UFOPA, 1 ano

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4 Responses to UFOPA, 1 ano

  • O EXCELENTÍSSIMO REITOR PRÓ-TEMPORE E SEUS CAVALEIROS DO APOCALIPSE

    Apocalipse. Guerra de proporções bíblicas. É a impressão que tenho frente a tudo que tenho visto na Universidade Federal do Oeste do Pará. Uma guerra sem corpos apodrecendo no chão. Uma guerra em que todos os atingidos vão tendo suas possibilidades negadas e sua vida cerceada, não morrem, ao invés disso, são cruelmente privados de viver de forma mais plena, e o pior, comumente sem saber que estão em um campo de batalha e sem ver seus ferimentos profundos, que atingem a alma, o pensamento.
    Os rumos que a Universidade está tomando são muito maiores do que eu e você, talvez maiores do que todos nós. Mas afinal, talvez ninguém mais saiba qual o papel da Universidade. Porque ela existe? Para quem ela existe? Será que para atender aos interesses de uma minoria social interessada em mão de obra barata com uma qualificação medíocre, dentro de um modelo neoliberalista de sucateamento da Universidade e empobrecimento e simplificação de seus cursos, referenciado por projetos “inovadores” criados no período dos governos militares? Se existem nichos de formação do quadro de funcionários das grandes corporações transnacionais – corporações que possuem força maior que os próprios governos nacionais – em umas poucas Universidades escolhidas a dedo aqui no Brasil, porque investir em todas as Universidades de nosso país? Mais econômico é implantar um modelo simplificado, mínimo, flexível, escalonável, compartimentado de Universidade, travestido de uma pseudo-interdisciplinaridade. Clara coordenação em meso-escala com o social-liberalismo que vemos em macro-escala no país. Será que para que possamos ter uma Universidade com alguma qualidade, tem que haver interesse de alguma parcela da burguesia, detentora dos meios de produção e portanto, hábil a negociar o valor de nossa força de trabalho? Na palestra do Prof. Dr. Roberto Leher, para diversos de nós, acredito que as últimas peças do quebra-cabeça se encaixaram, e ficaram claros os porquês da Reitoria Pró-Tempore, que é um órgão executivo dentro da Universidade, atualmente se auto-investir de caráter legislativo. É o rolo compressor posto para esmagar nossas vozes e nosso poder. Mas lembremos que se ela é um órgão executivo dentro da Universidade, alguém tem que lhe dizer o que fazer, e esse alguém somos nós estudantes! Excelentíssimo Reitor PRÓ-TEMPORE Seixas Lourenço, poupe-nos tempo e RENUNCIE SEU CARGO! Restante da Reitoria, esqueçam seus sonhos de grandeza! Nós, estudantes, acordamos da letargia em que fomos postos e somos cada vez mais numerosos. Não vamos abrir mão de sequer um milímetro da Universidade que queremos, de mãos dadas com a comunidade do Tapajós e os movimentos sociais.
    Nós Estudantes, somos o sangue que pulsa nas veias da Universidade! Todos e cada um de nós vão escolher uma Universidade democrática, livre, que se misture com a comunidade e crie e molde seus conhecimentos tendo como referência nossa região e todo o que ela tem para nos dar e receber.

  • UFOPA: parabéns?

    Completado 1 ano da sua “existência” a Universidade Federal do Oeste do Pará; “criada” a partir do homicídio qualificado contra às vítimas UFPA-Campus Santarém e UFRA-Campus Tapajós, no dia 05/11/2009 bem longe daqui, numa Brasília distante; é momento oportuno para parabenizações.

    Parabéns ao ministro Hadad pelo seu superpoder de concentrar em sí todos os votos democráticos da comunidade acadêmica e indicar imperativamente o reitor.

    Parabéns a todos que seguiram a cartilha do MEC à risca e souberam criar o que já fora criado, inovar o que não era novo e experimentar o que já fora recusado.

    Parabéns ao Planejamento por trazererem doutores para sem salas e alunos para sem aulas; aos alunos que ficaram brigando entre sí pelos arremedos de salas.

    Parabéns por termos uma universidade dividida em duas, pois caminhar de um lado para outro faz bem à saúde.

    Parabéns para nós que aprenderemos sobre a Amazônia como se não fossemos daqui.

    Parabéns aos vestibulandos que serão selecionados por prova sem contexto amazônico; que como não sabem para onde vão, não importa para onde vão, mas terão que aprender dentro da universidade, juntamente com seus colegas-adversários.

    Parabéns àqueles que cursarão Fisimática, Químiologia e Geogratória, nossos estudantes secundaristas estão eufóriocos para aprender seus conhecimentos mutantes.

    Parabéns pela ausência dos Cursos de Filosofia, refletir encomoda mesmo; do Curso de Turismo, pra quê a floresta em pé?; do Curso de Medicina, já que temos muitas benzedeiras.

    Parabéns à (in)Segurança por criar o “AI-5 universitário” e limitar o acesso ao espaço público da universidade. Pois, a melhor forma de vigilar as pessoas numa universidade é não deixá-las entrar no que é seu.

    Parabéns ao Conselho Universitário por não existir. A vocês que não existem, nossos sinceros agradecimentos.

    E finalmente, parabéns a todos acadêmicos, professores, técnicos e aos movimentos sociais que reagiram e àqueles que não se moveram da carteira, suas omissões foram imensamente salutares.

    Figueira
    (UFPA)

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