por Helvecio Santos

Em tempos de machãoNestes tempos em que se busca cada vez mais a igualdade de gênero, o machão caiu em desgraça e está fora de moda. Copiando o bordão do saudoso humorista, “há controvérsia”.

Antes que me incinerem, leiam as razões porque os defendo e como os entendo conceitualmente.

Leia também do autor – Vamos à verdadeira suruba

Antes quero contar um fato!

Esta semana liguei para o consultório do meu médico e, como a secretária estava atendendo outro paciente, fiquei na linha esperando. Ela atendia um senhor que marcava consulta para sua mulher, buscando o dia e o horário que fossem bons para o casal.

Consulta marcada, a secretária me atendeu e eu pedi licença para fazer uma observação: disse-lhe que, como homem, minha porção machista se sentia imensamente orgulhosa quando via um marido marcando consulta para sua mulher.

Um pouco assustada frente ao tratamento formal que sempre uso, a secretária só conseguiu dizer: Ah! Que fofo!

Fofo, eu? Agradeci a lisonja e fomos ao motivo da minha ligação.

Fato contado, fofura exposta, vamos às razões e o que penso sobre machões.

Creio que um ser só é completo quando ele é apenas metade de outro ser, razão de Deus ter criado um, usando parte do outro. Neste caso há também controvérsia, pois uma amiga afirma que Deus criou o homem e depois teve uma ideia melhor e criou a mulher.

Por essa minha ótica – homem e mulher serem metade de um todo -, marido que marca e acompanha a mulher ao médico é um machão inteligente, pois cuida da metade que o torna completo e para ser machão tem que ser completo. É aquela coisa! É ou não é, e não há meio machão.

Machão também é aquele que cede o lugar na condução e na fila do banco aos mais velhos, independente da lei da prioridade, hoje cada vez mais desrespeitada, que oferece ajuda aos que precisam na travessia no sinal de trânsito, que coloca os bíceps em ação empurrando a cadeira do cadeirante e se nada precisar ceder ou oferecer, cede um sorriso.

Um sorriso não custa nenhum tostão e está aí para ser oferecido. É dessas coisas que não têm preço mas têm muito valor, coisa pra machão mesmo. Aliás, a beleza e a ternura do sorriso combinam muito bem com o machão.

Beira os píncaros do machismo aquele que abre a porta do carrão à “mais bela criação de Deus”, que oferece e puxa a cadeira no restaurante depois de esconder no fundo do bolso o execrável celular e, olhando no fundo dos olhos da amada, sugere a degustação do espumante mais saboroso.

Machão compõe poesias, mesmo que não sejam rimas “ricas” e recostado no colo da amada ou mesmo “largado” na tosca espreguiçadeira que estava guardada desde o ciclo lunar passado, as declama à luz do luar. Faz piquenique aos domingos no embalo do romantismo que um dia o fez cantar “Desafinado”, mesmo que desafinado fossem todas as canções que não viessem do som estrategicamente posicionado.

Machão prepara o reconfortante e instigante banho quentinho, arruma a mesa das refeições e aos domingos e feriados serve o café na cama, enquanto não pode servi-lo como sublime oferenda em todos os dias santificados pelo amor.

É aquele que não usa o carro como forma de exibição em possantes decibéis, não o tem como extensão do órgão sexual, também não usa aplicativo para burlar a lei e nem bebe quando dirige.

Machão troca a fralda, acorda de madrugada, dá colo, carrega a bolsa, empurra o carrinho do bebê e, por ser tão forte, ainda sobra braço para abraçar.

Machão é atencioso, cativante, alguns são “sabirila”- pernas de sabiá e peito de gorila – mas todos, rigorosamente todos, sabem usar o seu lado feminino para chegar e conquistar o que há de mais perfeito na criação de Deus.

É aquele que sabe que “ser um homem feminino não fere o seu lado masculino”, razão de proteger, respeitar e admirar a sua “costela”, que usa sua força para carregá-la nos braços, depositando-a no mais destacado lugar do altar da vida, sabedor que ali está a mais bela e perfeita criação de Deus.

E não se esgota por aí!

Há muito mais a dizer, mas para finalizar, machão é o que tem a perfeita dimensão espiritual da criação, que sabe que nada mais é do que a metade da outra metade, elo perdido nesta viagem planetária numa nave chamada Terra e que, se pela mulher veio ao mundo, só com ela se achará e se completará para perpetuar a obra da Criação.

À vista disso, ficarei muito feliz se no meu próximo contato, em situação semelhante, a secretária do meu médico não me tachar de fofo mas disser ao meu ouvido: ah! Que machão!

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7 Comentários em: Em tempos de machão

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  • maria clara disse:

    Me desculpa, mas esse senhor Hélvecio é todo perfeito demais!!!!!! Melhor nisso, melhor naquilo, morto de cavalheiro, sabe tudo de Santarém….o que melhorar etc mas pelo que conta foi há mto tempo embora daquie mora na cidade mais perfeita do mundo Rio de Janeiro kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk não tem roubo, não tem pilantra ….a por favor!!!!!

  • Jeso Carneiro disse:

    Ah, que artigo fofo… Pra machão nenhum colocar defeito.

    1. HELVECIO SANTOS disse:

      Caro AZULINO, espero que não só que não coloquem defeitos mas, se possível, que acrescentem novas características neste modo de ser machão. Espero também que o artigo arrebanhe novos machões e até machões novos. Afinal, é de pequenino que se torce o pepino. TAPAJOARAMENTE AZUL,

  • CÉLIO SIMÕES DE SOUZA disse:

    Corrigindo: “…que deveriam ser merecedoras das nossas homenagens…”.

  • CÉLIO SIMÕES DE SOUZA disse:

    Caro Elvecio. Quando há alguns anos escrevi um livro para perpetuar as poesias do poeta Saladino de Brito, autor da letra e da música do Hino do Município de Óbidos, ao final da apresentação da obra (bancada pelo Governo do Estado do Pará, leia-se, governador Hélio Gueiros) citei a seguinte frase do famoso escritor, filósofo e poeta estadunidense Ralph Waldo Emerson: “O homem é apenas a metade de si mesmo; sua outra metade é a sua expressão”.
    Lendo agora seu excelente texto, entendo melhor o que ele quis dizer. A “expressão” da nossa outra metade são elas, que deveriam merecedoras as nossas homenagens, ainda que vazadas nos gestos que você habilmente descreve – pequenos na dimensão, porém vastos na repercussão daquelas que os recebem. Parabéns pela leveza da crônica, que a par do extremo bom gosto, aborda sem o tom iracundo dos ativistas, algo que deveria ser rotina no tratamento cortês que devemos ao sexo oposto. Forte abraço.

    1. HELVECIO SANTOS disse:

      Caríssimo Célio, obrigado! Seu comentário reforça o conceito que tenho do que é ser machão. Aliás, todo machão é imortal pois seu modo de ser fica cinzelado na memória das pessoas que com ele cruzam e, às vezes, servem como novo manual de vida. É seu caso: antes de ser Imortal, já era imortal. TAPAJOARAMENTE AZUL,