Grandes lições de meu pai na arte da composição musical. Por Vicente Fonseca

Meu principal instrumento musical, desde que me entendo como gente, é o Piano, que aprendi a tocar com meu pai Wilson Fonseca (Maestro Isoca), em Santarém (PA), e depois prossegui os estudos de música, em São Paulo, no Instituto Musical Padre José Maurício, com a Professora Rachel Peluso, santarena, na década de 60 do século passado.

Vicente *

Na verdade, até hoje nunca parei de estudar e aprender. Toquei também instrumentos de sopros, como Sax-horn e Barítono (Eufônio) na Banda Professor José Agostinho, além de integrar a Banda do Colégio “Dom Amando”, como Líder do naipe de Sopros, tocando Barítono (Eufônio); Trombone de piston num conjunto musical; e teclado eletrônico/digital em programa de auditório e num grupo musical para festas/bailes dançantes, em Santarém, nas décadas de 60 e 70 do século XX.

Quando vim para Belém (PA), em 1967, a fim de fazer o Curso de Direito, na Universidade Federal do Pará, residindo na Casa da Juventude, dirigida pelo Padre Raul Tavares de Sousa, logo percebi que eu não poderia ficar sem algum instrumento musical, pois a música sempre foi a minha grande paixão.

Então, comprei um violão, que praticamente aprendi a tocar por conta própria, haja vista o conhecimento básico que eu já tinha sobre música, desde criança. Em seguida, adquiri uma pequena escaleta. Mais tarde, comprei uma escaleta um pouco maior.

 

“Escaleta, também conhecido como melódica, melodion, melodeon, clavieta, ou pianica, ou harmonifon é um instrumento musical. Consiste num aerofone de palhetas livres, com funcionamento semelhante ao acordeão e à harmônica de boca. Possui um teclado análogo ao do piano, em proporções reduzidas” (Wikipedia).

Como eu não dispunha de Piano, em Belém, esses instrumentos “quebravam o galho”, inclusive para ajudar na composição musical.

Sobretudo quando estudante universitário, na capital paraense, eu não dispunha de um Piano. (Somente pude comprar um Piano em meados da década de 80, quando havia retornado a Belém, depois de atuar em diversas cidades da Amazônia, como Juiz do Trabalho de carreira).

Assim, se eu não tinha “cão”, caçava com esses “gatos”. Naquela época, eu escrevia apenas um simples rascunho da música e também usava “cifras”. Não raro submetida cada nova composição à apreciação de meu pai, que sempre me transmitia orientações inestimáveis.

Mesmo residindo em outras cidades, por motivos profissionais, já no exercício da magistratura trabalhista, como Belém (PA), Boa Vista (RR) e Manaus (AM) e Macapá (AP), por exemplo, as frequentes correspondências que mantive com meu pai (muito antes dos atuais recursos virtuais da informática ou internet) eram predominantemente sobre assuntos musicais.

Até que um dia o meu pai me deu o seguinte conselho: – Larga essa muleta” (quis dizer: larga o instrumento para compor). E completou o conselho: – “O instrumento é apenas um ‘instrumento’ de produção do som, para a ‘execução da música’. A obra musical deve ser ESCRITA no pentagrama, sem utilização de qualquer instrumento musical”.

 

Então, eu aprendi, com o Mestre – Mestre na vida e na arte -, que a criação da obra musical é bastante visual e depende também do “ouvido interno”. A sua execução e eventual gravação são etapas posteriores, embora, nem por isso, menos importantes.

Grandes lições!…

P.S: As duas fotos que ilustram este artigo registram momentos em que estava compondo músicas ainda com o auxílio do violão ou do piano, em Santarém-PA, na casa de meus pais.


— * Vicente Fonseca, santareno, é desembargador decano do TRT8 e compositor.

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