
por Helvecio Santos
Recentemente foi realizada a primeira de uma série de reuniões públicas para revisar o Plano Diretor de Santarém, instrumento “que orienta a política de desenvolvimento e de ordenamento da expansão urbana do município, nos próximos 10 anos”.
Na oportunidade, através da mídia, o Secretário de Planejamento, Ruy Corrêa, solicitou que os munícipes compareçam com “sugestão para melhoria de vida dos moradores de Santarém”.
Como me sinto munícipe, copiando o bordão de um antigo movimento político: “Eis-me aqui!”
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Antes de entrar no teor das minhas sugestões, cito duas notícias sobre Santarém que li na mídia regional: a primeira, um seminário sobre drogas, tanto lícitas quanto ilícitas e a segunda, a iniciativa de uma empresa que pelas mãos dos seus funcionários, timidamente desenvolve um programa de reflorestamento da zona urbana.
Ao longo da matéria sobre o seminário, frente ao notório aumento do consumo e tráfico de drogas, não li nenhuma sugestão que pelo menos amenizasse o problema. Li muita estatística, o que, sem ação, pouco ou nada ajuda.
Em grande parte credito o crescente número de usuários e principalmente o alarmante consumo de álcool que alcança cada vez mais jovens, à falta de opções de lazer de fácil acesso e baixo custo.
Hoje só temos cinema nos shoppings e a entrada não é nada barata. Também os campinhos de “pelada” desapareceram e os grandes colégios não disponibilizam suas praças de esporte para a população. Ir à praia, no caso do Maracanã, é uma verdadeira aventura e Alter do Chão e Ponta de Pedras, pela falta de transporte coletivo decente, ficam restritas praticamente a quem dispõe de carro.
Então, minha primeira sugestão é que o Plano Diretor contemple a retirada gradual do comércio atacadista da frente da cidade e proíba a utilização do cais como entreposto de carga dos barcos, caminhões e carretas.
Feito isto, finalmente poderemos dizer que temos uma orla. Como está, mais apropriado é chamar de cais, que é o “lugar lajeado para desembarque de passageiros e carga, na margem dos rios ou do mar”.
É lógico que o Prefeito e o Secretário terão que ter muita coragem e igual amor por Santarém, pois irão mexer num vespeiro encastelado há vários anos e que lucram muito em prejuízo do bem estar do povo.
Aproveitando a inauguração do novo Terminal Hidroviário, o Prefeito promoveria a retirada dos barcos da frente da cidade. A atracação se daria somente no terminal, para carga e descarga, de barcos servidos com banheiro ecológico, sendo proibido o pernoite.
A faixa de areia seria então restaurada, postes de luz voltados para a praia seriam instalados, assim como traves de futebol, postes para redes de vôlei e o que mais a imaginação desse asas. Toda a frente da cidade voltaria a ser um grande parque de diversões.
Que beleza, não?
Com lazer barato e à mão e uma forte campanha publicitária nos meios de comunicação para utilização da frente da cidade como área de lazer, com certeza o consumo de álcool e de drogas ilícitas sofreria um grande tombo.
Minha segunda sugestão para o Plano Diretor tem por base a segunda notícia que cito antes, qual seja, o reflorestamento urbano por parte dos funcionários de uma empresa.
Bom, Santarém já foi uma cidade aprazível e hoje é uma das mais quentes que conheço. A razão é que mesmo no coração da Amazônia, a cidade é estupidamente carente de verde.
Os igarapés estão secando ou sendo contaminados e até as mangueiras da São Sebastião, por obra de um prefeito, foram sacrificadas.
Na notícia citada, pasmem, li que o Parque da Cidade é administrado pela Secretaria Municipal de Agricultura e Pesca. Pago a entrada do cinema a quem explicar o que o Parque da Cidade tem a ver com Agricultura ou com Pesca.
Penso que ninguém duvida, precisamos urgentemente traçar o caminho de volta, inverso à degradação. Assim, deveria ser criada a Secretaria de Sustentabilidade, voltada entre outros afazeres a cuidar das nascentes e dos nossos mananciais, da mata ciliar, do reflorestamento da cidade e dos nossos parques.
Para o sucesso dessa iniciativa uma estação de mudas deveria ser criada e campanhas que envolvessem a população deveriam ser desenvolvidas.
Nesse intuito, a frente da cidade funcionaria como vitrine e seria um objetivo primordial. Baias avançando do cais sobre a areia seriam construídas e nelas plantadas árvores. No entorno destas, bancos para a população desfrutar a beleza do Tapajós.
A Secretaria de Sustentabilidade também seria responsável por planejar e executar a mobilidade urbana através de meios não poluentes e nesse sentido, sugiro uma ciclovia acompanhando o cais e cobrindo o esgoto a céu aberto que ali existe. Seria útil e decorativa.
Esclareço, não tenho a pretensão de entrar nos detalhes de como fazer mas sim, do que fazer.
A propósito, nem o Parque da Cidade e nenhuma outra praça de Santarém têm irrigação adequada e suficiente. Que tal a instalação de um sistema de irrigação que fosse acionado por um simples toque de botão?
A irrigação de todos os parques e jardins da cidade também seria responsabilidade da Secretaria de Sustentabilidade.
São sugestões que dependem mais da vontade política do que de recursos.
Fica a dica!
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Ótimas sugestões.