
Estes dias revisito a torcedora brasileira Paula dos anos 1990, século passado.
Com o fim-de-semana prolongado de agora, feriadão e tal, aproveitei pra assistir na Netflix ao documentário Tetra: Acreditar de Novo, produção da Trailer Films, com direção, roteiro e produção de Luis Aras.
Em 1994, eu me encontrava com 18 anos e cursava o 1° ano do curso de Comunicação Social.
Foi o primeiro título mundial que vi a seleção brasileira de futebol masculino conquistar.
— ARTIGOS RELACIONADOS
É muito interessante reviver, por meio do documentário, momentos tão marcantes, pois àquela época a escolha do técnico e a escalação da seleção eram assuntos de todas as esquinas, de todas as cozinhas, de todos os escritórios pelo Brasil adentro e afora.
Protagonizamos um time que resistia sob pressão, cobrança e demasiada crítica.
Desde a fase de classificação, no ano anterior, Parreira e Zagallo (esse falecido em 2024), enfrentavam o mundo antes da Copa do Mundo propriamente.
No jogo Bolívia 2 x 0 Brasil (25/07/1993), em La Paz, capital daquele país, por exemplo, jogo válido pelas Eliminatórias, a equipe técnica e jogadores brasileiros começaram super hostilizados.
Pras bandas de cá, em Belém, na casa da 14 de Março, no Umarizal, papai e vovô decretavam: “Temos que tirar esse técnico”.
Na taberna do Seu Santinho, sempre que íamos comprar pão escutávamos alguém opinando sobre um ou outro componente da seleção.
Na escola, de alunos a professores, passando pelos cantineiros, porteiros e auxiliares de serviços gerais, havia exímios especialistas em futebol.
A virada de chave – segundo o testemunho de tetracampeões no documentário, – aconteceu no jogo de Recife, Pernambuco: foram bem recepcionados, o que elevou o astral do grupo – o que reforça a importância do acolhimento para a possibilidade de superação.
Por ideia de Ricardo Rocha (zagueiro lesionado durante a competição), todos entraram em campo de mãos dadas, gesto repetido até a final contra a Itália. Um gancho mais que perfeito que parece os ter conectado no momento.
Para nós, torcedores, a representação de um grupo que se fortalecia internamente.
Do Bebeto (atacante): “A gente sabia do nosso potencial”. Resultado: Brasil 6 x 0 Bolívia.
Classificada após Brasil 2 x 0 Uruguai (19/09/1993), mas não acreditada, a seleção foi para os EUA e avançou para as oitavas- de-final em primeiro lugar do grupo, que também era composto pela Suécia, Rússia e Camarões.
Naquele instante, quem ainda não havia posto a bandeira nacional na frente da casa correu providenciar.
Pelas oitavas, o time passou pelos Estados Unidos, em pleno 4 de julho; pelas Quartas, passou pela Holanda; e, pela semifinal, passou pela Suécia.
A gente sonhava, a gente ria. Quanta excitação, quanta euforia.
No documentário, Zinho (meio-campista) pontuou a liderança exercida por Parreira: “Um jogador ganha um jogo. O time ganha o campeonato”.
Onde eu estava naquele 20 de julho? Em Ponta de Pedras, município marajoara, na residência da família do meu então namorado. A única TV, instalada na sala era o alvo de todos os olhares. Quase sem piscar, em pé, frenesi pelas veias e poros, contemplamos Baggio chutar para fora.
Gritaria. Barulho ensurdecedor. A terra tremeu. Logo, surgiu um temporal. Ouso dizer que foi a melhor dança na chuva da minha vida.
Corta pra 2026. Bora acreditar no hexa, Brasil!
Ademais, que bonito ver Bebeto – da minha dupla mais que favorita – se emocionar revivendo tudo.
Sou desse jeito também, Bebeto: choro só de lembrar.

∎ Paula Portilho é jornalista paraense e relações-públicas. Atua há mais de 20 anos com assessoria de comunicação pública e política.
O JC mais perto de você! 📱
Gostou do que leu? Siga nossos canais e receba notícias, vídeos e alertas em primeira mão:
Sua dose diária de informação, onde você estiver.
Deixe um comentário