De 4 em 4 anos

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por Alexandre Augusto Silva (*)

Estou falando de política, meu filho, política, já dizia meu saudoso amigo de tantas horas difíceis, o Político. Digo isso a você sobre um caso de verdadeira verdade tantas vezes modificada pela mente tão criativa do povo desta cidade.

Ia eu a caminhar distraidamente pelo que chamamos de calçada, uma via para pedestres construída um dia com pouco menos de um metro de largura. Eis que me deparo com algumas latas de tinta vermelha e tinta azul, abertas e sendo utilizadas por um humilde cidadão, um homem que trabalha com essas mesmas tintas para pintar seja lá o que mandarem, no caso, uma parede toda branca.

Pude perceber que já estava a terminar a tal pintura e por isso pude ler o grande letreiro pintado com tanto afinco pelo mestre pintor. Era um nome pomposo de um advogado, ou seria um médico?, ou sabe-se lá um pastor de tantas ovelhas desgarradas ou talvez um desses apresentadores de programas populares… bom, não importa, era o meu “cumpadre” de quatro anos atrás tentando se eleger.

Não sei por que não dera certo no passado, mas agora é vitória certa. Jovem, cheio de vigor, saúde e esperança, era o mestre pintor que concluía seu desenho mais importante, com apenas uma tinta vermelha e outra azul num fundo branco. Tricolor, simples e tão importante. Não era arte, era política meus amigos.

Ao me aproximar perguntei ao mestre se este era o homem merecedor de seu voto. “Num sei, amigo, nem sei o que tá escrito”, minha surpresa se fez tamanha com altura e largura comparáveis às letras gigantes do nome do candidato. O mestre apenas copiava o desenho. Não vejo mais como passar daquele ponto tão degradante para mim. Uma calçada carcomida com um muro com desenhos em vermelho e azul num fundo branco.

Carros passam enquanto um jovem cheio de saúde, esperança e vigor apenas desenha um nome.

A cidade se entristece ainda mais para mim de quatro em quatro anos.

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* Santareno, é escritor (autor de Além do Azul – 2012), professor e artista plástico. Vive entre Manaus e Santarém.


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3 Responses to De 4 em 4 anos

  • Obrigado, Maralice. Gostei muito de seu comentário. Realmente, nossa política tem sido motivo de descontentamento. Mas acredito na mudança. Mudança que só virá pelas mãos do nosso povo. Nossa arma é o voto. E essa é a única forma de mudar nossa realidade tão sofrida.

    1. Creio também nessa arma. É a arma democrática, que dá mais e mais musculatura á democracia.

  • Caro Alexandre, que paradoxo, as cidades ficam tristes em razão da Política, a deturpação da ciência Política deprime. Política devia ser motivo de alegria, de renovação, de esperança dos nossos jovens, pois ela é o valoroso caminho na busca do bem comum. Também, ando descontente com a pintura política das nossas cidades, cada vez mais sem credibiliadade. Só enxergamos caricaturas de nomes.

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