A obsolescência do amor. Por Alessandra Helena Corrêa

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A obsolescência do amor. Por Alessandra Helena Corrêa
“Agora, o amor também tem validade programada”, afirma Alessandra Corrêa. Foto: Reprodução

Obsolescência.

Acredito que muitos desconhecem essa palavra. Outros, raramente fazem uso. Entretanto, o que se sabe é que seu conceito tem se feito cada vez mais presente nos nossos dias.

Obsoleto é tudo aquilo já perdeu a utilidade; que se encontra ultrapassado; ou que não corresponde ao que é atual.

Seja pela força do tempo ou por decisão daquele que faz uso do elemento em questão, a serventia do que antes era prioridade, torna-se, gradativamente, nula.

 

Contudo essa palavra transpassou o campo do objeto, dos acessórios e equipamentos que, de fato, mais ou menos, têm data para expirar já pré-determinada.

A obsolescência chegou à esfera dos sentimentos, senhores.

Agora, o amor também tem validade programada. O amor foi exportado para a secção dos perecíveis!

O amor paradoxal de Camões; despretensioso de Pessoa; platônico de Alencar e sensato de Drummond, tornou-se fugaz.

O amor caminha a passos apressados, comprimem-no em cubículos de rotinas atarefadas, desenvolve-se no contratempo do tempo que já não se tem.

Tiraram-nos o direito de amar!

— LEIA também de Alessandra Corrêa: O aroma das minhas lembranças.

Entretanto, obrigam-nos a não permanecermos sozinhos. Mas, se o amor é “o ganho não previsto”, é “o minuto de ouro no relógio”, é “aquilo que se aprende no limite” então como cultivar esse amor?

Como cronometrar o tempo para amar, se para ele “não há tempo consumido”? Como limitar a sua duração se ele se faz no imprevisível?

Impossível!

O amor começa tarde, implícito na sedução; cru na imperfeição dos primeiros gestos; sem toques refinados, assim ele se constrói. Exagerado no início, mas verdadeiro no final.

Advirto-vos: utilizem o amor, caros senhores! Resplandeçam o sentimento!

Do que importam as tristezas, as tais “pedras no caminho”? Chutem-nas! Só assim se produzem as lágrimas que hidratam o coração que já não chora!

Expirem a validade! Desrotulem o afeto. Desmistifiquem o amor!

<strong>Alessandra Helena Corrêa</strong>
Alessandra Helena Corrêa

Santarena, é graduada em licenciatura plena em Letras (Ufopa). Faz mestrado atualmente em Estudos Literários, Culturais e Interartes na Universidade do Porto, Portugal, onde reside. No Instagram: @alehhelena.


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2 Responses to A obsolescência do amor. Por Alessandra Helena Corrêa

  • Ah, o amor… Além de obsoleto e fugaz, minha amiga, também é líquido e escorre pelas mãos.
    Como disse Bauman: “Os tempos são líquidos porque, assim como a água, tudo muda muito rapidamente. Na sociedade contemporânea, nada é feito para durar.”
    Beijos de amor fraterno!

  • Fiquei deliciado ao ler e sentir o conteúdo.
    Não acredito no prazo da validade . O que mais se verifica e a intensidade com que vive a procura do amor.
    Existem corações que não choram mas capaz de procurar as melhoras atualizações. O tempo é o melhor conselheiro.
    Obrigado

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