Da Agência Brasil:
O italiano Cesare Battisti enviou ao Congresso Nacional uma carta endereçada “ao povo brasileiro” pedindo para ser “compreendido à luz dos fatos”.
No texto, lido ontem (3) pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) no plenário do Senado, Battisti não pede para ser solto. Apenas se defende das acusações que o levaram a ser condenado à prisão perpétua na Itália.
“Quero lhes assegurar que nunca provoquei ferimentos ou a morte de qualquer ser humano”, escreveu o italiano, que já tem autorização do governo brasileiro para continuar no Brasil, mas continua preso no Presídio da Papuda, em Brasília, aguardando decisão judicial.
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Battisti afirmou que nunca foi ouvido por um juiz italiano e que estava exilado quando foi julgado, não podendo, portanto se defender das acusações. Ao fim, disse que deseja “muito colaborar com os objetivos de construção de uma sociedade mais justa no Brasil, por meios pacíficos”.
A leitura da carta provocou a indignação de alguns senadores de oposição, que são contra a concessão de asilo político a Battisti e defendem a extradição dele para a Itália. Entre eles, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que foi à tribuna contestar os argumentos da defesa do italiano.
Para Demóstenes Torres, o Brasil tem o dever de extraditar “um bandido”, em função dos tratados que assinou e dos compromissos firmados com países democráticos.
“Quando se pede uma extradição, isso está fundamentado numa sentença condenatória de um país estrangeiro. A Justiça brasileira não tem qualquer competência, como não tem competência a Justiça italiana ou a de qualquer país, para rever decisão tomada em país democrático”. O senador goiano lembrou ainda que “Cesare Battisti buscou a Corte Europeia de Direitos Humanos e lá também foi condenado”.
Para o senador, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poderia ter autorizado a permanência de Battisti no Brasil porque o Supremo Tribunal Federal (STF) já tinha considerado o condenado da Justiça italiana um criminoso comum.
“O melhor que tem o STF a fazer é prosseguir na linha que já iniciou: autorizar o senhor presidente da República a fazer a extradição. Por que ele autorizou? Porque é ato do Executivo. Mas é ato vinculado, não é ato discricionário”, alegou o senador em discurso.
O senador democrata também sustenta que Battisti não estava exilado no México quando foi julgado à revelia, e sim, foragido da Justiça italiana, onde obteve amplo direito de defesa. Apesar de considerar que a definição sobre o destino do italiano não deve seguir nenhuma linha ideológica, Demóstenes Torres convidou Suplicy para “debater o assunto amplamente”.
Em janeiro, o DEM entrou no Supremo Tribunal Federal com uma ação direta de inconstitucionalidade contra o parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), que respaldou a decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de negar a extradição de Batistti.
Foi julgado a revelia pois fugiu ……..
O UNICO lugar que esse cidadao italiano pode provar sua inocencia e na ITALIA .
Facam com ele o mesmo que foi feito com os pugilistas Cubanos.
Agora : Então
Este, Vagabundo , Bandido, Margiranha…….. Virou “””FREIRA””” DO cONVENTO DA MADRE DAS CARMELITAS DE SANTA TEREZA.
Dr. Gilmar Mendes NELE….Pra cima dele DR.
https://analisedeconjuntura.blogspot.com/
A suspeita de fraude no processo de Battisti
Uma suposta fraude nas procurações assinadas pelo ex-ativista Cesare Battisti estaria por trás de sua condenação à prisão perpétua pela Justiça da Itália.
A acusação é feita pela historiadora, arqueóloga e escritora francesa Fred Vargas com base em documentos do processo, coletados ao longo dos últimos dez anos.
Segundo ela, três procurações teriam sido fabricadas durante o autoexílio de Battisti para permitir que ele fosse representado em seus julgamentos.
O Estado teve acesso aos documentos. Segundo a denúncia da escritora, Battisti teria deixado ao ex-companheiro de guerrilha Pietro Mutti, líder do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), folhas em branco assinadas em outubro de 1981 para serem usadas na eventualidade de um processo judicial. Esses papéis, de acordo com a escritora, teriam sido usados pelo procurador do caso, Armando Spataro, e pelos ex-advogados de Battisti, Guiseppe Pelazza e Gabrieli Fuga, para forjar procurações que viriam a ser usadas nos julgamentos, em 1982 e em 1990.
Para supostamente fraudar os documentos, os três teriam usado uma procuração anterior, escrita de próprio punho por Battisti em 1979 e reconhecida como legítima por todas as partes. Com base nas três novas procurações, o ex-guerrilheiro pôde ser levado a julgamento. Pela legislação italiana, um preso pode ser julgado, mesmo em sua ausência, desde que tenha nomeado representantes legais. Nessa época, conforme Fred Vargas, Battisti vivia no México, sem contato com familiares e amigos na Europa e não sabia dos julgamentos na Itália.
Coincidência
Nas cópias dos documentos obtidas pela escritora – célebre na França por seus romances policiais -, Battisti dá direitos a Pelazza e a Fuga para representá-lo. O que surpreende é a semelhança dos textos e das letras. Em oito linhas, sempre terminadas pelas mesmas palavras, as cartas mostram termos e escritas quase idênticas, apenas com espaços maiores ou menores. A sobreposição dos documentos mostra palavras em posições distintas, mas grafias que, segundo Fred Vargas, foram copiadas uma a uma no intuito de simular a letra de Battisti.
Contratada pela escritora, a grafologista Evelyne Marganne, perita do Tribunal de Recursos de Paris, analisou as assinaturas de Battisti nos documentos e também levantou dúvidas sobre a autenticidade dos documentos. Segundo seu laudo, a mesma pessoa assinou todos os documentos, mas os números das datas que constam nas cartas não são originais. “Sobrepondo os dois documentos e observando-os contra a luz, qualquer pessoa vê que são o mesmo documento. Seria até divertido, se não fosse grave”, diz Fred Vargas. Além disso, as assinaturas seriam autênticas, mas feitas no mesmo momento, e não com o intervalo de oito anos. Ao Estado, Evelyne não quis fazer avaliações sobre a autenticidade dos textos.
Armando Spataro, hoje coordenador de Contraterrorismo em Milão, negou as acusações de Fred Vargas. “São absolutamente falsas. É uma história antiga que surge de tempos em tempos, sempre que aparecem discussões públicas sobre Battisti.” Guiseppe Pelazza não respondeu aos pedidos de entrevistas.