Governo sem ideia…

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OLYMPUS DIGITAL CAMERANato Aguiar, Maria José Maia e os demais “iluminados” da cultura santarena. Foto: Semc

por Joaquim Onésimo F. Barbosa (*)

Joaquim BarbosaAlguém já disse por aí que um povo sem cultura é um povo sem raízes. E, se é certo o adágio, Santarém, além correr o risco esquecer suas raízes também corre o risco de perdeu a memória.

Isso é fato. Aliás, não é a cidade que perde a memória, ela é a memória viva do ontem e do hoje.

Leia também dele:
Carnaval da Idade Média e na Moderna.

Perdem a memória os que seduzem o povo para permitir-lhes que se empoleirem nos lugares cujos objetivos alheios ao povo a alma anseia. Quando conseguem, fazem como fez um ex-presidente, doutor de Harvard, “Esqueçam tudo o que escrevi”. Os daqui não falam nada, apenas fingem que nada disseram.

Escrevi aqui no blog, dia desses, que Santarém não tem projetos para a cultura. Não conheço, se há, devem estar escritos em Sânscrito ou Latim erudito, enrolado em pergaminho, escondidos debaixo da cama de quem os escreveu.

Se há projetos para a cultura, deve ser em prol de um…, dois… ou três beneficiados, não da população.

Veio da boca do secretário de Cultura do município, Nato Aguiar, uma infeliz afirmação. Nato, talvez em delírio do cargo ou do momento, afirmou que uma das instituições que tem contribuído para a elevação da cultura musical em Santarém, o Instituto Maestro Wilson Fonseca não é prioridade do atual governo.

Fiquei matutando sobre a afirmação de Nato, que foi meu colega de curso na UFPA. Afinal, qual a prioridade do atual governo no quesito cultura? É o Cristoval? É o Carnaval? É o Sairé/Çairé? É o futebol? É o festival disso ou daquilo? É o quê mesmo?

O Cristoval é uma programação da igreja católica, e, se tem apoio do poder público, certamente não recebe dinheiro ao ponto de onerar os cofres municipais.

O carnaval, se levarmos em conta o deste ano – foi o primeiro da gestão Von/Nato –, foi um fiasco, mesmo com todo o dinheiro que se torrou. Aí o governo pode dizer que a culpa não é dele, é dos presidentes de blocos e escolas. Sei não. Para mim, no meu raso conhecimento, a culpa é de todos os que abraçam com os pés, com as mãos e com a grana que se torrão que se chama, por cá, carnaval.

O Sairé/Çairé pode ser a pupila do senhor prefeito. É… Mas o que de cultural temos no evento que a cada ano perde para os shows de artistas de fora, e o local fica em segundo plano?

A cada ano, o que se vê, é dinheiro público torrado para pagar aos artistas que cantam umas musiquetas, dão o ar da sua graça e vão embora com o bolso cheio. O que fica da cultura desses que levam? Certamente NADA.

NÃO HÁ – se há que me provem – projetos para a cultura santarena da parte do governo municipal. Aliás, nem deste governo nem dos anteriores. Se houvesse, certamente muita coisa por aqui aconteceria.

Os argumentos medíocres que se arrumam, para justificar o óbvio, é que Santarém não possui espaço para realização de eventos. Papo besta.

Eventos culturais não precisam de elefantes brancos para alocar o que se quer promover. Eventos culturais precisam de inteligência, de boa vontade e de uma boa ideia. Não de estádios, não de ginásios, não de centro de convenção. Em Santarém, há o espaço Pérola do Tapajós, mofando.

Em Itacoatiara-AM, há o FECANI. Festival de divulgação nacional, que atrai artistas: poetas, compositores, cantores de outras regiões. Para chegar ao status em que está, o evento não careceu de espaço faraônico, precisou de boa vontade, o que falta por aqui.

O problema da cultura em Santarém não é a falta de dinheiro, é a falta de projetos. Quando há bons projetos, quando há o que se fazer, há quem queira patrocinar.

O problema das manifestações – que chamamos de culturais por cá – é que tudo tem que sair dos cofres públicos, e aí, como o governo tem que dizer o que é prioridade e o que lhe rende votos, ele acaba fechando a torneira para uns e abrindo, às turras, para outros.

E aí, aqueles que tentam levar a sério o que dá nome à cultura santarena, acabam por mendigar do governo pagamento de professores para que se dê continuidade ao que se levou anos para se consolidar. É isso que está acontecendo com o Instituto Maestro Wilson Fonseca.

Há muita coisa boa para se fazer em Santarém. O município é rico em talentos. Falta gente com olhar certo para o lugar certo. O problema é que se colocam os ovos de ouro nas mãos de quem nunca segurou um, aí quando recebe, não sabe o que fazer.

É assim também no esporte. Até agora não vi nada de novo no quesito esporte. A Secretaria da “Juventude” existe? Se existe, para que serve?

Enquanto o barco anda – já se passou mais de um ano da atual gestão – o que ouvimos são justificativas e justificativas, e as coisas vão ficando… ficando… ficando… até ficarem no esquecimento. E a cidade perde o que poderia ganhar com ideias e bons projetos. Jeca Tatu faria melhor…

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* Santareno, é professor e mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia. Escreve regularmente neste blog.


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15 Responses to Governo sem ideia…

  • Esses atuais secretário são colocado justamente para não fazer nada, pois tando o NATO como o PODALYRO, não tem autonomia de nada, então o que podem fazer…., vão bater o ponto e voltam pras suas residencias e aguardam os dez conto no final do mês…até eu queria essa papa.

  • Ei professor. Como disse o João Macedo: ILUMINADO. Poderia sair do seu quadro de livros e participar de plenárias dircussivas sobre a cultura. Falar é fácil.

  • O Sairé é um dos maiores eventos da nossa região e os coordenadores de alter do chão dizem que o Sairé é deles, o pior e que o governo concorda com isso e deixa a coordenação de um dos maiores eventos da região nas mãos deles, com pouca intervenção governamental, vejam bem, o Sairé é uma manifestação popular, feito em vias públicas, envolvendo sociedade civil. empresários, grupos culturais e a tradição de mais de trezentos anos, senhores o Sairé é de todo mundo e todos tem responsabilidade com ele, a coordenação da vila, associações, prefeitura, secretarias e assim, a coordenação deveria ser conjunta, desta forma teremos seriedade e compromisso de todos os donos da festa (anfitriões) é preciso pensar o que tem realmente raízes culturais para que haja fomento, como o cortejo, o espanta cão, a ladainha e as danças típicas, sem desmerecer o Festival dos Botos é claro, mas para o turista desavisado o Sairé é a disputa dos Botos. Repito novamente a criação do CPF da Cultura dará lisura as ações culturais da nossa cidade e questões culturais serão levadas em pauta para análise reflexão e ponderão do Conselho Municipal de Políticas Culturais.

  • Com toda razão: cultura e esporte correm risco de morte em Santarém. Um estado de letargia, uma falta de dinâmica, uma cegueira permanente. Não vislumbramos qualquer mudança diante das cabeças que estão na liderança destes dois quesitos do governo Von. Viram as costas para quem faz a cultura permanecer viva entre nós; e no esporte, as costas servem os atletas que tem potencial, mas não tem incentivo para ir em frente em sua modalidade. Um ou outro atleta recebe uma “força” da SEMJEL porque foi até a Secretaria mendigar um patrocínio para viajar ou pagar a inscrição em algum torneio. Acredito que os compromissos com os secretários, por parte do Governo Von é muito mais importante que o desempenho de seus comandados.
    Já que não existe a possibilidade de tirar os glúteos das cadeiras que ocupam, porque não dar um chacoalhada nestas criaturas? Sei que o Von é bom para dar chamadas e tem funcionário do município que treme só de vê-lo pela frente. É só marcar uma reunião com o sr. Nato e o sr. Erasmo e dar as coordenadas: “Seguinte, a partir de agora vai ser assim, assado. Vamos melhorar o atendimento à entidade tal e tal. Cadê a bolsa tal? Onde estão os atletas do Governo anterior, desintegraram-se? Caboclos (Nato e Eramo), a gente tem que trabalhar para o povo, não é para vocês. Desçam do salto. A partir de hoje eu quero mais 80% de elogios e menos de 20% de críticas”… Será que os dois são tão “fortes” assim que não merecem uma intervenção do chefe-maior?

  • Atualmente a cidade de Santarém está passando por um momento muito delicado no que diz respeito as ações de políticas públicas, no ano de 2013 o Prefeito assinou o protocolo de intenções junto ao Ministério da Cultura, agora precisamos que o executivo ou o legislativo dêem entrada e aprovem o Projeto de Lei que cria o CPF da cultura em Santarém, assim a cidade fará parte do Sistema Nacional de Cultura
    Precisamos não só ter fé mas, acreditar em algo nesta vida para que possamos continuar lutando, eu neste momento acredito no SNC-Sistema Nacional de Cultura.
    CPF – Conselho Municipal de Políticas Cultural de Santarém
    Plano Municipal de Cultura de Santarém
    Fundo Municipal de Cultura de Santarém Cultura,
    porq??
    Além de ser uma ação do Ministério da Cultura, o mesmo já foi implantado em outras cidades do Brasil e vem dando certo, a cidade de Santarém já fez sua conferência de cultura e as propostas validadas lá pelos segmentos culturais deverão obrigatoriamente estar inseridas no Plano M.Cultura, que serão subsidiadas pelo fundo, onde o Município terá obrigação de destinar uma parte dos recursos pra lá e o Conselho formado pelos dois lados, governo e sociedade civil (segmentos culturais) terão papel fundamental como fiscalizadores e estarão avaliando as situações da cultura. Concordo com tudo que você colocou e tem fundamento sim, porém, lhe digo que é muito difícil captar recursos aqui em nossa região, as grandes empresas ainda olham com desconfiança para as leis de incentivo a cultura, os equipamentos culturais da nossa cidade não dispõe de infraestrutura básica para realização de eventos, exemplo a Casa da Cultura e o espaço Pérola são apenas o espaço físico não tem som, nem luz, nada, nada, então qualquer evento cultural precisamos local todos os equipamentos necessários, isso aumenta drasticamente o custo. Implantando o CPF da cultura irá minimizar alguns problemas, pois teremos a esperança de que algo funcione, no governo anterior com o perdão da palavra foi uma merda pra cultura e o atual deixando muito a desejar.

  • Pelo visto seu Onésimo sabe tudo de cultura né Jeso? Quem sabe o espirito do joaozinho trinta baixou nele quando escrevia para seu blog. Prefeito, exonere o Nato e coloque o Joaquinzinho trinta e nosso carnaval vai bombar ano que vem…

  • Há décadas que STM não possui Secretaria de Cultura; apenas uns lampejos culturais aqui e ali ocorrem. O Nato Aguiar foi apenas a cereja do bolo, só isso.

  • Nossa essa vice-prefeita é de uma competência e experiência . Juntando com o grande tocador de violão e cantor Secretário Sem Cultura , claro os intelectuais de Alter , joga 01 milhão na mão deles que fazem a festa .

  • A secretaria de cultura, é só pra “inglês ver”, uma cambada de inutil, coordenados por um beócio que não sabe a diferença entre sairé/çairé, e, o festival de bois em Parintins. Enquanto não levarem a cultura a sério, seremos esse limbo, que um dia já tivemos… ja tivemos o melhor carnaval da região, ja tivemos os melhores musicos da região, ja tivemos os melhores…., ja fomos referencia literaria, musical, teatral cultural, já fomos, não somos mais.

  • Necessitamos de projetos culturais que eduquem e elevem o nível social e cultural do nosso povo.
    As idéias devem partir deste conceito ou como disse Ariano Suassuna, continuaremos dando o osso para os jovens de hoje.

    É preciso entender que o Intituto Maestro Wilson Fonseca não é simplesmente uma escola de música, e sim um projeto de Educação e Reforma Social.

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