
A ausência e a dificuldade de inserção de mulheres nos espaços de poder no Brasil esbarram em obstáculos que, muitas vezes, vão além do machismo estrutural.
Em um vídeo publicado em suas redes sociais, a advogada, professora e candidata a deputada estadual pelo Novo, Neyla Braga, expôs uma face ainda mais dura dessa realidade: as críticas e os julgamentos que candidatas mulheres recebem do próprio eleitorado feminino durante a campanha.
Natural de Monte Alegre (PA) e disputando sua primeira eleição para a Alepa (Assembleia Legislativa do Pará), Neyla utilizou suas redes sociais para fazer um relato franco sobre os bastidores da corrida eleitoral.
No vídeo, ela relata a frustração de perceber que, em um ambiente historicamente dominado por homens, a almejada sororidade nem sempre se concretiza na prática. O desabafo de Neyla joga luz sobre as barreiras culturais severas que dificultam a caminhada feminina na política, evidenciando que a resistência a novas lideranças de mulheres muitas vezes parte da própria parcela que compõe a maioria do eleitorado.
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Militância social
O choque com a realidade da política tradicional, relatado no vídeo, contrasta com a longa trajetória de Neyla no ativismo social, terreno onde atua há 18 anos. Sua decisão de migrar do terceiro setor para a política partidária, segundo entrevistas recentes ao JC, nasceu da indignação com a falha do Estado na prestação de serviços básicos.
A principal vitrine de seu trabalho é a defesa das mães e famílias atípicas.
Mãe de duas crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a candidata transformou sua vivência no projeto “Mãos que Transformam”. A iniciativa, que atua de forma independente há mais de dois anos, custeia consultas especializadas para crianças com risco de TEA, suprindo um vácuo deixado pela saúde pública no Baixo Amazonas.
É essa proximidade com as carências da Calha Norte que pauta seu discurso. Neyla tem sido uma voz crítica em relação ao isolamento da região, classificando como “desumana” a falta de infraestrutura viária e de assistência médica de alta complexidade. A candidata defende a construção urgente de um hospital regional e repudia a transformação da saúde em “moeda de troca” durante o período eleitoral.
O teste das urnas para a renovação
Aprovada no rigoroso processo seletivo do partido Novo, Neyla Braga se apresenta como uma candidata de valores conservadores, defendendo a ética na gestão pública e o respeito à família. Em sua campanha, ela busca transpor a experiência que também acumulou no setor privado, como ex-proprietária de empresas em Santarém, para dialogar com os desafios do empreendedorismo local.
Apesar das críticas e das dificuldades relatadas no vídeo que viralizou, a candidata mantém o apelo para que mais mulheres não recuem diante da hostilidade da política.
O desempenho de Neyla Braga nas urnas servirá como um termômetro na região oeste do Pará: testará se o engajamento digital e o histórico de trabalho comunitário são ferramentas suficientes para romper o teto de vidro e as velhas práticas da política tradicional paraense.
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