Democracia ou continência?, por Mário Henrique Guerreiro, Exército

por Mário Henrique Guerreiro (*)

O Brasil mergulhado na mais grave crise de sua história republicana, horizonteia um cenário perigoso à democracia, alicerçada pelas instabilidades políticas, sociais, econômicas e, principalmente, a desmoralização das instituições democráticas do país.

As sequelas ainda expostas no povo brasileiro da intervenção militar instituída pelo AI-5 de 1968, que ainda sangra e mancha nossa história, com mortes e prisões de homens e mulheres que lutaram pela liberdade, na defesa de nossas instituições democráticas, não parece fazer parte de nossa memória.

A distorcida compreensão dos princípios democráticos, a ganância pelo poder, a institucionalização da corrupção corroendo as bases dos poderes, os cidadãos como massas de manobras eleitorais e um pais misturando liberdade com libertinagem, criam novamente um campo fértil para militarização da politica brasileira.

O impossível agora nos ronda “democraticamente”.

A intervenção militar no Rio de Janeiro, vislumbrado no caos da segurança pública, dever do Estado mas obrigação da União, nos mostra quão frágeis são nossas instituições.

Na verdade, vivemos sob várias intervenções pontuais, fazendo parte da formatação final do tão sonhado novo golpe militar pelas Forças Armadas brasileiras.

Uma simples intervenção militar no Rio de Janeiro foi capaz de paralisar o Congresso Nacional e fazer o Supremo Tribunal Federal bater continências democráticas aos interventores.

Tudo isso acontecendo em pleno ano eleitoral, exatamente para colocar as nossas instituições em xeque-mate.

O cenário de instabilidade jurídica, Congresso refém de sua própria liberdade, Suprema Corte eivada de contradições, politicas sociais inexistentes, exceções viraram regras, instituições com sinônimo de corrupção.

Ambiente perfeito para eclosão de mentes intervencionistas fardados e perfilados. Por mais nebuloso que seja o panorama político brasileiro, não haveremos de abrir mão do sistema democrático.

Temos que fortalecer as instituições e fazer valer a soberania popular, apelando ao povo brasileiro que use a consciência de seu VOTO, para promover as mudanças necessárias e banir de nossa história o autoritarismo visceral.

Não vamos permitir que os experimentos intervencionistas localizados sejam usados como álibi para uma generalização interventora na politica democrática brasileira.

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* Paraense, é geólogo e professor. Escreve regularmente neste portal.

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5 Comentários em: Democracia ou continência?, por Mário Henrique Guerreiro

  • Parabéns pelo artigo.
    Colocações cirúrgicas de uma realidade trágica para nossa democracia.
    Seu artigo preconizou o que parecia obscuro, que vão das palavras recentes do Magistrado Gilmar Mendes em entrevista na Capital Lisboa em Portugal. E corroborada com as desastrosas mensagens dos generarais do Exército e da Aeronáutica, que soam como ameaças ao Supremo Federal e depõem contra o Estado de direito.
    Sua visão de águia e seu espírito democrático, relatam de forma objetiva as tramas e conchavos ditatoriais das forças armadas. Incapazes de feichar fronteiras para o tráfico, defender nosso espaço aéreo vulnerável e bloquear os limites dos nossos continentes marinhos, mas ávidos pelo poder.
    Acredito também meu caro articulista, na força soberana do povo organizado, e nas instituições fortes e constituidas democraticamente. Precisamos passar o país a limpo via eleição direta. A correção pelo punho do cidadão. Se golpeia este país desde a saída de Dilma, e com os constantes golpes de Temer no Congresso e na sociedade.
    Temos que ir as ruas defender a democracia. Exigir governos comprometidos e legitimos.
    Hoje, o STF sela o destino deste país, ou uma revolução “armada” literalmente ou uma guerra civil.
    Parabens.

  • Prefiro a democracia no Brasil, realmente as pessoas que foram torturadas no regime Militar,poderiam ou não está erradas,mas prefiro a democracia, se realmente o povo brasileiro quiser fazer a mudanças para uma Brasil melhor ,em educação, saúde e etc…..
    VOTE COM A RAZÃO DE UM PAÍS SEM CORRUPÇÃO. …

  • Parabéns!
    Prefiro os percausos da democracia que viver sob mordaças.
    Os regimes militares fotam quão ou tal mas corruptos que nossos governos democráticos. Com um porém, tudo era jogado para debaixo do tapete por não haver controle social.
    Me mostrem após 2 meses de intervenção uma ação efetiva de controle da segurança. Somente bilhões sendo deslocados sem controle. Porque pide tudo.
    Coronel Lima amigo de Temer é um exemplo.

  • Os mesmo que são contra a interversão militar são os mesmo quem faliram a segurança publica do nosso país, todos envolvidos em corrupção, que governaram o Brasil por quase três décadas saqueado e corrompendo os cidadãos e acabaram com essa geração.
    São comunistas disfarçados.

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