
Ádria Albuquerque, presidente do Sindicato de Servidores Públicos Municipais de Monte Alegre (PA), revelou em entrevista à TV JC o agravamento da crise entre o funcionalismo público e o prefeito reeleito da cidade, Júnior Hage (PP).
Em seu segundo mandato à frente da entidade que representa mais de 800 trabalhadores, a sindicalista denunciou uma rotina de assédio moral e eleitoral dentro da prefeitura, o fim do diálogo com o Executivo municipal e classificou o atual governo como a “pior gestão” que a cidade já teve para a categoria.
Sem diálogo
A tensão ganhou contornos drásticos quando o prefeito Júnior Hage utilizou as redes sociais para eleger o sindicato abertamente como um adversário de sua gestão. Para Ádria, o posicionamento demonstra falta de conhecimento sobre o que é a administração pública.
Segundo a presidente, ao contrário de gestões anteriores onde o diálogo existia mesmo em meio a greves, a atual gestão cortou todas as pontes. “A nossa via de trabalho no sindicato só tá sendo pela parte judiciária. Não tem mais diálogo com a atual gestão”, ressaltou.
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Assédio moral e eleitoral
O ponto mais crítico abordado na entrevista foi a denúncia de assédio moral sistêmico, intensificado no período eleitoral.
Ádria relatou que servidores contratados e concursados sofrem forte pressão psicológica para apoiar e fazer campanha para os candidatos indicados pelo prefeito, incluindo a irmã do gestor, que disputa um cargo legislativo. Trabalhadores são ameaçados de perder gratificações, sofrer remanejamentos para áreas distantes ou não ter seus contratos renovados caso não obedeçam às diretrizes políticas.
O caso chamou a atenção do Ministério Público do Trabalho (MPT), que precisou intervir e firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o município. Como resposta, a prefeitura abriu uma sindicância interna para apurar os fatos, medida que a sindicalista vê com desconfiança.
“Como é que os próprios assediadores vão se autofiscalizar?”, questionou.
Fake news
A batalha ultrapassou os limites do Executivo e chegou à Câmara de Vereadores. A sindicalista relatou que parlamentares da base governista têm usado a tribuna para espalhar desinformação sobre o sindicato.
Ela citou o caso do vereador Jair Paraná, que afirmou que as contribuições sindicais dos servidores deveriam ser usadas para comprar ambulâncias e reformar prédios da prefeitura.
Ádria repudiou a fala, lembrando que os recursos do sindicato servem exclusivamente para garantir a defesa jurídica e os direitos dos trabalhadores, o que inclui a manutenção da sede própria da entidade. Devido aos ataques, o sindicato ingressou com ações na Justiça contra os parlamentares e contra o próprio prefeito.
“A pior gestão”
Com 19 anos de serviço público e tendo acompanhado diversos governos, Ádria fez um balanço duro do atual cenário em Monte Alegre. Segundo ela, a categoria nunca esteve tão adoecida psicologicamente, com servidores de carreira desmotivados após décadas de trabalho.
“Com certeza essa é a pior gestão que Monte Alegre já teve para o funcionalismo público, para o desenvolvimento das atividades trabalhistas, e com certeza é uma das maiores ditaduras que o município vem vivendo”, cravou a sindicalista.
Abaixo, a íntegra da entrevista:
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