discordo de muitas idéias, mas tenho respeito.
    Parabens pelos seus 5.3