por Anselmo Alencar Colares (*)

O último dia de vida..., por Anselmo Colares - Blog do JesoOntem [dia 11] vivi o último dia de minha via. Minha vida dos 52 anos.

A primeira frase pode soar estranha. Mas todos os dias vivemos o último dia de nossas vidas. Sem nos dar contar disso. E sem buscar extrair as lições que ele nos deixou, e muitas vezes sem viver as belezas que ele nos oferece.

Leia também do autor – A Gosto (de uns) Des Gosto (de outros). O que há de comum a todos nesse agosto de 2016?.

Tão ocupados que ficamos com algumas coisas fúteis, disputas, sonhos nossos para os quais damos uma dimensão como se fossem redentores da humanidade.

Era um domingo, e isso favoreceu bastante para que eu pudesse desfrutá-lo de uma forma leve e revigorante. Quase indescritível. Mas com certeza um daqueles dias que deixam marcas na alma. E cujos reflexos ecoam na eternidade. Porque teve uma combinação de cores, sabores e amores.

As cores não podiam ser mais intensas, sob a luz resplandecente do verão amazônico, na bela Praia Grande que se forma as margens do rio Arapiuns. Os saberes além de agradarem ao paladar, também enchiam os olhos para alimentar o corpo que carrega o peso dos dias vividos. E os amores estavam simbolizados nas pessoas que, por razões que vão além das explicações racionais, ali estavam.

Hoje inicia outra etapa dessa caminhada terrena que se estenderá até quando cessar o sopro da vida. A duração, seja da vida que pulsa em mim, ou de qualquer outra vida, não sabemos. Mas aprendi que o tamanho da caminhada não dá para ser medido por horas ou dias, e sim pela intensidade como essas horas e dias são vividos, e principalmente pelas aprendizagens que nos propiciam e como as incorporamos para que nos tornem melhores.

Melhores na compreensão dos nossos limites, das nossas falhas, e da necessidade de amar sem reservas, de fazer o bem sem buscar recompensas, e de viver cada dia como se fosse o último, tendo a consciência que ao se extinguir a vida, títulos e bens nada mais representam.

Mas também viver cada dia como se fosse o primeiro, alimentado pela crença de que a vida continua, e que para além da existência física, há uma forma espiritual, uma energia que transcende, constituída pelos nossos pensamentos e pelo reflexo das nossas ações.

Ao longo desses anos tive a oportunidade de ler, ouvir e refletir sobre muitas coisas. Dentre elas, as diversas crenças espalhadas pelo mundo. Usando a liberdade e a razão, fiz minhas escolhas.

E escolhi acreditar que há algo além da matéria. E por conta dessa escolha, busco viver cada último dia de vida terrena como preparação a vida não material.

Com os anos, aprendi que posso escolher e viver paz, amor, caridade, e fazer deles companheiros de viagem, seja qual for, quando e para onde for. Assim foi meu último dia de uma idade que se foi.

Deus permita que assim sejam todos os novos dias.

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* É professor-doutor da Ufopa, Universidade Federal do Oeste do Pará, onde ocupa o cargo de vice-reitor eleito.

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2 Comentários em: O último dia de vida…

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