Frágil argumentação

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Contraponto de J. Pontes ao artigo Dilma presidente, já no 1º turno, da lavra de Jota Ninos:

Jota Ninos, a sua análise carece de mais consistência quando você analisa a pesquisa Datafolha para presidente.

Primeiro incorre no grave erro de achar que este instituto está a serviço do Serra apenas pelo fato de as últimas pesquisas serem desfavoráveis à candidata do PT. Segundo, há um evidente exagero em afirmar que o crescimento da Dilma foi astronômico e a queda do Serra vertiginosa.

Ora, na última pesquisa da Datafolha a Dilma aparecia com 36 e o Serra com 37. Digamos que ela tenha tirado do Serra 3 pontos, então somaria 39. Como a margem de erro é de 2 pontos para mais e para menos, ela estaria provavelmente com esses 39 e o Serra teria caído para 34.

Agora, pense você na possibilidade de a próxima pesquisa mostrar movimento inverso, o que é absolutamente possível. Então o Serra voltaria aos 37 mostrando um crescimento ‘astronômico’e a Dilma desabaria vertiginosamente para 36.

Não é frágil e descabida a sua argumentação?


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12 Responses to Frágil argumentação

  • J. Pontes, ´segundo o Globope, a “margem” de erro já está em 11 pontos. E logo vai estar em 15 ou 16, 17, por aí. O seu caso é típico de a fé superando a razão.

  • Agora não tem mais jeito o DATAENROLA teve que mostrar a verdade, embora bem abaixo do que aponta as pesquisas mais sérias como a do Census. Em minha opinião até o Census sacaneou a Dilma, visto que o povo nas ruas só fala na candidata do Lula, o Presidente que mais ajudou o Brasil a sair do buraco e ajudado pela competente Dilma Roussef.

  • Caro xará, J. Pontes

    Como jornalista e publicitário, trabalhei muitos anos com pesquisas eleitorais na região. É dessa experiência que escrevi o comentário, baseado num dos preceitos previstos no mundo do marketing político, em relação às pesquisas: o da tendência estatística.

    Como jornalista, posso utilizar de termos que soem ao seus ouvidos como “grave erro”, ao chamar o DataFolha de DataSerra. Essa informação corre na internet, mas qualquer leigo ou apaixonado pelo Serra (não sei se é o seu caso), pode ver que esse instituto foi o último a detectar a chama tendência estatística favorável à Dilma.

    Quanto ao meu “exagero” sobre o crescimento de Dilma e a queda da Serra, os números do próprio DataSerra (me desculpe insistir nisso, apesar de seus ouvidos rejeitaram tal descalabro) dão margem à essa diferença. Essa história de se pegar na “margem de erro” faz parte da prática de muitos institutos para justificar o resultado adverso que por ventura venham a ter que explicar. Mas a verdade é que o DataSerra demorou mais que os outros a capitular, e quando sua “margem de erro” aumentou, resolveu pular fora da onda Serrista e correu pra marolinha do Lula!!!

    Aí fica aquela velha lição: na hora em que o barco afunda, os primeiros a sair são os ratos…

    Por isso não acredito que seja ‘frágil e descabida” a minha argumentação, mas nem por isso posso afirmar que seja verdadeira. Também tenho direito à minha “margem de erro”…rsrsr Mas posso afirmar, baseando-me na premissa da tendência estatística (e isso, se você negar, é porque não admite a possibilidade de Serra perder), a Dilma ganha estas eleições. Uma derrota dela seria possível somente com algum incidente gravíssimo durante a campanha.

    E antes que me acuse de torcer por Dilma ou pelo PT, lembre-se que no Pará estou cravando a grande chance de Jatene ganhar. E garanto que ainda não decidi meu voto nessas eleições. Mas de certeza, pra onde eu for não verei diferença. Há muito tempo os políticos estão nivelados por baixo.

    Obrigado por suas considerações.

  • Caro Zapata,

    Respeito suas colocações referentes ao citado jornalista, no entanto “veja” está a serviço do PIG, isto é claro e notório. E não é referência em termos de jornalismo sério.

    Abs

  • Percebe-se nos comentários acima do porque a campanha do Serra está desandando.
    Quem o apoia são BRUCTUS que usam argumentos de BRUCUTU.
    Conteúdo zero!

    Talvez eu seja suspeito em falar, pois desde o segundo governo Lula compartilho a opinião do Paulo Henrique Amorim, a de que o Vesgo do Panico teria mais chances de se eleger presidente, do próprio José Serra.

    A única novidade desse DATA-IMBROLHA é que ele se alinhou aos demais Institutos de Pesquisa que há tempo vinham captando a vantagem de Dilma. Até porque não dava mais esconder o sol com a peneira.

    Não sei se Dilma vai ganhar ou não já no primeiro turno, mas as circunstancias lhe são muito favoráveis, politicamente até mais favoráveis às do próprio Lula em 2006.

    Mesmo num cenário tão favorável, o que o PT e sua coligação não podem fazer é calçar o salto alto.
    Esse negocio do já ganhou pode ter os mesmos resultados que o Lula teve em 2006,
    Ou seja, por uma baixaria do PIG e do próprio Serra (sanguessugas), Lula foi para o segundo turno.

    E baixarias é o que mais Serra e seus Brucutus sabem fazer.

    Tiberio Alloggio

  • Sei que pesquisa não ganha eleição.
    Mas, se percebe nas ruas a opção pela candidata Dilma como de maior incidência.
    É uma realidade que se percebe. O Jota Ninos está certo.
    O País melhorou com o governo Lula. É muito brasileiros pobres conseguiram sair desta camada. Com isso, alavandou a DILMA como representante desta mudança.
    Não adiante ignorar esta realidade.
    Então, os Tucanos terão mais uma derrota a enfrentar.

    1. Quem eh o Poderoso Chefao do Mensalao?

      Quem disse ter sido traido, enganado pela turma do MENSALAO e nao sabia de nada?

      Quem acusou SAR-ney de ser o MAIOR LADRAO DO BRASIL, mas, vive hoje de beijos e abracos com o cara? Quem mandou os petistas votarem inocentando Renan Calheiros do crime de usar DINHEIRO PUBLICO pra sustentar amante? Quem humilhou os petistas exigindo que todos fossem aas ruas gritar FICA SARNEY enquanto mais de 90% dos brasileiros gritavam FORA SARNEY? Quem mandou pagar US$ 10 milhoes em paraiso fiscal a um marqueteiro por servicos prestados ao PT? Quem exigiu que a Secretaria da Receita Federal mostrasse a agenda com a data em que foi ao gabinete de Dilma pra ouvir a ordem de arquivar processo fiscal contra o filho de Sar-ney, e tendo sido mostrado a agenda o cara falou que as filmagesn foram destruidas e a demitiu?

      1. Aplique o seu Jus Sperneandis… Mas Lula fez um governo menos corrupto que o seu FHC!

  • Um Post interessante do Reinaldo Azevedo sobre pesquisas, acho importante a leitura, abraços!

    15/08/2010 às 7:56
    Ainda o Datafolha e os 50%

    Não, não vou contestar pesquisas. O que não consigo, aí sim, é condescender com boçalidade, com burrice. Acho o Datafolha um instituto sério, já escrevi várias vezes. E isso me deixa ainda mais animado para, num particular, afirmar: “Epa! Assim não!” Minha contestação, se procedente, mudaria a ordem das coisas, inverteria os números? Eu não estou preocupado com isso. Não faço campanha eleitoral, embora alguns trouxas tentem provar o contrário. Minha contradita é bem mais simples: existe o certo, e existe o errado. Pode ser que, na semana que vem ou na seguinte, o instituto faça uma nova pesquisa, a que eu não tenha restrição nenhuma, e chegue ao mesmo resultado ou a uma distância ainda maior. Não importa!

    NEM POR ISSO O QUE VEM DEPOIS CORRIGE O QUE VEM ANTES. NEM POR ISSO O QUE VEM DEPOIS REFERENDA O ERRO QUE VEM ANTES. É lógica. Eu sou lógico.

    Um trecho do texto assinado pelo repórter Fernando Rodrigues, na Folha, gerou uma penca de comentários no blog que me deixou, de fato, espantado. Eu havia escrito, tão logo a pesquisa Datafolha foi divulgada, que parte dos que responderam o questionário havia assistido apenas à entrevista de Dilma Rousseff no Jornal Nacional. Pois bem, no aludido texto da Folha, lê-se:

    “A pesquisa Datafolha teve cerca de 50% das suas entrevistas realizadas anteontem, quinta-feira, quando já era possível medir o efeito das entrevistas que os três principais candidatos ao “JN”. Os percentuais apurados nos dias anteriores não diferem dos de quinta-feira.”

    Foi o bastante para que os tontons-maCUTs da política, do pensamento e da matemática viessem como horda: “Tá vendo? Foi 50% para cada um!” Bem, eu confio na democracia, claro!, mas, em horas assim, apelo: “Jesus nos proteja”. O que foi feito, amigo, de tudo o que a gente sonhou nas aulas de matemática?

    É evidente que as linhas acima buscam, de modo um tanto oblíquo, negar qualquer fator de desvio, embora o referendem, já digo por quê. O que me deixou estupefato é que os gênios que leram o trecho entenderam que, assim como 50% responderam sem terem visto a entrevista de Serra (é o que está sendo informado acima), outros 50% o fizeram sem terem visto a entrevista de Dilma! E tudo estaria, pois, igual. Trata-se de uma interpretação verdadeira ANTAlógica!

    Agora vamos à escolha do Datafolha
    Trabalhei na Folha e já editei pesquisas lá. Nunca sofri pressão de nenhuma natureza, e sempre me parece um trabalho sério — refiro-me ao período que vai de 1992 a 1996. A direção do Datafolha mudou, mas creio que os critérios não. Adiante. Respeitar seu trabalho e sua história não me impede de apontar um problema e de fazer questionamentos lógicos:

    – se o campo ia de 9 a 12, por que o Datafolha informa ter deixado 50% dos questionários para quinta, um dia depois da entrevista de Serra? Porque considerou, certamente, que era importante que as três tivessem ido ao ar;

    – se o Datafolha admite essa relevância, por que, então, para metade da amostra apenas? O fator que influencia uma metade pode influenciar outra. Será que estou errado? Não! Eu não estou;
    .
    – em que momento o Datafolha decidiu: “Opa! Pára tudo! Agora, só depois da entrevista de Serra” Isso já estava decidido desde o começo? Se estava, por que se considerou que metade deveria ver a entrevista dele e a outra metade não?;

    – informa o texto que os percentuais apurados numa metade não diferem dos percentuais apurados na outra, o que evidenciaria a irrelevância do JN na pesquisa. Vamos ver:
    a) quando se faz uma amostra, ela tem de ser representativa — expressar o Brasil no que diz respeito a região, escolaridade, renda, sexo, idade… Uma vez definida, só o conjunto fechado reproduz as características do todo;
    b) ainda que o Datafolha tivesse mesmo conseguido fechar o resultado de metade dos questionários, ele só teria relevância se esses 50% da amostra reproduzissem a ponderação empregada para definir o todo. Duvido que o Datafolha possa assegurar isso;
    c) finalmente, ainda que as duas metades reproduzissem rigorosamente os fatores ponderados que definiram o todo e ainda que seja verdade que elas apresentem o mesmo resultado, não há estatístico no mundo que possa assegurar: o JN seria inócuo para a metade que não viu Serra. Estariam, de novo, usando um fato posterior para explicar uma falha anterior.

    Muda o quê?
    Não estou acusando o Datafolha de fraude, não! E também não estou sendo oblíquo, tentando sugerir qualquer coisa além do texto. Eu nunca sou oblíquo, o que deixa muita gente até zangada, convocando-me a ser mais sutil às vezes. A minha síntese é esta:
    – se o Datafolha julgava que o fator JN era irrelevante, não precisava ter adotado, então,o procedimento dos 50%;
    – se adotou o procedimentos dos 50%, isso só evidencia que deveria ter adotado o mesmo critério para os 100%;
    – ainda que as duas metades tenham apresentado o mesmo resultado, essa igualdade só seria relevante se cada uma delas reproduzisse o conjunto da amostra;
    – mesmo na hipótese acima, as duas metades continuaram expostas a realidades distintas, e nada consegue mudar isso.

    Não sei quando será feita a próxima pesquisa. Mas certamente será depois do início do horário eleitoral, que costuma influenciar bastante o comportamento do eleitor — Gilberto Kassab e Marta Suplicy que o digam, não é mesmo? Qualquer que seja o resultado, o efeito JN terá ficado no passado, assim como esse interessante debate técnico. Caso diminua a distância entre Serra e Dilma, o fato será atribuído à nova realidade. Caso se mantenha ou aumente, não faltará quem diga: “Viu, Reinaldo, como não havia problema?” E, pela enésima vez, num país acostumado a dispensar a lógica por um bom punhado de alfafa, se estará usando o que vem depois para referendar o erro que veio antes.

    O Datafolha é sério. A explicação é furada. E dois mais dois continuam a ser quatro.
    Por Reinaldo Azevedo

    Tags: Datafolha de 13 de agosto de 2010, pesquisas de opinião, Sucessão 2010

    1. Eu sei quem é o Jota Ninos. Mas quem é o Reinaldo Azevedo? Em todo o caso, fico com o Jota Ninos.

      1. Reinaldo Azevedo, Artur, é uma das mentes mais lúcidas e brilhantes que militam no jornalismo brasileiro. Um dos poucos que não estão a soldo do PT e que fala com propriedade sobre a realidade política brasileira. Se você quer ler um texto coerente, embasado, bem escrito e fundamentado, leia o Reinaldo Azevedo no site http://www.veja.com.br.

        1. Amigo, deixei de ler a veja quando tinha 21 anos. Hoje já passo dos 50 anos. Concordo inteiramente com Leon Tolstoi, em seu livro “Pensamentos para uma Vida Feliz”, quando diz que devemos examinar com cuidado o que lemos e abandonar aquilo que nada nos acrescenta. Foi o caso da veja. Entretanto, não se irrite nem fique magoado comigo por não gostar do que vc gosta. Apenas vemos o mundo de forma diferente.

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