por Anselmo Colares (*)
Hoje é dia de eleições aqui na Argentina. Interessante, eles votam para escolher quem serão os candidatos a senador e deputado federal. Só quem consegue um determinado percentual pode depois concorrer as eleições definitivas. É uma espécie de prévia. Mas, acima de tudo, é um exercício de democracia.
Pelo que li no seu blog, a Ufopa está novamente em “clima” de mudança, mas continua sem que se pratique a consulta livre aos que fazem o seu dia a dia.
Quando a então vice-reitora, Raimunda Monteiro, decidiu entregar o cargo por não aceitar a forma como estava ocorrendo a gestão, eu levantei por aqui mesmo a proposta de consultar a comunidade universitária para a sua substituição e, desta forma, dar início ao processo democrático. Nada impedia que isto acontecesse, a não ser os acordos políticos momentâneos que parecem ser mais fortes que os interesses duradouros da própria universidade.
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O problema é que ainda não há muita clareza quanto ao que se quer oferecer para a sociedade. Este debate tem sido prejudicado pela “pouca paciência” (para não dizer outras coisas) de muitos dos que fazem parte gestão da Ufopa, em ouvir os diversos segmentos para a tomada das decisões de planejamento institucional.
Mas a Ufopa, a exemplo de outras universidades, tem plenas condições de superar estes obstáculos e caminhar de forma democrática, criativa e produtiva. A sua força está no conjunto de docentes, qualificados e comprometidos, nos estudantes cheios de sonhos e de vigor, e nos técnicos que fazem a mediação entre as atividades fins da universidade.
Talvez não seja ainda agora, mas, parafraseando os inconfidentes, a democracia, ainda que tarde, chegará.
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* Santareno, é professor doutor da Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará). Passa as suas férias na Argentina.
Prezado Carlos Augusto.
Este tipo de comunicação termina por gerar ruídos e muitas vezes pode levar a desencontros difíceis de serem resolvidos, e causar feridas quase incuráveis. Temo sempre por isso. Mas vou tentar reverter a impressão negativa primeiramente pedindo desculpa se me equivoquei ao ler ou não tenha conseguido ser claro ao escrever.
Verifiquei a pouco que inclui em um só texto, tanto uma apreciação ao seu comentário como também a um comentário posterior, feito por alguém que assina como Nurandaluguaburabara, especialmente ao afirmar que: “Não adianta falar somente em democracia. Parece evidente que este se lança na mídia como candidato a eleição, mas mostra-se com viseiras. Fala em democracia e eleições há algum tempo. Mas eu o conheço desde os primórdios, da época de UFPA, e pela sua atual função, parece-me que continua fazendo o dever de casa direitinho”.
Para este que dediquei boa parte do que escrevi, e fiz o desafio a que você se refere. Me desculpa se a emoção foi mais imediata e forte que a razão.
Quanto ao tema do CONSUN, e a proposição que você destaca, também a considero válida e viável, mas penso que um reitor efetivamente comprometido com a comunidade universitária pode colocar isto em funcionamento sem que necessariamente precise constar do Estatuto e do Regimento, pelo menos de imediato. As regras mais fortes são aquelas nascidas e aprovadas na prática, depois consolidadas em papel. O que defendo é que a inclusão de inovações ocorram como parte de um compromisso de quem vier a ser eleito. Tentar fazer sito agora só emperra o andamento do processo e de pouco adianta diante de pessoas que, mesmo que estes avanços democráticos estejam garantidos nos textos, vão continuar a fazer uso de expedientes legais que garantam suas prerrogativas personalistas e autoritárias.
É preciso que a comunidade universitária e a sociedade Santarena em geral nos ajudem a qualificar a discussão sobre como, se for o caso, será feita a nomeação de um novo reitor para a UFOPA.
O que precisamos discutir é, principalmente, a concepção de universidade que queremos ver funcionando em nossa região. Será que vamos, mais uma vez, abrir mão do nosso direito de escolher os nossos dirigentes???
Sei que existe entre nós um discurso maniqueísta, empobrecido e ultrapassado, que não enxerga que muito de nós quer apenas discutir, participar e poder tomar parte democraticamente dos caminhos que a universidade deve e precisa tomar como instituição educacional que transmite e cria os conhecimentos necessários e fundamentais para o desenvolvimento econômico, social, artístico, cultural de nossa tão rica região.
Contudo, assim como o Anselmo, acredito que a força de nossa universidade “está no conjunto de docentes, qualificados e comprometidos, nos estudantes cheios de sonhos e de vigor, e nos técnicos que fazem a mediação entre as atividades fins da universidade” e que o bom senso e a democracia há de prevalecer entre nós!!!!
Prof. Edna Marzzitelli
Programa de Educação/ ICED
UFOPA
Eleições na Ufopa, só quando tiver um regimento interno, não basta o estatuto. Resumindo: vai demorar…
Não citemos nomes, mas tem gente reclamando só porque não recebeu o cargo que queria na atual administração superior…
Professor Anselmo Colares concordo plenamente com as suas palavras sobre a necessidade do exercício democrático na UFOPA, já quanto ao clima de mudanças, tenho minhas dúvidas: pró-tempore por outro? e se o Aldo Queiroz assumir o que muda? e se a omissa da Raimundinha chegar a reitoria qual é a mudança? e se der uma nomeação que aponte a revolucionária da educação de Santarém, muitos números e poucas obras? Não foi eleita pelos santarenos nas urnas, mas cai de paraquedas via governo, bonito, né! exemplo de democracia!?.
Na verdade, PT e PSDB fizeram um acordão de se revezarem nas tetas da UFOPA, todos farinha do mesmo saco, se não ocorrer eleições urgentes vamos ter mais quatro anos de reitoria pró-tempore que não tem UM real compromisso com a comunidade acadêmica de Santarém…enquanto isso, assistimos professores, técnicos e alunos recorrendo as lideranças eleitas para ver se abocanham cargos com altos salários em troca de apoio nas próximas eleições. O que o Ministro da educação tem que fazer é abrir o processo eleitoral. ELEIÇÕES DIRETAS, JÁ.
E se o Anselmo Colares ganhar a eleição para reitor, quem será a equipe de gestão dele?
O Prof. Anselmo, apesar de dar a impressão de ter se lançado candidato na mídia, não se percebe que ele esteja por enquanto articulado como tal dentro da Ufopa. Acontece que ele tem Função Gratificada nessa gestão do Reitor Seixas e isso talvez seja algo a ser refletido.
Fazer eleições agora não parece ser prudente porque se corre o risco de se entregar a Ufopa no colo desse grupo que está à frente dela agora (com todos os problemas que essa gestão criou).
Será preciso recuperar o Estatuto aprovado no Congresso e substituir a Carta Monárquica da reitoria que foi encaminhada para o Mec. Isso é importante porque o Estatuto retalhado pelo Consun trata o Reitor como um monarca absolutista e nem de longe se parece com o Estatuto aprovado pela comunidade no Congresso Estatuinte.
Além disso, é preciso Rever as eleições não aprovadas pela comunidade que escolheu membros para o Consun. Além disso, a Comissão de Ética deve também ser eleita, pois precisa estar respaldada para apurar as possíveis irregularidades. Além disso, precisa ser revisto o aluguel do Boulevard, os problemas com as obras da Ufopa, os abusos de poder pela administração (como no aso da invasão e depredação da casa de um cidadão por “jagunços” contratados pela Ufopa). Deve ser feito o chamamento da comunidade para o diálogo – coisa que nunca foi feita por essa gestão Seixas. Isso deve ser feito antes de se convocar eleições.
Em um mundo ideal essa oportunidade seria adequada para a realização das eleições, mas infelizmente a realidade que a atual gestão deixou a Ufopa obriga a nova gestão e a comunidade a planejar coletivamente uma agenda positiva que culminaria na eleição. Será preciso ainda arregaçar as mangas pois tem muito trabalho pela frente antes da realização dessas eleições. Resta saber se a nova reitoria vai conduzir de modo diferente a gestão dessa Universidade que de sonho se tornou pesadelo pela ação da gestão que vai sair.
Bingo! Assino embaixo!
Bom, isto que foi dito aqui, complementa e muito o texto do nobre Professor Doutor Anselmo. O momento é de extrema reflexão. A destituição desta gestão se dá por conta de muita maracutaia e cambalacho. Não adianta falar somente em democracia. Parece evidente que este se lança na mídia como candidato a eleição, mas mostra-se com viseiras. Fala em democracia e eleições há algum tempo. Mas eu o conheço desde os primórdios, da época de UFPA, e pela sua atual função, parece-me que continua fazendo o dever de casa direitinho.
Carlos Augusto, em que planeta estiveste nos últimos tempos?
O estatuto foi discutido e aprovado pelo Consun, dentro das normas. Podemos não concordar com o resultado, mas a discussão e aprovação dos itens foi feita dentro da normalidade, por um Consun eleito democraticamente. Ou, pelo menos, não ficamos sabendo de nenhuma irregularidade. Com a palavra o professor Anselmo Colares e a professora Raimunda Monteiro, que são membros do Consun. E tem mais gente aí para dizer o que viu lá.
O Sindufopa, o DCE e os movimentos de oposição caíram na besteira de boicotar as eleições, e por isso a oposição ficou sem representantes lá para aprovar as mudanças que a comunidade queria e quer. Esses pseudomovimentos de oposição só trouxeram perdas ainda maiores para a comunidade acadêmica, porque insuflaram discentes, docentes e técnicos a não se candidatarem nem votarem.
Para que serviu isso? Para nada!
Oposição de verdade não boicota; oposição de verdade participa e discute!
As eleições ocorreram e quem quis se candidatar e votar, pôde fazer isso. Votei, mas quase não tinha candidatos; em alguns casos, tinha menos candidatos do que vagas.
Revogar o estatuto aprovado e já enviado ao MEC? Sonhe e espere deitado, Carlos Augusto, numa rede ou onde quiser, tomando açaí grosso com bastante farinha…
Caro Carlos Augusto.
A título de esclarecimento: A função gratificada que tenho não tem relação direta com a gestão superior. Ela é decorrente da coordenação de um doutorado interinstitucional (DINTER) que coordeno, resultante de uma parceria entre a Ufopa e a Unicamp, a partir da elaboração de um projeto que em grande parte construí, e que é fruto também de minhas articulações com docentes do Programa de Pós Graduação da Unicamp. No projeto, aprovado pela CAPES, em sintonia com o Edital que estabelece os critérios para o funcionamento de um DINTER, existe a figura do coordenador tanto pela instituição promotora (no caso, a Unicamp) quanto a instituição receptora (Ufopa), e meu nome foi aceito por unanimidade e assim permaneço. Ainda seu conhecimento, e dos demais que leem esta nota, este tipo de Projeto é como apoio a pesquisa, o responsável recebe autorização para abrir uma conta específica no Banco do Brasil e passa a administrar os recursos que a CAPES destina para os itens que foram aprovados, ficando responsável pela prestação de contas junto ao Tribunal de Contas da União.
Desde que retornei para Santarém, em 2010, tive oportunidade e convite para compor a equipe gestora, mas não aceitei. Tinha a consciência de estar chegando, e não queria já “ir com sede ao pote” como se diz popularmente. Entendia que como docente poderia fazer muito, e desde então passei a me dedicar na montagem de um programa de pós graduação em educação. O primeiro passo foi o DINTER, o segundo, já em andamento, é a implantação do Mestrado em Educação, antigo sonho de professores cujas primeiras turmas de licenciados concluíram ainda nos anos de 1980. Mas em ambos os casos, não posso fazer nada sem o aval da administração superior (Reitor e Pró Reitores), assim como da direção do Instituto de Ciências da Educação e da coordenação do curso ao qual sou lotado. A universidade é assim, funcionamos em instâncias interdependentes. Não posso simplesmente brigar com todo mundo, fechar portas e inviabilizar um projeto coletivo por conta de caprichos ou atitude intransigente. O DINTER teve o apoio fundamental do Reitor Seixas Lourenço, e de alguns integrante da administração superior, com os quais desde o início houve frutíferos encontros. Por parte da Unicamp, declararam que foi graças a proposta diferenciada da Ufopa que aceitaram fechar o convênio conosco e descartaram pedido de outras instituições. Digo tudo isto para que percebas que não integro a equipe da gestão superior, e que tenho autoridade moral suficiente para discordar da forma como tomam determinadas medidas, sem que os transformem em inimigos.
Não sou do tipo leviano e nem me aproveito de incêndio para fazer saque. Respeito as pessoas que fazem parte da administração da Ufopa, sempre procurei ter uma postura moderada, mesmo na juventude quando a idade nos leva a excessos. Procuro agir como faço em sala de aula, se um aluno tenta usar de meios ilícitos ou tem uma conduta inadequada, não exerço papel de polícia nem de juiz. Sou educador, e como tal, procuro identificar oportunidades e alternativas de provocar mudanças, agindo no sentido de mostrar-lhe o caminho que me parece mais correto. Se ele persistir, tem o livre arbítrio para fazer suas escolhas. Mas eu cumpri meu papel. Não vou me punir se eventualmente algum aluno, algum amigo, optar por fazer coisas incorretas. Ninguém está livre de cometer erro em suas escolhas. Mas acredito que podemos tomar alguns cuidados no sentido de evitar ao máximo os erros que prejudicam aos outros, principalmente quando se trata de questões que afetam o coletivo, e que implicam na administração da coisa pública. Nisto, meu caro, desafio você ou qualquer pessoa a apresentar algo que desabone minha conduta profissional, e no trato das questões de interesse coletivo.
Procuro ser democrático. Mas isto não significa que eu tenha que aceitar plenamente todas as opiniões, todas as proposições. Por exemplo, na época da eleição para o Conselho Superior Universitário, discordei do movimento docente e discente, e me apresentei como candidato. Não cheguei a fazer campanha ostensiva, apenas pedi voto aos antigos companheiros e muitos deles estavam completamente fechados com a campanha do voto nulo. Alguns ponderavam que não era nada contra a minha pessoa e que até votariam no meu nome em outras circunstâncias. Eu argumentava da importância de termos pessoa dentro dessas instância que pudessem ter maior liberdade de se posicionar. Não vou me estender neste assunto, mas penso que foi um erro tático o voto nulo. Assim como penso que querer forçar a barra em um Estatuto que contemple todos os desejos dos diversos segmentos é outro erro, pois há pontos que são determinados por leis federais e estas são modificadas apenas no Congresso Nacional. Portanto, a frente de luta é outra, não é no âmbito da Ufopa. Aqui podemos e devemos fazer o que está a nosso alcance, com responsabilidade e entendimento, sem querer impor nada. Mas sem abrir mão de princípios fundamentais de ética e urbanidade.
Pensei que estivéssemos apenas refletindo sobre a situação. Reli o texto que escrevi e não vi nenhuma acusação que desabone a sua pessoa. Achei estranho o senhor mencionar isso. O que disse e reafirmo é que o Estatuto apresentado à comunidade, como aprovado pelo Consun, trata o Reitor como absolutista.
Aproveito a oportunidade para perguntar: por que um Conselho Curador composto por pessoas sem cargo e sem reeleição, com a participação da comunidade externa, cuja função seria de fiscalizar os atos da Reitoria parece-lhe absurdo? Sim, esse foi um item aprovado pelo Congresso Estatuinte que foi cortado, para manter a hegemonia do Reitor que ficou soberano.
Perdoe minha ignorância, já que parece que a sapiência tem endereço certo na Ufopa, mas ainda assim penso que uma composição dessa do Conselho Curador (proposta e aprovada no Congresso Estatuinte por delegados eleitos legitimamente pelas bases) seria, em tese, mais isenta do que deixar as decisões para serem tomadas apenas por um Consun cheio de servidores (docentes e técnicos) com cargo de direção e função gratificada, que atuam em consonância e como partidários da Administração Superior (exceto o Senhor Prof. Anselmo, que já nos esclareceu que está acima do bem e do mal, exercendo uma Função, porém de modo mais altivo e independente da Administração – o que pode ser até digno de parabéns por ser caso raro na Ufopa).
Ao invés de curtir as férias, ele está fazendo campanha.
Este homem trabalha!!! Colares para Reitor!!!
Aldo vice!