A teia do escândalo: 7 nomes no centro do esquema milionário Ufopa/Fiam

Publicado em por em Justiça, Ufopa

Há exatos 137 dias, o Ministério Público do Pará (MPPA) debruça-se sobre um esquema que liga a Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará) e sua fundação de apoio, a Fiam, a uma empreiteira.

O JC destrincha agora a teia de relações deste caso, revelando 7 atores do enredo. Entre eles, ganha destaque o papel fundamental de Marcelo Vieira Vasconcelos, que operou as engrenagens da licitação ao lado de uma pessoa ainda não identificada pelo portal.

O inquérito foi instaurado no dia 13 de março deste ano e corre sob sigilo.

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No centro das apurações está um contrato de R$ 1,86 milhão. Para entender a dimensão da gravidade do caso, o JC mapeou os 7 principais nomes que formam a estrutura do escândalo:

1. Marcelo Vieira Vasconcelos (O operador da compra). Ele teve um papel de extrema importância no esquema. Foi designado oficialmente por portaria para atuar como pregoeiro, comprador e agente de contratação titular da fundação no período exato em que o edital investigado estava na praça. Foi Marcelo quem deu a autorização no pedido de compra inicial da obra de R$ 1,86 milhão. O JC apura neste momento a identidade de uma outra pessoa que atuou de forma conjunta com Marcelo dentro dessa engrenagem.

2. Kennedy Kester da Silva Lima (O pivô) É a figura central do escândalo. Ele era sócio-administrador da K. J. Construtora (nome fantasia da J. L. Pinto Gomes Ltda) e, de forma simultânea, exercia a função de assessor jurídico da própria Fiam. Esse cenário caracteriza um flagrante conflito de interesses – quando interesses particulares de um funcionário interferem nas decisões da instituição em que ele trabalha.

3. Otto Narry Tavares da Silva (O presidente ciente) Diretor-presidente da Fiam e, curiosamente, pregoeiro oficial (funcionário que conduz licitações) da Ufopa. Ele confessou ao Ministério Público que descobriu a ligação do advogado com a empreiteira em outubro de 2025. Apesar de constatar a fraude, tomou a decisão de manter o contrato milionário e os pagamentos fluindo até o encerramento daquele ano financeiro.

4. André Feófiloff (O advogado substituto) Advogado e também assessor jurídico da Fiam. Foi o responsável por assinar o parecer jurídico (documento técnico que dá o aval de legalidade) aprovando a licitação. A sua assinatura no lugar da de Kennedy levanta a forte suspeita de uma manobra elaborada para tentar ocultar o evidente conflito de interesses de quem seria beneficiado pela licitação.

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5. Cauan Ferreira Araújo (O reitor em exercício) Reitor em exercício da Ufopa. No mesmo mês de outubro de 2025, enquanto a fundação descobria a irregularidade de sua construtora, ele assinou diretamente pela universidade uma ordem de serviço paralela no valor de R$ 734 mil, favorecendo a mesmíssima empreiteira investigada na Fiam.

6. Jorge Luiz Pinto Gomes (O representante) Representante legal da J. L. Pinto Gomes Ltda (K. J. Construtora). Foi o responsável por assinar, junto com o reitor em exercício, o contrato de prestação de serviços com a Ufopa.

7. Túlio Chaves Novaes (O investigador) Promotor de Justiça titular da 12ª Promotoria de Justiça Cível de Santarém e a autoridade que comanda o inquérito no MPPA. Foi ele quem assinou a recomendação dura exigindo a suspensão imediata dos pagamentos à construtora e determinando que sejam feitas auditorias.

Próximos passos

Como a investigação no Ministério Público segue sob sigilo legal para proteger a coleta de provas, muitos detalhes ainda estão ocultos. O JC, porém, está na fase final de apuração para revelar a identidade do parceiro de Marcelo Vieira Vasconcelos no esquema. Outros nomes e novos desdobramentos serão revelados à medida que as apurações e as checagens rigorosas do portal forem ocorrendo.

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