Círio da Conceição: a primeira festa

Publicado em por em Memória

por Sidney Canto (*)

Dia 08 de dezembro

A 1ª Festa da Conceição

Corria o ano de 1661. No dia 22 de junho chegava ao Tapajós o padre João Felipe Bettendorff, acompanhado do irmão leigo Sebastião Teixeira. Não demorou muito tempo, teve o missionário que se ausentar da aldeia. Voltou outra vez, desta feita acompanhado do alferes João Correa, conhecedor da língua e dos costumes dos Tapajós.

Com a ajuda dos índios, o fundador de Santarém construiu a igreja da missão e dedicou-a a Nossa Senhora da Conceição. Passo agora a transcrever um fato narrado pelo próprio Bettendorff, relativo à primeira FESTA DA CONCEIÇÃO ocorrida em terras santarenas:

“À noite antecedente da festa em que se havia por o altar, houve uns trovões, relâmpagos e coriscos, tão terríveis que todos os índios saíram para fora das casas, e parecia que se ia acabando o mundo. Disseram-me depois que tinham visto em o Céu uma mão com um lenço branco que ia limpando o sangue derramado pelo Céu; em o dia seguinte lhes fiz uma prática sobre a Conceição da Imaculada Virgem Senhora Nossa, e disse que este sinal foi alguma coisa, foi prognostico de um grande castigo que a Senhora havia de remediar”.

Hoje, 350 anos depois desta primeira festa, pedimos que Jesus Cristo, filho de Maria, nossa padroeira, nos livre dos males que ainda hoje tentam ofuscar a beleza da terra, da história e da cultura do povo santareno.

Uma feliz e abençoada festa a todos nós!

* Santareno, é padre diocesano e historiador.

Leia também:
Círio da Conceição: arraial e concurso.
Círio da Conceição: berlinda, cavalos e clarins.
Círio da Conceição: Caminhada de Maria.
Círio da Conceição: livrete da festa.
Círio da Conceição: 1º manto veio de Paris.
Círio da Conceição: promessas e o sagrado.
Círio da Conceição: berlinda provoca demissão.


Publicado por:

One Response to Círio da Conceição: a primeira festa

  • Sidney, também estou ausente de Santarém no dia que foi consagrado, desde os primórdios da sua fundação, à nossa Senhora da Imaculada Conceição. No momento em que lia o seu texto, ouvi sons de crianças brincando. Fui até a janela e fiqei contemplando-as. E me lebrei de uma passagem em que o nosso maior Mestre ensinava sobre a pureza, a inocência, e a ternura que elas carregam. E alertava para o fato de que há criaturas tão desprezíveis ao ponto de tirar-lhes estas vestes que foram postas por Deus, e colocarem em seu lugar os trajes mais abjetos que a humanidade é capaz de produzir. E roubam-lhes, assim, a condição de crianças, antecipam-lhes as dores, a revolta, a falta de perspectivas, e todos os males que a estes possam ser associados.
    Na sequência, fiz uma associação destas reflexões com o momento que o Pará está vivendo quanto a proposta de desmembramento, da possibilidade de nascimento de algo novo, ao mesmo tempo em que possa repaginar o velho estado tão corroído de erros e vícios quase insolúveis. Fiquei a pensar nas crianças, de todas as idades, crianças no sentido de pessoas que alimentam esperanças, no sentido de que ainda carregam sentimentos de solidariedade e de justiça, crianças que amam de verdade, que sorriem sem falsidades, e que choram apenas quando vêem as pessoas a quem amam tristes por se sentirem impotentes para mudar o curso da história na direção de oferecer a todos as mesmas oportunidades de progresso e de bem estar.
    Estou convencido de que a divisão territorial do Pará é o melhor caminho para evitar a separação litigiosa que vai se instalar em consequência da vitória da permanência da colonização e do egoismo que são marcas históricas desse estado tão gigante e ao mesmo tempo tão pequeno, quando se é capaz de compreender as diferenças sociais que se fazem presentes em suas diferentes localidades.
    Lendo seu texto, e a forma como concluiu, e considerando o contexto ao qual fiz referência, sinto-me instigado a terminar pedindo a Deus que ilumine a todos os que compreendemos o sentido do nascer de novo e o sentido da esperança, que digam para o sonho do Tapajós SIM, agora e sempre.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *