por Maria Auxiliadora Azevedo (*)
O momento eleitoral brasileiro é propenso à reflexão das situações sociais, políticas e econômicas que atravessamos. Vivemos escândalos de todos as espécies, mensalões, cachoeiras (fica melhor enxurradas de lamaçais) ganhando espaço sem muita objeção.
A juventude atual está desacalentada, sem críticas e sem sonhos. Esse sentimento é refletido no gosto musical da atualidade. Nada contra se eu te pego na minha humilde residência de Michel Teló, o ritmo é gostoso, agrada a garotada dos 20 anos, até de 40 com eu, porém de conteúdo pobre, esquecido de reflexão.
O cenário atual dá saudades do estilo musical dos anos 70, 80, período ditatorial nesse país de gigantes, que acalentou letras musicais de conteúdo critico e com ritmo gosto e eletrizante, não nos deixa mentir RPM, Titãs, Paralamas, Engenheiros do Hawai e muitos outros.
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Parafraseando Engenheiros do Hawai: eu não quero deixar para o meu filho um Brasil pobre, onde a corrupção e a falta de ética andam de rédeas soltas.
A juventude precisa estar atenta ao seu tempo, para não ser enganada, ludibriada e buscar muitas vezes artifícios maléficos como as drogas, deixando de encarar de frente a luta que faz a vida particular e social melhor. Vamos recuperar a música de conteúdo, e suprir a carência de boas bandas musicais.
Esse panorama pode melhorar com boas escolas públicas. Educação é o caminho para formação de novos cidadãos de consciência de mundo e de homem. Os ídolos da nossa juventude precisam ser fichas limpas, transparentes e poéticos, onde o princípio da moralidade na vida pública não seja violado.
A nossa juventude através de seu espírito inquieto e questionador precisa purificar a sociedade.
Esqueçamos a amnésia musical e cultural dos nossos tempos, para sonharmos com uma realidade mais alegre e significante.
Grande tema esse, tenho inclusive por várias vezes falado aos amigos sobre minha tamanha preocupação com a memória musical de meus filhos, logicamente que se estende a juventude em geral, afinal futuramente lembrarão de “calcinhas”, “bicicletinas” , “ah! se eu te pego” e demais letras que num texto completo não nos traduzem muita coisa aproveitável. O ritmo pode até agradar a juventude, mas e a visão critica que a música tem a possibilidade de expandir com temáticas duradouras, fica para trás…pena grande…
Nos meus tempos de colegial tinhamos aula de música. Nosso gosto musical era aperfeicoado na escola. Infelizmente, hoje os tempos são outros, a juventude anda errante, sem lenço e sem documento.
Caro Alberto, a junventude vive um grande vazio por várias circunstâncias. É como disse o anônimo lembrando Oswaldo Montenegro,” nossa geração não quer sonhar”.
Isso me lembra o Oswaldo Montenegro, em Travessuras:
“Eu insisto em cantar
Diferente do que ouvi
Seja como for recomeçar
Nada há, mais há de vir
Me disseram que sonhar
Era ingênuo, e daí?
Nossa geração não quer sonhar
Pois que sonhe a que há de vir…”
Sra. Maria Auxiliadora Azevedo, é alentador saber que há pessoas que se indignam com o cenário brasileiro, no caso, extensivo ao cenário musical. Certa vez escrevi ” Da Candura à Cavalgadura”, onde faço uma viagem crítica do “As rosas não falam” e outras deste top, até à “Éguinha pocotó”. Nós que já ouvimos João Bosco e seu lindo poema “Aí diz o meu coração/Que prazer tem bater/Se ela não vai ouvi/…/Quem pode querer ser feliz/Se não for por amor” , agora temos que nos submeter a isso pois mesmo não querendo, as músicas só são ouvidas em decibéis criminosos. A propósito, na festa do Çairé um dos “nacionais” tem como maior sucesso um axébunda (porque são letras que começam e terminam com ” vai abaixando/ abaixando/ abaixando”, entremeadas de “é dingue, é dingue, é dingue) que diz “Carrinho de mão….”. O significado do carrinho de mão, se não estou enganado, deveria ser proibido para pessoas menores de idade e adultos de bom gosto. TAPAJOARAMENTE AZUL,
Caro Helvecio Santos, infelizmente, vivemos uma decadência cultural e musical, compartilho de sua viagem crítica pelo cenário musical que estamos atravessando.Porem, não devemos deixar essa falta de conteúdo musical cair na normalidade, é preciso que a nossa juventude reflita o seu cantar.