Poesia. Grades para olhar

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A Pantera

(No Jardin des Plantes, Paris)

De tanto olhar as grades seu olhar
esmoreceu e nada mais aferra.
Como se houvesse só grades na terra:
grades, apenas grades para olhar.

A onda andante e flexível do seu vulto
em círculos concêntricos decresce,
dança de força em torno a um ponto oculto
no qual um grande impulso se arrefece.

De vez em quando o fecho da pupila
se abre em silêncio. Uma imagem, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer no coração.

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De Rainer Maria Rilke, poeta tcheco.

Leia também:
Devora, Nei Leandro de Castro.
Os Intermediários, de Mário Quintana.
O Negro de Fogo, de Oliveira Silveira.
Poema 20, de Pablo Neruda.
Cor-respondência, de Elisa Lucinda.
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