
Há 32 anos, a política de Santarém (PA) vivenciava uma verdadeira “tempestade perfeita”. Nas eleições de 1994, o município alcançou o feito de eleger simultaneamente 3 candidatos locais à Câmara dos Deputados — um marco que nunca mais se repetiu até hoje. O contexto histórico que permitiu essa vitória tripla e as barreiras que impedem a região de retomar sua força política em Brasília foram detalhados pelo ex-prefeito de Santarém Ruy Corrêa em entrevista à TV JC.
O peso de grupos
Naquele ano, Ubaldo Corrêa, Hilário Coimbra e Benedito Guimarães conquistaram vagas em Brasília. Segundo o ex-prefeito, que comandava o município na época, o sucesso ocorreu porque havia grupos políticos bem definidos que não disputavam os mesmos votos internamente.
Além disso, a população estava unida por um forte sentimento regionalista, impulsionado pela luta pela criação do Estado do Tapajós.
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“Aquilo que leva um povo a sonhar em se emancipar é poder ter a liberdade de controlar o seu destino”, ressaltou Ruy Corrêa, destacando que essa união foi decisiva para garantir que recursos fundamentais, como o linhão de energia de Tucuruí, chegassem ao município.
Voto de papel
Um detalhe técnico da época também jogou a favor dos candidatos locais: 1994 marcou a última eleição no interior do Pará antes da urna eletrônica. Como o eleitor precisava escrever o nome do candidato na cédula, o índice de votos nulos beirava os 23%.
Isso favorecia nomes conhecidos na região e dificultava a entrada de forasteiros. Com o advento do voto por número, Ruy avalia que o processo facilitou a entrada de políticos de outros polos, pulverizando os votos de Santarém e enfraquecendo a bancada local.
Perigo dos “paraquedistas”; transparência das emendas
O ex-gestor santreno foi enfático ao criticar os candidatos “paraquedistas”, aqueles que buscam votos na região apenas no período eleitoral, mas não garantem retorno financeiro ao município. Para Ruy Corrêa, a destinação das emendas parlamentares deve ser o principal critério do eleitor na hora de escolher seu candidato.
Ele cobrou maior publicidade sobre o uso desses recursos.
“Os deputados deveriam prestar conta de uma forma muito mais aberta e clara do dinheiro que eles recebem, para onde foram essas emendas e em que foram aplicadas”, afirmou, lembrando casos recentes de parlamentares que levaram milhares de votos de Santarém sem destinar verbas para a cidade.
O caminho para 2026
Com um eleitorado que já ultrapassa a marca de 200 mil pessoas, Santarém tem fôlego para recuperar seu espaço. Na visão do ex-prefeito, o município tem capacidade matemática para eleger, no mínimo, dois deputados federais e quatro estaduais em 2026, desde que haja conscientização popular.
“Nós votarmos em candidato da região, no meu ponto de vista, é nós estarmos votando em benefício de nós mesmos”, alertou Ruy Corrêa.
A entrevista completa, repleta de bastidores da política santarena e análises aprofundadas sobre o cenário estadual, está disponível no canal oficial do TV JC no YouTube. E abaixo:
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