O número 1 da Receita Federal do Brasil, Carlos Alberto Barreto, divulga na sexta-feira (27) os números finais da arrecadação de tributos federais e contribuições previdenciárias no mês de dezembro.
Será anunciado também o recolhimento acumulado em 2011, que deve ter aumento real entre 11% e 11,50% sobre a arrecadação de 2010, de acordo com projeções do próprio Fisco.
A estimativa é maior, inclusive, que o aumento obtido na arrecadação de 2010, que foi 9,85% sobre 2009.
Leia mais em Receita deve anunciar sexta-feira novo recorde na arrecadação de impostos e contribuições.
— ARTIGOS RELACIONADOS
Leia também:
Números.
Jeso,
De 2000 a 2005 trabalhei no setor de análise de arrecadação da RF em Santarém e desde essa época, com raros intervalos, a Receita federal (nacional) bate, mês a mês, recorde de arrecadação. Em muitas das reuniões regionais de que participei costumava dizer que todo mês o secretário da receita se via obrigado a passar pelo ‘constrangimento’ de anunciar mais um recorde de arrecadação, supondo que cada contribuinte, questionava-se, intimamente, qual o destino dado aos bilhões que saiam do seu bolso sugados pelas ventosas da Receita federal.
Do mais humilde servidor ao Secretário da Receita Federal a fúria arrecadatória da RF talvez seja motivo de orgulho por mostrar competência e eficiência desse importante órgão da estrutura administrativa do governo federal. Mas há muito tempo me faço essa pergunta: se é fato que a Receita Federal, que arrecada 75% de todos os tributos que o povo brasileiro paga, aumenta em termos reais, mês a mês, a arrecadação, pra onde vai esse dinheiro? O que é feito dele? Por quê as obras e serviços não se agigantam na mesma proporção? Por quê não se paga melhor o professor universitário, não se contrata mais médicos, não se pavimenta as rodovias federais com asfalto de qualidade? Para onde vai tanto dinheiro? Por quê, tendo o IR e o IPI aumentado 25% e o FPM na mesma proporção, as prefeituras do Brasil, em particular a de Santarém, não conseguem mostrar obras em quantidade e qualidade, que não seja uma ordinária praça num minúsculo espaço? Não está na hora do povo exigir da presidente Dilma e dos congressistas que façam aprovar leis reduzindo as alíquotas dos impostos e contribuições para diminuir a pesada carga tributária que carregamos nos costados? E também de exigir dos governantes que racionalizem as despesas, cortem gastos supérfluos e adotem práticas administrativas efetivamente austeras?
Ou vamos continuar aplaudindo a Receita Federal pelo extraordinário feito de bater sucessivos recordes de arrecadação e solenemente ignorar o destino que essa dinheirama toma?