
Uma ampla apuração realizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) trouxe à tona uma situação preocupante envolvendo o dia a dia dos trabalhadores na Ufopa ( Universidade Federal do Oeste do Pará).
O caso transformou-se em um processo judicial (ação civil pública que já tramita na Justiça do Trabalho de Santarém (PA) desde o mês passado, reforçando a gravidade das denúncias de agressões verbais, tratamentos rudes e pressões psicológicas constantes que durariam há mais de 5 anos.
O peso da ação é demonstrado pela união de forças dentro do próprio órgão investigador: o processo é assinado conjuntamente por 5 procuradores do trabalho.
A mobilização coletiva dos membros do MPT sublinha o impacto das acusações, que atingem tanto a sede da instituição em Santarém quanto unidades do interior, como Alenquer e Juruti. Os depoimentos de funcionários e professores indicam que muitos se sentem isolados, perseguidos e humilhados por chefias e grupos que controlam as decisões internas.
Adoecimento em massa
Os reflexos dessa pressão no ambiente de trabalho aparecem diretamente nos dados de saúde da universidade apresentados no processo judicial. De acordo com os registros oficiais levantados na investigação, entre os anos de 2022 e 2025, os funcionários da Ufopa acumularam mais de 23 mil dias de afastamento por motivos médicos.
O dado mais alarmante da ação é que os transtornos mentais e de comportamento — como depressão, crises de ansiedade profunda e esgotamento profissional (síndrome de burnout) — foram os responsáveis por mais da metade de todo esse tempo longe das funções.
Além disso, das 11 pessoas que precisaram se aposentar por invalidez no mesmo período, 7 foram forçadas a deixar a carreira devido a problemas graves de saúde mental.
Durante a apuração, os relatos mostraram que o medo é frequente. Duas das testemunhas ouvidas contaram que a única solução que encontraram para escapar desse ambiente pesado foi estudar para passar em outros concursos públicos e mudar de cidade.
Canais falhos e lentidão da Ufopa
A peça apresentada à Justiça do Trabalho aponta que a Ufopa possui regras e canais internos para receber reclamações, como a ouvidoria e uma comissão de ética, mas aponta que o sistema de punição não funciona como deveria. Entre 2023 e 2025, a Ouvidoria recebeu 26 denúncias consideradas gravíssimas — ligadas a assédios e violências psicológicas —, mas apenas 11 processos formais foram abertos para apurar os casos.
Além disso, a média de tempo que a universidade leva para dar uma resposta definitiva a essas investigações é de 250 dias, um prazo bem maior do que os 120 dias previstos em lei. O MPT destacou na ação que essa lentidão e a falta de punições para os ocupantes de cargos de chefia geram um sentimento de desamparo e fazem com que as vítimas desistam de buscar ajuda.
Outro lado
A Ufopa se manifestou no processo defendendo as ações que realiza. A instituição argumentou que aprovou recentemente uma nova política de prevenção contra a violência e a discriminação, promove palestras educativas e oferece cartilhas e atendimento psicológico para os servidores.
A universidade também afirmou que cumpre os papéis de triagem através de sua ouvidoria e que trabalha para mapear os riscos nos ambientes de trabalho.
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