
O Centro Acadêmico de Medicina do Oeste do Pará (Camopa) publicou nota de repúdio nesta segunda-feira (31). Nela, os estudantes da Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará) criticam fatos ocorridos recentemente no navio Abaré. A entidade direciona o texto aos órgãos colegiados e setores administrativos da universidade sediada em Santarém.
O projeto Abaré, criado inicialmente por uma organizações não governamentais e assumido pela Ufopa, é um navio que presta assistência médica para comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas da região amazônica.
A estrutura também funciona como um centro para práticas de ensino e pesquisa de alunos universitários. A administração do barco é de responsabilidade da Rede Integrada de Desenvolvimento Humano (RIDH).
De acordo com o documento redigido pelo Campoa, o ambiente no Abaré provoca medo de penalidades. O ofício relata que a gestão da RIDH toma decisões arbitrárias e interfere de maneira direta no trabalho dos professores, fato que gera hostilidade.
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O texto relata um episódio específico de punição. A direção afastou um médico e os estudantes que o acompanhavam por um turno inteiro de trabalho.
O motivo da penalidade foi o aumento do tempo de consulta para atender uma pessoa em situação de vulnerabilidade. O centro acadêmico defende que o profissional tomou a atitude por necessidades médicas e éticas, e argumenta que a punição atrapalhou a assistência para a comunidade.
Os estudantes também apontam um desgaste na relação entre a RIDH e a coordenação do curso de Medicina. O texto informa que professores enfrentam situações de constrangimento e que as normas ignoram a realidade da Amazônia.
Para tentar resolver a situação, os alunos propõem ações. A lista inclui a formulação de uma coordenação focada apenas nas práticas de ensino no navio e a criação de meios para diálogo direto com a RIDH. O grupo também sugere a revisão das regras para impedir interferências nas decisões dos professores. Como última medida, os estudantes cobram o envio do regimento interno do Abaré. Eles afirmam que a direção cita o documento de forma frequente, mas nunca liberou o texto para leitura.
Até o momento, a Ufopa não se manifestou sobre o caso. O espaço está aberto para o contraponto.
Abaixo, a íntegra da manifestação:
OFÍCIO CAΜΟΡΑ Ν° 004/2026
Santarém, 31 de agosto de 2026.
Aos Órgãos Colegiados, Centros Acadêmicos e Instâncias Administrativas da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Campus Tapajós.
Assunto: Nota de Repúdio com relação à punições arbitrárias sofridas no Abaré.
O Centro Acadêmico de Medicina do Oeste do Pará (CAMOPA), entidade representativa dos discentes do curso de Medicina da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), vem, por meio deste documento, manifestar publicamente seu veemente repúdio às recentes e recorrentes situações ocorridas no contexto das atividades desenvolvidas no UBSF Abaré.
Esta manifestação fundamenta-se na compreensão da seriedade que um posicionamento público exige, bem como no compromisso histórico desta entidade com o diálogo e a cordialidade institucional. No entanto, tornou-se insustentável o silêncio diante do ambiente de hostilidade, constrangimentos e decisões administrativas arbitrárias por parte da Direção da Rede Integrada de Desenvolvimento Humano (RIDH) que têm comprometido a formação acadêmica e a assistência às comunidades.
Historicamente, os estudantes de Medicina vivenciam, no Abaré, um cenário marcado pelo medo de punições e por uma gestão que interfere diretamente na atuação dos docentes. Um episódio de extrema gravidade ilustra tal conduta: durante o atendimento de uma pessoa em situação de vulnerabilidade, um médico e os estudantes que o acompanhavam foram punidos com o afastamento de um turno de trabalho. Tal medida foi aplicada após o profissional prolongar o atendimento por necessidade técnica e ética do caso, evidenciando uma punição sem finalidade pedagógica e que prejudicou diretamente a assistência à comunidade.
Além disso, observam-se constantes desgastes na relação entre a RIDH e a Coordenação do Curso de Medicina. Professores têm sido submetidos a situações vexatórias, e regras são impostas de forma vertical, ignorando as particularidades acadêmicas e a realidade amazônica. É imperativo destacar que normas de organização são necessárias, contudo, elas não podem se sobrepor à autonomia pedagógica ou serem aplicadas de maneira desproporcional.
Diante da gravidade e da recorrência desses fatos, o CAMOPA reafirma sua postura em defesa dos estudantes, dos docentes e das populações atendidas, ressaltando que esta mobilização visa não apenas denunciar, mas articular mudanças estruturais na condução administrativa do Abaré, garantindo que o curso de Medicina tenha participação efetiva nas decisões que afetam suas atividades finalísticas.
Propostas de Solução:
- Criação de uma Coordenação Pedagógica específica para o Abaré, garantindo maior autonomia aos cursos da Saúde;
- Estabelecimento de canais de diálogo direto e resolutivo entre a RIDH e a Coordenação do aos cursos da Saúde;
- Revisão dos protocolos administrativos para garantir que não interfiram indevidamente nas decisões pedagógicas e assistenciais dos docentes;
- Envio, por parte da RIDH, do regimento do Abaré, documento frequentemente citado pela direção, mas que nunca foi disponibilizado para consulta.
Atenciosamente, LORENA DA SILVA CARDOSO
Coordenadora Geral do Centro Acadêmico de Medicina do Oeste do Pará
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