
Coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, hoje, 16:
O deputado Wladimir Costa (SD-PA – foto), voto certo pró-Cunha que mudou de posição na última hora, telefonou a assessores do deputado para se desculpar.
Disse que a situação já estava definida e que por isso não quis passar pelo desgaste de votar a favor dele.
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O presidente afastado da Câmara disse ter entendido a situação.
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Esse é mais um do efeito manada.
Não entendo a indignação contra essa figura inóspita.Levou 5.000 votos daqui da região e deixamos de eleger um DEPUTADO FEDERAL. em 2018 ele vai levar 10.000 e não há como nos revoltarmos, pois, se colocamos lá, temos parte nessa desgraça também.
WLAD É O PARÁ
Publicado por LÚCIO FLÁVIO PINTO ⋅ 16 DE JUNHO DE 2016⋅
Wladimir Costa cumpre seu quarto mandato como representante do povo paraense na Câmara Federal, onde tem assento há 12 anos. Foi reeleito, em 2014, pelo segundo partido a que se filiou, o Solidariedade (antes foi do PMDB), como um dos mais votados, com 141 mil votos.
Obscuro, improdutivo e inconstante, o deputado finalmente está conseguindo seus dias de glória, graças à maciça cobertura da crise política pela imprensa nacional, que distribui como maná os 15 minutos de fama a pessoas que seriam anônimas por qualquer critério que não fosse o da casualidade. Não é por inteligência, argúcia, conhecimento ou serenidade que o parlamentar está se tornando famoso.
É por ser bizarro, mal educado, incivilizado, pobre no vocabulário e indigente nas ideias, quando as tem. Num parlamento que tudo aceita, ele se destaca por ser um dos piores dentre os piores.
O cidadão paraense tem vergonha desse exemplar de primarismo e truculência carnavalesca na Câmara Federal? Como, então, lhe confere o título de campeão de votos há quatro eleições? Ele é uma versão piorada de quem o elege? Talvez não.
Wladimir Costa é inteligente e esperto. Mas fala sobre o que desconhece, se inspira no mais suspeito senso comum. Não tem princípios e age como torcedor fanático em campo de futebol (com radinho de pilha no ouvido). Por ser radialista e dono de aparelhagem, ele é o Wlad simpático, gente boa (certamente com seu cartão Yamada), generoso, caridoso, sempre à disposição dos que dele precisam.
Faz muito barulho porque se criou e vive no barulho. É pouco provável que exista capital no mundo mais barulhenta do que Belém do Pará, cevada na cacofonia mental e nos decibéis como argumento. As leis proíbem os abusos. Pois lei não é potoca no Grão Pará?
É isso para Wlad, seus eleitores e alguns milhares de paraenses, mais iguais do que a maioria, isolados no seu egocentrismo, num individualismo selvagem, regidos por uma única lei: a do mais forte. E pelo predomínio do mais oportunista e audacioso – e também inescrupuloso.
Assim, o que interessa é aproveitar as ondas favoráveis e embarcar nela, indiferente à trajetória de vida, à opinião da véspera, à posição de antes. Foi o que fez o deputado Wlad, mudando subitamente de fervoroso adepto do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, para seu algoz na comissão de ética. Contribuiu – tão positivamente quanto de forma inescrupuloso, como os ratos em navio que vai ao fundo – para fazer avançar o processo de cassação do mais mafioso dos integrantes do parlamento brasileiro. E o mais cínico, por isso vitorioso?
Esse tipo de personagem não só se “dá bem”: é consagrado, vira exemplo, se torna herói, como alguns dos que, a soldo (nada de espírito olímpico), pago pelo erário, carregaram ontem a tocha olímpica por Belém. Representantes da educação, da cultura, do saber, da ciência, da competência intelectual no Pará? Este é um Estado de vazios, terra nula?
São escolhidos os membros de máfias e igrejinhas, os que recebem favores e devolvem favores, os participantes fieis da pantomima. Como as que o deputado Wlad agora repete na Câmara, a anterior no afastamento da presidente Dilma Rousseff, ao aparecer para votar enrolado na bandeira do Pará.
Qual a justificativa do seu voto pelo impeachment: homenagem à sua “mãezinha”. Declaração seguida por um brado barulhento (“quem vota sim põe a mão pra cima!”) e arrematada pelo estouro de um lança-confete no plenário.
Circo? Não, realidade. Praticando esse espetáculo circense lesivo nos seus programas de rádio e televisão, Wlad provocou pelo menos quatro ações por crimes contra a honra,injuriando, difamando e caluniando. Ah, mas ele é ficha limpa: não foi condenado em nenhuma das ações, que ainda tramitam pela justiça.
Falha do judiciário local? Wlad também é réu em uma ação que tramita com a mesma lassidão no Supremo Tribunal Federal. O relator, Edson Fachin, julga a participação do deputado em um suposto esquema de desvio de recursos públicos entre 2003 e 2005, em Belém.
Este é o Pará bárbaro, selvagem, violento, incivilizado, estúpido e cruel em que nos transformaram os ocupantes da terra, seus colonizadores e donos, e ao qual nos afeiçoamos, nos alienando do nosso patrimônio e da nossa história.
Que venham novos Wlad. Eles são o retrato fiel de um Pará que não nos representa, mas é o Pará que se forjou com a nossa leniência, omissão, adesão e cumplicidade – e também com a nossa covardia. Um Pará que perdeu o domínio da sua história, incapaz de juntar o “antes” ao “agora”, com um projeto de “depois”. Um Pará desnaturado, que pega as migalhas do banquete como os canoeiros da beirada do rio na passagem dos navios pelos estreitos de Breves
Wlad é um de nós.
Brilhante! Lúcio Flávio é um dos melhores jornalistas do Brasil. Fosse norte-americano, teria vários Pulitzers na estante. Para o leitor que não sabe, ele é o também excelente Palmerio Doria são santarenos.
E o também excelente…
Carlos Lacerda, este artigo do Lúcio Flávio que vc disponibilizou aqui virou post lá no blog do Luis Nassif.
https://jornalggn.com.br/noticia/wladimir-costa-o-algoz-de-cunha-e-um-de-nos-por-lucio-flavio-pinto
Prezado Guy Fawkes, muito Obrigado por Vossa informação, gostei de ver, valeu!!!
Foi apenas voto matemático: Quando viu que tia Eron amarelou, e só poderia com seu voto fazer o 10X10, pulou fora pra tentar sair como herói, já que o voto de minerva do presidente da comissão viria com gosto de gás!
Mau caráter. E nem homem de honrar o compromisso com o outro bandido Eduardo Cunha é!
” É pela presença, também, desse tipo de “homem” público, sem dignidade, sem caráter, sem uma boa personalidade, que a População Brasileira tomou nôjo e abuso da classe política, só resta termos esperança em uma nova geração de bons políticos, que verdadeiramente tenham espírito público e trabalhem em prol do Povo que continua sofrendo nas mãos desta mesma classe política bandida, criminosa e cara de pau. “
Porque é um herói sem caráter, um traíra que quer aparecer. E esses momentos de 15 minutos de fama na mídia nacional são pratos cheios pra ele, agora ele não dança mais sem camisa, rebolando em cima do trio elétrico desfilando pelas ruas de Belém, distribuindo míseras cestas básicas para os desavisados, que se trocam por uma minguada cesta básica, agora ele aparece de outra maneira, a nível nacional. Essa pessoa nefasta que tem a boca podre, eu nunca queria ter como amigo.
Ele votou certo para a saída do bandido Cunha, mas é uma pessoa não confiável. Deus me livre de uma pessoa dessa.
Soltando a franga no trio, é? Bem que eu desconfiava que essa Coca é Fanta…